Na tarde do dia 1º de dezembro de 1955, uma costureira de olhar firme e postura tranquila tomou uma decisão que mudaria a história. Rosa Parks desafiou as normas municipais de segregação racial vigentes em Montgomery, Alabama, e recusou-se a ceder seu assento em um ônibus público para um passageiro branco. Ela não brigou nem fez discurso, simplesmente permaneceu sentada. Acabou sendo presa.
A decisão de contestar a lei imposta na época foi consciente. Rosa Parks trabalhava na National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), ou “Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor”, e já era uma ativista experiente. Parks, em um trecho de sua autobiografia, disse o seguinte: “Eu não estava fisicamente cansada, ou não mais cansada do que o normal no final de um dia de trabalho. Eu não era velha, embora algumas pessoas me imaginem como velha naquela época. Eu tinha 42 anos. Não, o único cansaço que eu sentia era o de ceder”.


Ela foi presa e multada em US$ 10 pela infração e US$ 4 pelas custas judiciais, valores que não pagou. Parks acabou aceitando a oferta de E. D. Nixon, presidente da seção de Montgomery da NAACP, para ajudá-la a recorrer da condenação. Ambos sabiam do perigo que corriam, mas também sabiam que a situação tinha potencial para mobilizar mais gente e ganhar apoio nacional.

Foi então que, no dia 5 de dezembro, — impulsionado pela força da comunidade negra e sob a liderança de Martin Luther King Jr., — iniciou-se um grande boicote ao sistema de transporte público de Montgomery. Cerca de 70% dos passageiros eram negros e a ausência de cobrança de passagens reduziu drasticamente a receita, causando um grave prejuízo financeiro para a empresa. Caronas solidárias, caminhadas coletivas e reuniões clandestinas foram organizadas. Até mesmo pessoas fora de Montgomery aderiram à causa. Houve manifestações por todos os Estados Unidos contra a segregação em restaurantes, piscinas, banheiros e outros locais públicos. O boicote durou impressionantes 381 dias, sempre conduzido de maneira pacífica. Sem violência.

Quase um ano depois, no dia 13 de novembro de 1956, a Suprema Corte dos EUA declarou inconstitucional a segregação nos ônibus de Montgomery e uma ordem judicial, emitida em 20 de dezembro, autorizava passageiros negros a se sentar em qualquer assento. O boicote terminou no dia seguinte.
Rosa Parks não foi a primeira a se recusar a ceder o assento. Vários outros afro-americanos haviam sido presos por protestos semelhantes contra a discriminação em ônibus da cidade.
Mas a coragem e resistência de Parks acendeu uma faísca e o subsequente boicote aos ônibus foi fundamental para o desenvolvimento do movimento pela igualdade racial nos Estados Unidos. Ela recebeu inúmeras homenagens, incluindo a Medalha Presidencial da Liberdade (1996) e a Medalha de Ouro do Congresso (1999). Logo ficou conhecida como a “mãe do movimento pelos direitos civis”.
Parks morreu em 2005 e teve seu corpo velado no Capitólio, sede do Congresso Nacional dos Estados Unidos, uma honra rara e reservada a cidadãos comuns que prestaram grandes serviços ao país. Parks foi a primeira mulher e apenas a segunda pessoa negra a receber essa distinção.

Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
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Parabéns Daniea Giornio pela bela imagem e a lembrança de Parks,mulher que com um simples ato de indignação mostrou como mudar uma lei injusta. Honra e inspiração.
Fico imaginando esta honrada senhora acompanhando os protestos atuais do black lives matter… certamente cairia horrorizada.