No final de 1922, uma escavação meticulosa no Vale dos Reis, Egito, liderada pelo arqueólogo britânico Howard Carter e financiada por Lord Carnarvon, transformou-se em um dos episódios mais célebres da arqueologia: a tumba do faraó Tutancâmon (também conhecido como Tutankhamun) foi descoberta quase quatro meses depois, em fevereiro de 1923. O achado é considerado um dos marcos mais importantes da arqueologia mundial, não apenas pela riqueza de seu conteúdo, mas por ser a única sepultura real do Antigo Egito encontrada praticamente intacta.
Inicialmente, na tarde do dia 4 de novembro de 1922, a equipe encontrou um degrau esculpido na rocha que conduzia a uma entrada selada — sinal de que algo raro havia sido preservado sob milênios de areia e silêncio. Somente no dia 26 de novembro, diante de Lord Carnarvon, Carter abriu um pequeno buraco na porta da antecâmara e, ao iluminar o interior com uma vela, uma profusão de objetos dispostos em ordem aparentemente intocada foi revelada, incluindo duas estátuas em tamanho natural que se encaravam, funcionando como guardiões da próxima e mais crucial entrada selada. Quando o mecenas, impaciente, perguntou: “Você consegue ver alguma coisa?”, Carter pronunciou a frase que ficaria para a história: “Yes, wonderful things!” (“Sim, coisas maravilhosas!”).

O acesso definitivo à câmara funerária ocorreu em 16 de fevereiro de 1923. No seu interior estava o sarcófago de pedra com três caixões encaixados — sendo o último feito em ouro maciço — e, sobre ele, a célebre máscara mortuária de ouro e pedras semipreciosas. Havia também carruagens, armas, móveis, vestimentas, além de alimentos e vinhos que deveriam acompanhar o faraó na vida após a morte. A múmia do jovem faraó foi encontrada dentro dos caixões. Décadas depois, seus restos foram removidos para estudo e conservação. A complexa disposição dos caixões e o conjunto de milhares de objetos funerários — mobiliário, joias, armas, roupas e oferendas — proporcionaram um retrato sem precedentes dos rituais, da arte, da cultura e da vida material do Egito faraônico.




Ao contrário de quase todas as sepulturas reais conhecidas, a tumba de Tutancâmon chegou aos arqueólogos praticamente intacta, solidificando a descoberta como “o maior achado do século”: a soma de riqueza material e informação histórica foi incomparável.
A descoberta também gerou mitos duradouros, como a chamada “maldição do faraó”, impulsionada pela morte prematura de alguns membros na expedição, como Lord Carnarvon, e amplificada pela imprensa da época — um folclore que acompanhou, mas não diminuiu, o valor científico do achado.
Hoje a múmia de Tutancâmon está conservada em sua tumba original, exibida em uma caixa de vidro climatizada, no Vale dos Reis em Luxor, Egito. A maioria dos tesouros e objetos do túmulo foi transferida para o Grande Museu do Egito e para o Museu Egípcio, ambos no Cairo.


Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
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Reportagem e fotos maravilhosas com meus cumprimentos à revista Oeste.
Deveria todas serem violadas esses faraós tem o ego maior do que as pirâmides. Quando é que vão fazer a do STF?
Amo essas incríveis janelas da história, relatadas e expostas com riqueza de detalhes e informações.
Sensacional jornalista.