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O discurso do vocalista da banda Bob Vylan em Londres escancara a aliança bizarra entre ídolos da esquerda e o ódio antissemita da militância islâmica | Foto: Reuters/Andrea Domeniconi
Edição 315

Barbárie chique

Manifestação mostra que os progressistas se tornaram fãs da ditadura dos aiatolás

Muitos de nós já passamos por isso. Você chega a uma manifestação para dar voz aos oprimidos e humilhados, mas só depois percebe que está cercado por islamistas celebrando um tirano antissemita que reprimiu e massacrou seu próprio povo. Bem-vindo ao mundo da dupla Bob Vylan: o punk-rap que é um ultraje aos nossos tímpanos e à decência moral básica.O vocalista do Bob Vylan, Bobby Vylan — nome artístico de Pascal Robinson-Foster — foi uma das celebridades que discursou na manifestação do Dia de Jerusalém, em Londres. Claro que foi. Afinal, que ídolo “progressista” não quer ser visto nessa festinha lamentável, que costuma descambar para um carnaval de apologia ao islamismo e ódio escancarado aos judeus?

Seria razoável pensar que qualquer pessoa genuinamente antirracista daria de ombros para o Dia de Jerusalém. Tudo começou em 1979, quando o recém-empossado Líder Supremo da República Islâmica do Irã, o aiatolá Khomeini, declarou a última sexta-feira do Ramadã como um dia para muçulmanos do mundo todo se unirem em “solidariedade” aos palestinos. Sem surpresa, porém, os apoiadores mais fervorosos do falecido Khomeini e do Estado terrorista antissemita que ele fundou vêm usando a data desde então para espalhar calúnias sangrentas e apoio a grupos terroristas islâmicos.

A última sexta-feira do Ramadã vira pretexto para fanáticos do mundo todo exaltarem o Estado fundado por Khomeini e atacarem Israel abertamente | Foto: Shutterstock

As festanças de domingo em Londres foram rebaixadas a uma concentração depois que a Polícia Metropolitana pediu para banir a tradicional marcha. Isso veio após um memorando que circulou no Ministério do Interior com o alerta de que a data é um ímã para “ódio racial”, “retórica antissemita” e “manifestações abertas de apoio a grupos proibidos”, como Hamas, Hezbollah, Estado Islâmico, entre outros. Jeremy Corbyn, o antirracista mais azarado do mundo, já foi fotografado discursando ante a bandeira do Hezbollah — o exército jihadista assassino de judeus criado no Líbano pela República Islâmica nos anos 1980 e banido pela lei britânica.

Este ano, a presença diminuiu, mas foi compensada pelo entusiasmo dos participantes. Um foi preso por mostrar apoio a um desses grupos proibidos, outro por direção perigosa, um terceiro por comportamento ameaçador e abusivo. Brendan O’Neill, da revista Spiked (e colunista de Oeste), foi cercado por uma turba e teve que ser escoltado pela polícia por segurança, depois de questionar uma mulher sobre seu cartaz antissemita.

Notícia publicada na Revista Oeste (20/3/2026) | Foto: Reprodução/Revista Oeste

O pretexto de defesa do triste povo da Palestina foi trocado este ano por uma choradeira pela morte do aiatolá Khamenei, sucessor de Khomeini como Líder Supremo, eliminado logo no início da guerra dos EUA e Israel contra a República Islâmica. Um orador — supostamente da Comissão Islâmica de Direitos Humanos, nome que tenta disfarçar os laços bem documentados dessa organização com os brutais mulás que violam esses direitos — chamou Khamenei de “grande mártir”. Esse é o mesmo Khamenei que pode ter matado em torno de 30 mil de seu próprio povo este ano só por ousarem exigir liberdade. O mesmo que injetou dinheiro e recursos em todos os braços da milícia antissemita espalhados por aí.

No meio disso tudo estava o patético rapper Bobby Vylan, dirigindo-se à multidão diante de um banner com Khamenei e afirmando que o teocrata assassino estava “do lado certo da história”. Bobby terminou seu discurso com uma reprise de sua palavra de ordem favorita: “Death, death to IDF” (“Morte, morte às FDI”, as Forças de Defesa de Israel). Foi esse clamor hediondo pela morte dos soldados do Estado Judeu — o exército em que quase todos os israelenses são obrigados a servir, encarregado de proteger os judeus das forças genocidas apoiadas por Teerã nas fronteiras de Israel — que primeiro selou a infâmia da dupla Bob Vylan, ao ser vociferado pela primeira vez para milhares que assistiam a seu show no Glastonbury Festival em 2025. Na época, a polícia concluiu que o ato não configurava crime, mas o caso foi reaberto.

Bobby deliciou-se com a reação da plateia. Sem um resquício de preocupação, ele não refutou as acusações de antissemitismo. Deixou o assunto morrer. Chegou a dizer no podcast do ingênuo jornalista Louis Theroux que só escolheu a palavra “death” (“morte”) porque rimava com “IDF” (as FDI). Claro que ele só estava defendendo os inocentes de Gaza. Alguém ainda cai nessa? Quem não quer ser acusado de antissemitismo e de incitar o assassinato de judeus não discursa em uma manifestação glorificando um antissemita que encomendou o assassinato de judeus. Simples assim.

O fiasco da dupla Bob Vylan mostrou que os israelofóbicos não têm mais um pingo de vergonha. Ou de salvação. Eles têm prazer na notoriedade, no pânico que geram nas comunidades judaicas já sitiadas, no frisson de caminhar lado a lado com islâmicos fanáticos. É tentador considerar a ala “progressista” do movimento “pró-Palestina” apenas um bando de idiotas úteis, marchando em sincronia com os sádicos do século 7 que os pendurariam num poste. Mas está claro que eles sabem muito bem o que estão fazendo. Só não se importam. Foram doutrinados por esse desfile de antissemitismo e niilismo arrogante. Estão fascinados pela barbárie chique.

A militância pró-Palestina deixa de ser um bando de idiotas úteis para se tornar cúmplice consciente do ódio cego propagado por sádicos intolerantes | Foto Reuters/Andrea Domeniconi

Tom Slater é editor da Spiked. Ele está no X: @Tom_Slater_

Leia também “Como a República Islâmica aterrorizou o Irã — e o mundo”

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2 comentários
  1. Vanessa Días da Silva
    Vanessa Días da Silva

    Tenho mais nojo de quem aplaude. Esses oportunistas fazem tudo para aparecer, arguesn superficiais sao facilmente rebatidos com discussao honesta, mas quem aplaude é massa de manobra ou está se beneficiando.

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