Eu já desconfiava que havia algo errado com a difamação da Polícia de West Midlands, na Inglaterra, contra os torcedores do Maccabi Tel Aviv quando disseram que eles haviam jogado “membros inocentes do público no rio” em Amsterdã no ano passado. A polícia despejou essa lorota em um relatório para justificar a proibição dos torcedores do Maccabi de comparecerem ao confronto de seu time com o Aston Villa em Birmingham, pela Liga Europa, em 6 de novembro. A esquerda israelofóbica devorou a narrativa. As redes sociais ferveram com injúrias agressivas contra esses israelenses “racistas”, “genocidas”, tão imorais a ponto de atirar inocentes em rios.
Fiquei cismado com a alegação dos policiais sobre o acontecido no rio. Porque, se não me falhava a memória, havia ocorrido apenas um incidente de um homem empurrado em um rio durante os confrontos em Amsterdã em novembro passado, e isso foi feito com um torcedor do Maccabi, não por um torcedor do Maccabi. Seria possível que a Polícia de West Midlands estivesse distorcendo a verdade de forma tão descarada, acusando os torcedores do Maccabi de coisas que, na verdade, outros fizeram com eles? De uma maneira orwelliana arrepiante, eles teriam deturpado os fatos e apresentado as vítimas empurradas no rio como os perpetradores do ato?

Agora sabemos a resposta para essa pergunta — sim. A polícia holandesa está acusando a Polícia de West Midlands de usar alegações falsas para justificar o banimento dos torcedores do Maccabi do jogo no estádio Villa Park. E eles destacaram a história do rio. O único caso conhecido, dizem os holandeses, estava relacionado a um homem que apoiava o Maccabi. Ele foi filmado por seus algozes em Amsterdã, os quais disseram que ele poderia sair da água gelada se dissesse “Palestina livre”. Foi a humilhação ritualística de um judeu em uma cidade europeia em 2024. Agora, para piorar a situação, uma força policial no Reino Unido distorceu a verdade desse incidente horripilante, fazendo parecer que um judeu era o culpado, em vez da vítima.
Não se pode dizer que é exagero classificar isso como grave. É um ultraje moral para uma força policial britânica envolver-se em um ataque tão cruel à vítima culpando-a pelo incidente e, para policiais britânicos, usarem desinformação para justificar o banimento de torcedores da pátria judaica. É uma negligência do dever público tão grave quanto se pode imaginar. Com suas “alegações falsas” sobre os torcedores do Maccabi Tel Aviv, a Polícia de West Midlands ajudou a inflamar o ódio digital contra judeus israelenses e contribuiu para uma sensação de insegurança entre os judeus da Grã-Bretanha. E tudo isso baseado no que a polícia holandesa agora chama de alegações “falsas”. Cabeças precisam rolar em West Midlands por isso.

Este é um dos mais graves escândalos policiais dos últimos tempos. No período que antecedeu o confronto entre Maccabi e Aston Villa, a Polícia de West Midlands citou os confrontos em Amsterdã em 6 e 7 de novembro do ano passado, quando o Maccabi jogou contra o Ajax. Eles disseram que o comportamento dos torcedores do Maccabi os caracterizava como “de alto risco” para o Villa Park; então foram banidos. Em sua análise, disseram que muitos dos torcedores do Maccabi em Amsterdã eram “lutadores altamente organizados e habilidosos”, com ligações com as Forças de Defesa de Israel (FDI), que eles haviam “deliberadamente atacado comunidades muçulmanas”, inclusive empurrando pessoas em rios, e que impressionantes 5 mil policiais holandeses foram necessários para conter seu hooliganismo.
A verdade? Não foi nada daquilo. A polícia holandesa diz que muitas dessas alegações simplesmente “não são verdadeiras” e que “não reconhece a alegação” da Polícia de West Midlands de que os torcedores do Maccabi em Amsterdã eram “lutadores altamente organizados e habilidosos” impulsionados por um desejo de “lutar com a polícia e grupos oponentes”. Sobre a alegação de que 200 torcedores do Maccabi tinham ligações com as FDI, os holandeses dizem: “Não investigamos nenhum histórico das FDI”. Eles também apontam que “a maioria dos jovens em Israel tem alguma conexão com as FDI” por causa do serviço militar obrigatório. A respeito da alegação de que 600 torcedores do Maccabi deliberadamente atacaram muçulmanos, os holandeses dizem que na verdade foram “pequenos grupos na cidade” que se envolveram em confrontos. E os 5 mil policiais holandeses nas ruas? De jeito nenhum. Esse número é “totalmente falso”, dizem os holandeses. Na verdade, foram 1,2 mil.
Agora é absolutamente indiscutível: judeus não se encaixam no “antirracismo” superficial dos falsos progressistas modernos.
Como tanta hipérbole e inverdades descaradas foram parar em um relatório policial sobre torcedores de futebol estrangeiros? Uma investigação urgente é necessária. As consequências das “alegações falsas” da Polícia de West Midlands foram terríveis. Elas levaram a um banimento injusto de torcedores judeus de Israel. Elas atiçaram ainda mais o fanatismo israelofóbico, com multidões se reunindo no Villa Park em 6 de novembro para aplaudir o banimento da “escória sionista” da segunda maior cidade da Grã-Bretanha. Quando o relatório de West Midlands vazou, ele gerou uma tempestade de animosidade anti-Israel que, em alguns casos, beirava o antissemitismo escancarado. A “análise” foi citada por exércitos de fanáticos adornados com kefiyyeh como prova de que os torcedores israelenses são, de fato, uma força especialmente ameaçadora que toda nação civilizada tem o dever de colocar numa lista negra.

