Sabemos há décadas o que precisa ser feito, mas o mal não dorme.
(artigo dedicado ao meu amigo Robson Abreu)
O que você quer da política? Uma revolução que conserte todos os erros, coloque os bandidos na cadeia, livre os inocentes, corrija as injustiças e livre o país da corrupção? Não vai acontecer. Ninguém deve depender da política para ser feliz. Muito menos de revoluções. Especialmente de revoluções. Mas é isso que muitos esperam, inclusive pessoas “de direita”. Uma revolução.
A direita não apoia revoluções. Conservadores são antirrevolucionários. Liberais devem ser cautelosos; a última revolução que deu bons resultados foi a americana, que aconteceu em 1776 — e que foi, na verdade, um movimento de independência. A verdade é que as ideias por trás da política importam cada vez menos.

Já escrevi sobre a direita vermelha, aquela que apoia iniciativas da esquerda “porque senão perderemos a eleição”. Há setores da direita cuja atuação é quase indistinguível da esquerda. Eles demonstram o mesmo amor pelo poder a qualquer custo e a mesma tendência a apoiar um Estado gigante, com tarefas cada vez mais numerosas. Mises já explicou que é por isso que a ideia do socialismo perdura: a maioria dos políticos apoia o aumento do próprio poder.
Alguns usam a expressão “bolsopetista” para descrever o que seria um comportamento igualmente radical de “ambos os lados”. Petismo e bolsonarismo representariam a mesma intolerância com sinal trocado. Esses críticos observam que, ao menor sinal de discordância, a direita aplica o rótulo de “traidor”, mesmo a figuras cuja importância na formação da direita é inquestionável.
Reconheço o fenômeno da reação exagerada, mas não vejo equivalência moral entre petismo e bolsonarismo.
Do lado esquerdo dessa equação, existe um projeto de poder baseado no que há de pior na natureza humana. Isso pode ser confirmado por um estudo das experiências socialistas em geral e das administrações petistas em particular. Do lado da direita existem, sim, inexperiência, precipitação, ingenuidade e, às vezes — é preciso admitir — deslumbramento com o poder e a popularidade. Mas não existe, na direita brasileira atual, nada parecido com a intolerância criminal e totalitária ou a corrupção estrutural da esquerda.
Como já explicaram David Horowitz e Thomas Sowell, a disputa entre esquerda e direita é assimétrica. Esquerdistas vivem da política e para a política; direitistas só querem ser deixados em paz. Direitistas se envolvem em causas pontuais para defender direitos, enquanto para o militante esquerdista, tudo é oportunidade para ocupar espaços. Para a esquerda, como já ensinou Saul Alinsky, “a questão nunca é a questão, a questão é sempre o poder”.

O modelo “democrático” incentiva o populismo irresponsável, o uso pessoal do poder e a degradação constante das finanças e da liberdade. Tudo o que o político precisa para alcançar o poder máximo são votos; cria-se então um óbvio incentivo para que ele minta, fraude eleições e compre votos, e para que seja irresponsável no exercício do poder. Niall Ferguson explicou isso em A Grande Degeneração, Karsten e Beckman em Além da Democracia e Hans-Hermann Hoppe em Democracia, o Deus Que Falhou.
Até que isso mude, políticos ruins serão substituídos por políticos piores. Exceções são raras. Isso não é acidente, mas a consequência inevitável.
Essa não é uma postura derrotista. É uma visão realista. Não estou dizendo que tudo está perdido e que nada vale a pena. Ao contrário: afirmo que a vida é maravilhosa, cheia de possibilidades e que o progresso abriu inúmeras oportunidades de felicidade e realização pessoal — mas isso depende principalmente da ação individual. A política é apenas um instrumento — incompleto, imperfeito e sempre injusto. Não podemos depender dele.
Não dependa da política, dos políticos ou do Estado para nada. Construa sua vida, se desenvolva, cuide de sua família e proteja seus direitos de todas as formas possíveis. Acima de tudo, não transforme a frustração com a política em uma intolerância que vai encher a vida de rancor e ressentimento.
Nosso grande poder não está no voto, como os políticos querem nos fazer acreditar. Nosso poder está no raciocínio, no conhecimento, na consciência e em nossas ações. Apesar de tudo — apesar dos políticos — é possível prosperar e ser feliz, exercendo de forma consciente as faculdades que nos foram dadas por Deus.
Na política, nossas escolhas serão sempre pela alternativa menos ruim. As escolhas que fazemos em nossas vidas devem ser exatamente o contrário.
Leia também “O Irã e o rude despertar da Europa”
Eu acrescento ao excelente artigo o seguinte: temos que votar em políticos de direita e acompanhar as suas ações, para não votar naqueles são desonestos e ladrões.
Eu não vejo por esse lado porque tenho pressa, quanto menos sofrimento melhor
Motta, se 41 senadores não comparecerem na sabatina do indicado militante esquerdista MESSIAS para demonstrarem seu voto NÃO, automaticamente o resultado seria a reprovação do MESSIAS, ou remarcariam nova sessão?
Roberto, apesar de nada a ver com teu excelente artigo, gostaria de saber qual tua opinião sobre a indicação do tal MESSIAS para ministro do STF, depois de demonstrar elevada incompetência jurídica e reputação suspeita quando se diz evangélico e apoia aborto, as condenações do 8 de janeiro e outras barbaridades próprias da pior militância da esquerda.
Se assim pensa, pergunto: se 41 senadores que sinalizam votar NÃO à essa indicação, não comparecerem a sessão da sabatina do Senado Federal, o MESSIAS seria automaticamente rejeitado com os 40 votos dos presentes, ou seria marcada nova sessão?
Creio que só assim teríamos certeza quais senadores votaram realmente contra essa indicação e que poderíamos confiar para as eleições de 2026.
Texto pouco realista, mudanças exigem instrumentos e na democracia é o voto
Muito bom. Sempre acreditei nisso. Precisamos focar inicialmente no nosso entorno e na formação da sociedade.