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Túmulo de Tutancâmon: Carter e um trabalhador egípcio examinam o terceiro (e mais interno) sarcófago feito de ouro maciço, dentro da caixa do segundo sarcófago, em outubro de 1925 | Foto: Burton/Cortesia Griffith Institute, University of Oxford (colorido com Dynamichrome)
Edição 309

Imagem da Semana: as maravilhas da Tumba de Tutancâmon

A descoberta da tumba do faraó é considerada um dos maiores achados arqueológicos do século 20

No final de 1922, uma escavação meticulosa no Vale dos Reis, Egito, liderada pelo arqueólogo britânico Howard Carter e financiada por Lord Carnarvon, transformou-se em um dos episódios mais célebres da arqueologia: a tumba do faraó Tutancâmon (também conhecido como Tutankhamun) foi descoberta quase quatro meses depois, em fevereiro de 1923. O achado é considerado um dos marcos mais importantes da arqueologia mundial, não apenas pela riqueza de seu conteúdo, mas por ser a única sepultura real do Antigo Egito encontrada praticamente intacta.

Inicialmente, na tarde do dia 4 de novembro de 1922, a equipe encontrou um degrau esculpido na rocha que conduzia a uma entrada selada — sinal de que algo raro havia sido preservado sob milênios de areia e silêncio. Somente no dia 26 de novembro, diante de Lord Carnarvon, Carter abriu um pequeno buraco na porta da antecâmara e, ao iluminar o interior com uma vela, uma profusão de objetos dispostos em ordem aparentemente intocada foi revelada, incluindo duas estátuas em tamanho natural que se encaravam, funcionando como guardiões da próxima e mais crucial entrada selada. Quando o mecenas, impaciente, perguntou: “Você consegue ver alguma coisa?”, Carter pronunciou a frase que ficaria para a história: “Yes, wonderful things!” (“Sim, coisas maravilhosas!”).

Uma das raras imagens que mostram Howard Carter (à esquerda) e Lord Carnarvon juntos no túmulo.Eles estão na porta parcialmente desmontada entre a antecâmara e a câmara mortuária. Lord Carnarvon morreu menos de dois meses depois desta fotografia ter sido tirada | Foto: Harry Burton/Griffith Institute, Universidade de Oxford (colorizada por Dynamichrome)

O acesso definitivo à câmara funerária ocorreu em 16 de fevereiro de 1923. No seu interior estava o sarcófago de pedra com três caixões encaixados — sendo o último feito em ouro maciço — e, sobre ele, a célebre máscara mortuária de ouro e pedras semipreciosas. Havia também carruagens, armas, móveis, vestimentas, além de alimentos e vinhos que deveriam acompanhar o faraó na vida após a morte. A múmia do jovem faraó foi encontrada dentro dos caixões. Décadas depois, seus restos foram removidos para estudo e conservação. A complexa disposição dos caixões e o conjunto de milhares de objetos funerários — mobiliário, joias, armas, roupas e oferendas — proporcionaram um retrato sem precedentes dos rituais, da arte, da cultura e da vida material do Egito faraônico.

Frequentemente chamadas de “estátuas guardiãs”, erguem-se como sentinelas em ambos os lados da entrada da câmara funerária com parte do bloqueio da porta ainda no local, fevereiro de 1923 | Foto: Burton/Cortesia Griffith Institute, Universidade de Oxford (colorizada por Composite Films)
Objetos, incluindo o sofá com cabeça de vaca e caixas contendo peças de carne, empilhados contra a parede oeste da antecâmara | Foto: Burton/Cortesia Griffith Institute, Universidade de Oxford (colorizada por Dynamichrome)
Exibição dos tesouros encontrados na Tumba de Tutancânon, em Bratislava, Eslováquia, em dezembro de 2014 | Foto: Shutterstock
Túmulo de Tutancâmon: o terceiro sarcófago mais interno de Tutancâmon é de ouro puro e pesa 110 kg. Como todos os sarcófagos do rei, incorpora iconografia associada ao deus dos mortos, Osíris. Os antigos egípcios acreditavam que os mortos se reencarnavam como a divindade. Assim, o sarcófago apresenta o corpo do deus firmemente enfaixado, com o rosto e as mãos expostos e usando uma barba cerimonial. Tutancâmon usa o nemes (cocar tradicional egípcio) e sua soberania divina é simbolizada pela insígnia do abutre e da cobra em sua testa e pelo cajado e mangual que segura nas mãos | Foto: Harry Burton/Griffith Institute, Universidade de Oxford (colorizada por Composite Films)

Ao contrário de quase todas as sepulturas reais conhecidas, a tumba de Tutancâmon chegou aos arqueólogos praticamente intacta, solidificando a descoberta como “o maior achado do século”: a soma de riqueza material e informação histórica foi incomparável.

A descoberta também gerou mitos duradouros, como a chamada “maldição do faraó”, impulsionada pela morte prematura de alguns membros na expedição, como Lord Carnarvon, e amplificada pela imprensa da época — um folclore que acompanhou, mas não diminuiu, o valor científico do achado.

Hoje a múmia de Tutancâmon está conservada em sua tumba original, exibida em uma caixa de vidro climatizada, no Vale dos Reis em Luxor, Egito. A maioria dos tesouros e objetos do túmulo foi transferida para o Grande Museu do Egito e para o Museu Egípcio, ambos no Cairo.

Turistas se aglomeram na entrada da tumba para observar um grande objeto, possivelmente um sofá da antecâmara, sendo removido da tumba de Tutancâmon, a caminho da sala de trabalho (1923) | Foto: Cortesia Griffith Institute, Universidade de Oxford (colorizada por Dynamichrome)
Os objetos da tumba foram acondicionados em caixas de madeira e transportados da sala de trabalho até as margens do Nilo para serem levados ao Cairo de barco. Embora a distância entre o laboratório e o rio fosse relativamente curta, a viagem em vagões ferroviários Decauville, movidos manualmente, levava 15 horas | Foto: Cortesia Griffith Institute, Universidade de Oxford (colorizada por Dynamichrome)

Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.

Leia também “Imagem da Semana: o regicídio de Lisboa”

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3 comentários
  1. André Luiz Cumplido de Sant'Anna
    André Luiz Cumplido de Sant'Anna

    Reportagem e fotos maravilhosas com meus cumprimentos à revista Oeste.

  2. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Deveria todas serem violadas esses faraós tem o ego maior do que as pirâmides. Quando é que vão fazer a do STF?

  3. João Luiz Bosso
    João Luiz Bosso

    Amo essas incríveis janelas da história, relatadas e expostas com riqueza de detalhes e informações.
    Sensacional jornalista.

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