A verdade de Amsterdã foi distorcida. Na realidade, foi enterrada. Sim, alguns torcedores do Maccabi se comportaram mal em Amsterdã em novembro passado, mas o que eles sofreram em seguida foi de uma ordem completamente diferente. Foi um pogrom. Houve uma “caçada a judeus” coordenada por gangues de homens, principalmente árabes, que percorreram as ruas em busca de “judeus-câncer” para agredir. Eles os socaram, os chicotearam, os empurraram em rios. Os participantes da turba “incitavam uns aos outros a caçar judeus”, como um jornal holandês descreveu durante o julgamento dos caçadores de judeus no início deste ano. É uma vergonha e uma atrocidade para a polícia britânica ter distorcido a verdade por trás dessa fúria racista, e até mesmo atribuído aos judeus alguns dos atos de violência que eles próprios sofreram.
O mais chocante foi a alegria com que a esquerda absorveu as “alegações falsas” da Polícia de West Midlands. A esquerda adora chamar a polícia de “institucionalmente racista” e condená-la como indigna de confiança. Esquerdistas burgueses até cooptaram o antigo slogan de rua “Acab” — All cops are bastards (“Todos os policiais são bastardos”) — para sinalizar seu desprezo arrogante pela “ralé policial”. No entanto, na questão do Maccabi, eles acreditaram em cada palavra dita pela Polícia de West Midlands. Trataram a “análise” como se fosse um evangelho. E pediram mais. Como se explica essa mudança repentina de desconfiança em relação aos policiais para absorver acriticamente cada uma de suas declarações sobre torcedores de futebol estrangeiros? Com uma palavra: judeus.

Agora é absolutamente indiscutível: judeus não se encaixam no “antirracismo” superficial dos falsos progressistas modernos. Tanto que até a palavra da polícia é mais valorizada do que a palavra de um judeu. Todas as posições usuais dos woke — de que as alegações da polícia devem ser tratadas com ceticismo e as preocupações de grupos minoritários devem ser tratadas com simpatia — são completamente invertidas quando se trata de judeus. Então, “alegações falsas” da polícia são acreditadas, enquanto os protestos dos próprios judeus são descartados. É impossível explicar esse fenômeno sem usar a palavra antissemitismo. Sério, eu tentei — não dá.
Testemunhamos a ascensão de uma aliança profana. Polícia, esquerdistas e islamistas unidos na condenação estridente de torcedores de futebol judeus com base em alegações falsas. Este escândalo confirma o quão longe a israelofobia agora chega — direto do esgoto das redes sociais até os escritórios climatizados dos chefes de polícia. A posição de cada pessoa na Polícia de West Midlands que esteve envolvida na compilação do dossiê difamatório contra os torcedores do Maccabi está agora em questão. O governo de Keir Starmer, primeiro-ministro britânico, deveria fazer algo útil pela primeira vez e exigir uma investigação sobre como essa força policial chegou a espalhar “alegações falsas” que causaram tanta consternação entre judeus israelenses e britânicos. Qualquer coisa menos será mais uma traição aos nossos cidadãos judeus.
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Triste.
Meu Deus! Foi o contrário do que a polícia inglesa relatou! Saiu na imprensa mundial, todo mundo leu!