Diante do prédio do Departamento de Tesouraria da cidade de Norwich, capital do condado de Norfolk, na Inglaterra, um acontecimento mudaria a forma como o trabalho público seria feito dali para frente. Sobre a carroceria de um caminhão e envolto de muita proteção, chegava, em fevereiro de 1957, o imenso Electronic Computer, algo que poucos ali compreendiam plenamente. O equipamento começou a ser operado em abril do mesmo ano.
O Eletronic Computer foi produzido pela Elliott Brothers, uma das pioneiras britânicas na área da computação, com sede em Londres. Naquele tempo, os computadores eram máquinas gigantescas, complexas, que ocupavam salas inteiras e exigiam operadores especializados.
Alguns gestores públicos já enxergavam, com notável clareza, o potencial transformador dessa tecnologia. Entre eles estava o visionário tesoureiro da cidade, Arthur John Barnard, mais conhecido nas redondezas como A.J. Barnard. Foi ele quem defendeu a adoção do computador, apostando que a máquina poderia revolucionar tarefas administrativas como a contabilidade municipal, a cobrança de impostos e o processamento de dados financeiros. Em uma época em que a maioria ainda confiava exclusivamente em métodos manuais, Barnard teve a coragem de investir em uma solução que poucos compreendiam — mas que ele sabia ser inevitável.
A cena capturada na foto é simbólica: homens em casacos pesados e chapéus trabalham juntos para descarregar o enorme caixote, usando cordas, força física e coordenação. Alguns observam, outros ajudam — mas todos testemunham, mesmo sem saber exatamente, que ali se iniciava a era digital no serviço público.

Embora a entrega tenha ocorrido em fevereiro, o verdadeiro momento de consagração veio semanas depois. Em 3 de abril de 1957, o computador foi oficialmente apresentado em uma demonstração para o prefeito de Norwich e membros da imprensa local. Nesse evento, a máquina deixou de ser apenas um objeto misterioso e passou a mostrar, na prática, suas capacidades — realizando cálculos e processando informações em uma velocidade impressionante para a época.
O computador de Norwich despertou grande interesse em círculos governamentais no Reino Unido e em outros países. Em novembro de 1957, Barnard foi convidado a apresentar os resultados iniciais à British Computer Society. Suas reflexões foram posteriormente publicadas, em 1958, no The Computer Journal, no artigo “The First Year of a Commercial Computer” (“O Primeiro Ano com um Computador Comercial”). Nele, o tesoureiro analisou não apenas os avanços alcançados, mas também os desafios e limitações enfrentados durante o primeiro ano de operação. Foi um dos primeiros relatos práticos sobre a implementação de computadores na administração pública.
Barnard continuou sendo um palestrante requisitado em conferências sobre computadores por muitos anos depois disso. Há indicações de que seu nome foi homenageado em uma rua da cidade de Norwich.
Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
Leia também “Imagem da Semana: o dia em que tentaram matar Reagan”




Interessante a história da criação dos computadores.
No início eram tão grandes, que a impressão que se tinha é que seriam cada vez maiores e abrangeriam espaços imensos para que houvesse o maior acúmulo de conhecimentos possível.
Isaac Asimov, escritor de ficção científica, em seu livro Nove Amanhãs, descreve no conto “A Última Palavra”, uma amostra dessa ideia de controle geral, chegando a um final tão surpreendente quanto inesperado. O melhor “amanhã” do livro.
Não posso dizer nada sobre esse desfecho pra não estragar a leitura de ninguém, mas nunca esqueci esse conto.
Ao contrário, no entanto, é o que temos hoje: um computador para cada um, na palma da mão.
Parabéns pela reportagem.
Excelente! Parabéns.
Parabéns pela seção “Foto da Semana”. É muito interessante conhecer a história do surgimento das coisas que fazem parte das Ciências, como o Computador comercial. Adorei.