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Ministro André Mendonça | Foto: Rosinei Coutinho/STF
Edição 311

Carta ao Leitor — Edição 311

A atuação de Davi Alcolumbre na presidência do Senado e a reforma trabalhista na Argentina estão entre os destaques desta edição

Em dezembro de 2021, quando André Mendonça chegou ao Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes já fazia o diabo com a Constituição — sob as bênçãos de Gilmar Mendes e da maioria dos demais ministros. Como lembra Adalberto Piotto, tudo era permitido contra o tal “bolsonarismo”. Da interferência em prerrogativas presidenciais, como a nomeação do diretor-geral da Polícia Federal, à prisão de idosos, autistas, donas de casa, moradores de rua, pais e avós acusados de um golpe de Estado imaginário. “’Era para salvar a democracia’, diziam os abusadores da lei e seus asseclas nas redações de prestigiados veículos da imprensa envelhecida”, afirma Piotto. 

Há poucos meses, começou a dissipar-se a névoa que cobria os olhos de quem insistia em não ver a série de ilegalidades que brotaram a partir da instauração do inquérito 4.781 — o chamado Inquérito das Fake News. Já não era possível, por exemplo, ignorar o contrato de quase R$ 130 milhões entre Viviane Barci, mulher de Moraes, e Daniel Vorcaro, dono do falido Banco Master. Nem a sociedade de Dias Toffoli com o banqueiro em um resort no Paraná. Muito menos as manobras empreendidas pelo ministro para ocultar provas relacionadas ao escândalo.

Depois de quatro anos no papel de coadjuvante, André Mendonça tem a oportunidade de restabelecer a confiança da população na Corte ao assumir a relatoria do processo que investiga a maior fraude bancária da história do país. “Suas primeiras providências foram higienizadoras”, observa a reportagem de capa desta edição, feita em parceria por Eugênio Esber e Rachel Díaz. Mendonça relaxou a exigência de sigilo máximo imposta por Toffoli, garantiu a autonomia da Polícia Federal na definição dos peritos responsáveis pela análise das provas e blindou a equipe de investigação de interferências políticas ao proibir a comunicação de resultados parciais às autoridades. Augusto Nunes resume em uma frase a solução para o Brasil se livrar desses tempos soturnos: “André Mendonça só precisa cumprir a lei e respeitar a Constituição”.

A partir de junho, Mendonça também assumirá a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral, que terá Kassio Nunes Marques no comando. Primeiro indicado por Bolsonaro ao STF, Nunes Marques assumiu em 5 de novembro de 2020 e se manteve nas coxias até hoje. “Em condições normais, seria algo a ser enaltecido”, observa Eliziário Goulart Rocha. “A juízes de quaisquer instâncias é recomendado seguir o exemplo de árbitros de futebol: quanto menos aparecerem, melhor”. O problema é que a atual configuração do STF tem seguido caminho distinto. Nunes Marques também não precisa inventar fórmulas para saber como agir à frente do TSE durante as eleições. Basta fazer o oposto do que fez Alexandre de Moraes em 2022.

Nesse cenário, o Congresso segue sob o domínio do Centrão, “um gelatinoso agrupamento de medíocres”, na definição de Augusto Nunes. “Ressalvadas algumas elogiáveis exceções, todo senador tem cara de Alcolumbre.” Eleito pelo Amapá com 196 mil votos, o presidente do Senado tem o poder de definir o que é prioridade num país com 220 milhões de habitantes. “Davi Alcolumbre tem feito exatamente o contrário do que exige a sua função”, afirma Cristyan Costa. Pedidos de impeachment contra ministros do STF permanecem na gaveta, requerimentos para instalação de CPIs aguardam leitura e sessões destinadas à análise de vetos presidenciais simplesmente não são convocadas.

Enquanto o Brasil patina, cada vez mais parecido com Alcolumbres, Gilmares, Tofollis e Alexandres, a Argentina continua voando com crescente confiança pilotada por Javier Milei. Gustavo Segré compara a reforma trabalhista aprovada recentemente pelo Congresso argentino com o debate pelo fim da escala 6×1 que ocorre no Brasil. “Aqui está o ponto central”, explica Segré. “Um país discute como contratar mais; o outro, como trabalhar menos — antes mesmo de enfrentar questões estruturais como produtividade, custo, informalidade e tributação.”

Boa leitura.

Branca Nunes,

Diretora de Redação

Capa da Revista Oeste, edição 311. Ministro André Mendonça na sessão plenária do STF | Foto: Rosinei Coutinho/STF
6 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Se Bolsonaro foi enganado sobre Alcolumbre e Ciro Nogueira, se os próprios políticos foram flagorosamente enganados sobre Hugo mota, como os “juristas de Internet” não serião, nos tempos de IA a eficiência do STF e TSE em roubar e mentir como o analfabeto do Lula, mostrou as vísceras e agora os “juristas de Internet” também são “médicos legistas de Internet” para saber a causa-mortis nos exames das vísceras expostas

  2. Joubert Borges de Almeida
    Joubert Borges de Almeida

    Não dá para entender como Jair Bolsonaro apoiou esse traste chamado Alcolumbre para a presidência do Senado. Isso sempre teve cheiro de coisas erradas. E o sujeito ainda mancha o povo judeu! É demais ter que suportar um sujeito desses!

  3. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    Será que toda podridão no reino do Brasil um dia findará? Nossa História desde o descobrimento é um ninho de vermes. Difícil ser otimista num lugar assim. Mas tudo o que é humano pode surpreender. Vamos à luta.

  4. JHONATAN SURDINI
    JHONATAN SURDINI

    …Alcolumbre, o qual teve o aval de JAIR BOLSONARO,…
    *faltou só essa observação.

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