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Edição 319

Gringos inundam a Bolsa de São Paulo

Enquanto isso, está difícil contratar profissionais de TI, acaba a era Odebrecht na Braskem, Grupo Boticário está em busca de recursos, lajes e galpões bombando

O mercado financeiro brasileiro está recebendo uma enxurrada de recursos oriundos do exterior. Até o dia 20 de abril, os investidores estrangeiros compraram mais de R$ 65 bilhões (cerca de US$ 13,1 bilhões) em ações brasileiras. Um valor que supera o total combinado de 2024 e 2025. Esse fluxo não tem data para acabar e deverá durar pelo menos até o final do ano. Segundo executivos da Faria Lima, os gringos estão com mais apetite ao risco e começam a diversificar em mercados globais.

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Única alternativa

A questão é que entre os países emergentes, o Brasil é o único com uma dimensão considerável, um número razoável de empresas nas quais investir e liquidez suficiente para poder eventualmente sair rápido. Além disso, a Rússia é considerada não investível por causa da guerra com a Ucrânia e das sanções internacionais. Na China, existem limitações estatutárias dos grandes fundos. A Índia apresenta sérios problemas burocráticos até o momento. E a África do Sul é um mercado muito pequeno. Não há muita escolha sobre onde alocar recursos. Até mesmo na América Latina, o Brasil é um caso único. Somando Chile, México e Peru, não se chega à metade do tamanho do mercado financeiro brasileiro. E se no Brasil a liquidez permite que um investidor consiga desmontar uma posição em um dia, em outros mercados são necessários até 20 dias.

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Brasil: a bola da vez

Um relatório recente do Bank of America (BofA) foi intitulado “Brasil: o novo ouro”. Elaborado após dois dias de reuniões com clientes institucionais em Nova York e às vésperas das reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, o documento revela um quadro de otimismo robusto com os ativos brasileiros, tanto o câmbio quanto a bolsa. O banco prevê o dólar em queda e o Ibovespa chegando aos 200 mil pontos, enquanto a inflação deve fechar o ano em 5%. Segundo o BofA, o momento positivo brasileiro é sustentado por uma combinação rara de fatores macroeconômicos globais e dinâmicas políticas regionais que favorecem o país como destino de capital. Mas o relatório destaca mais um fator, que vai além da economia e entra na política: a percepção de uma virada conservadora em curso na região. “Argentina e Chile já se deslocaram para a direita, e a percepção é que o mesmo pode acontecer na Colômbia, no Peru e no Brasil”, escreveram os analistas do Bank of America.

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Apagão no setor de TI

As empresas brasileiras enfrentam cada vez mais dificuldades na contratação de profissionais de TI. Um estudo inédito realizado para a Ford pelo Datafolha mostrou que 98% das empresas têm dificuldade para encontrar profissionais qualificados, uma realidade que freia o crescimento e a inovação. O estudo “Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências” entrevistou 250 líderes de RH e Tecnologia da Informação de médias e grandes empresas para compreender os principais desafios e as tendências do setor. A pesquisa revela que a dificuldade em encontrar profissionais na área de tecnologia é quase unânime no Brasil. Para 72% das empresas, a falta de conhecimento técnico é um dos principais desafios enfrentados, seguido pela ausência de experiência (54%), o que acende um alerta sobre a formação e o desenvolvimento de talentos no país.

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Fim da era Odebrecht na Braskem

A Novonor, antiga Odebrecht, vendeu definitivamente sua participação de controle na Braskem para a IG4 Capital. A empreiteira controlava aproximadamente 50,1% das ações ordinárias e 34,3% do capital social total. A Petrobras, detentora atualmente de 47% do capital votante da Braskem e 36,1% do capital total, deverá fechar um novo acordo de acionistas para garantir a governança da empresa. O objetivo do novo controlador é levar adiante um processo de reestruturação financeira e operacional da companhia, com a intenção de que a Braskem volte a gerar valor para seus acionistas e para o Brasil.

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Safras & Mercado eleva estimativas de colheita e esmagamento de soja

A produção de soja no Brasil em 2025/26 deverá ser recorde, chegando a 178,11 milhões de toneladas, contra os 177,72 milhões na previsão anterior. Segundo o relatório da consultoria Safras & Mercado, é estimada uma alta de 3,7% sobre a safra da temporada anterior do maior produtor e exportador global da oleaginosa. No caso do esmagamento de soja, a previsão é de 61,8 milhões de toneladas em 2026, contra o volume próximo de 60 milhões na estimativa anterior.

Grãos de soja | Foto: Shutterstock

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Boticário em busca de recursos

O Grupo Boticário está em busca de recursos. A gigante dos cosméticos pretende levantar R$ 700 milhões até o final de 2026 para alongar dívidas e financiar a construção de uma fábrica de perfumes e cosméticos em Pouso Alegre (MG). O investimento previsto na nova unidade é de R$ 2,5 bilhões até 2028. Mesmo registrando um faturamento de R$ 38 bilhões em 2025, o Grupo Boticário decidiu reforçar o caixa diante do ambiente macroeconômico turbulento e da proximidade do ciclo eleitoral. Em dezembro, a empresa já tinha levantado outros R$ 2 bilhões em títulos verdes.

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Lajes e galpões bombando

A demanda por imóveis dos setores corporativo e logístico não para de crescer. No primeiro trimestre de 2026, a vacância registrou queda, enquanto a absorção líquida positiva e a oferta limitada de novos empreendimentos alimentaram os preços. Em São Paulo, a taxa de vacância recuou para 15,28%, com absorção líquida de 107 mil metros quadrados. No Rio de Janeiro, a vacância em ativos de padrão A e A+ atingiu o menor nível desde 2021, com absorção líquida de 26,25 mil metros quadrados, indicando retomada gradual. No setor logístico também há sinais de mercado aquecido. Em São Paulo, o estoque total alcançou 21,2 milhões de metros quadrados, com taxa de vacância de 6,40% e absorção líquida de 366 mil metros quadrados. O crescimento do e-commerce e a busca por eficiência operacional geraram uma demanda adicional, superando a entrega de novos galpões.

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1 comentário
  1. Emilio Sani
    Emilio Sani

    Minha conclusão é que os investidores internacionais já contam com a queda do ladrão…

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