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Mais de 150 famílias ligadas ao Movimento dos Sem Terra (MST) ocuparam a fazenda Rio Vermelho, no município de Gália (SP), em 2018 | Foto: Divulgação/MST
Edição 316

Terra para quem nela produz?

Segurança jurídica e respeito à propriedade explicam o alto valor das terras agrícolas nos EUA

“Terra para quem nela produz” é um lema central do MST no Brasil. O resultado dessa visão ideológica é que esse movimento invasor de terras acabou criando o maior latifúndio improdutivo do mundo: mais de 90 milhões de hectares já foram destinados à reforma agrária, sendo que mais de 90% dos assentados ainda não foram titulados. O lema retrógrado do MST é exatamente o contrário do que faz o nosso principal concorrente, o agro norte-americano.

Segundo uma pesquisa de 2024 sobre “Posse, Propriedade e Transição de Terras Agrícolas”, divulgada pelo Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas (NASS), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 79% dos hectares são de propriedade de latifundiários não agrícolas. Os latifundiários não agrícolas incluem entidades que arrendam terras agrícolas sob uma variedade de arranjos de propriedade, incluindo propriedade privada, fideicomisso, entidade familiar, entidade não familiar, entre outros.

É isso mesmo! A grande maioria dos mais de 2 milhões de proprietários de terras que arrendaram 347,8 milhões de acres de terras agrícolas em 2024 eram proprietários, mas não eram agricultores.

O que você acabou de ler é o devido respeito ao direito de propriedade, independente de o dono ser agricultor ou não. Dessas terras arrendadas por proprietários não operacionais, mais de 251 milhões de acres foram arrendados por proprietários privados, fundos fiduciários ou entidades familiares.

Esses acres de terras agrícolas, combinados com as construções nessas terras, são avaliados em mais de US$ 1,6 trilhão, de acordo com a pesquisa do NASS. E os proprietários receberam, em conjunto, US$ 34,1 bilhões em renda de aluguel. É um volume gigantesco de recursos que movimenta o agro e a economia americana.

O interessante é que os proprietários não agricultores têm uma idade média de 69,2 anos, superando a média dos que realmente são agricultores, com 58,1 anos. Dos proprietários que arrendam suas propriedades, 52% nunca cultivaram um pedaço de terra. Um quadro impensável no Brasil, onde nossas lideranças certamente estariam combatendo esses “especuladores de terras”.

O resultado do respeito ao direito de propriedade é um país com segurança jurídica que possibilita um mercado extremamente valorizado.

Segundo esse estudo, apenas 5% das terras agrícolas dos EUA chegarão ao mercado nos próximos cinco anos. Isso significa que apenas uma pequena porcentagem de terras agrícolas estará disponível para compra, o que faz com que esse estoque limitado de terras disponíveis para venda continue a sustentar os valores das fazendas.

Essa é uma das razões de o agro americano ter um valuation muito maior do que o brasileiro: o respeito ao direito de propriedade, independentemente de o proprietário plantar ou não.

Cerca de 500 famílias ocuparam a Fazenda Aroeira em Lagoa Santa, região metropolitana de Belo Horizonte, em 2024 | Foto: Divulgação/MST

Antonio Cabrera é veterinário com pós-graduação em produção animal e presidente do Grupo Cabrera, que atua no agronegócio. Foi ministro da Agricultura e Reforma Agrária no governo Fernando Collor e ex-secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de SP durante a gestão Mário Covas. Atualmente, é titular da Sociedade Nacional de Agricultura e membro de várias entidades nacionais e internacionais, além de cônsul honorário da Espanha. Ele está no LinkedIn: Antonio Cabrera

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