Haddad disse que Tarcísio atua “contra os interesses nacionais”. Está certíssimo. Todo mundo sabe que os interesses nacionais são bater recorde de impostos e de dívida. Aguardamos uma pesquisa genial para confirmar: quem não gosta de imposto é ruim da cabeça ou doente do pé.
E quem é Haddad? Haddad é o ministro da Fazenda. O quê?! Não entendi o que você falou. Pode repetir?
Claro: Haddad é o ministro da Fazenda.
Diante dessa confirmação chocante, qualquer pessoa lúcida perguntaria: Haddad não é aquele que, por três anos seguidos, teve dificuldade de aplicar uma prova de vestibular? Sim, aquele mesmo. E foi premiado com o posto de comandante da economia nacional? Foi.
Você tem todo o direito de achar que isso parece um sonho ruim de uma tarde vadia. Depois de uma feijoada e algumas caipirinhas, você se estatelou no sofá da sala e sonhou com isso. Acordou num pulo quando ouviu que a draga arrecadadora de Haddad estava chegando no Congresso para jantar mais uma vez o contribuinte — incluindo novamente no cardápio o fetiche do IOF.
Aí você se levantou de supetão, suado e babado, mas feliz: ainda bem que era sonho. Em cinco segundos, você deita de novo e tenta retomar o sono, ao descobrir que não, não era sonho. Por medida provisória, lá vinha o governo de novo com sua obsessão taxativa.
Tarcísio, governador do Estado que lidera a economia nacional, firmou posição contra a MP — e sua mensagem ecoou na Câmara dos Deputados, que abortou a matéria. O novo suplemento nutricional da máquina petista estava embargado.
Haddad foi atrapalhado pelo governador no seu ambicioso plano de justiça social. O ministro disse que a derrota no Congresso prejudicava o povo e favorecia a Faria Lima. Isso lá é jeito de falar da Faria Lima, um cabo eleitoral tão fiel? Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão, diria o samba.
Mas não tem traição nenhuma aí. Taxar e sobretaxar operações financeiras e fundos de investimento ferra é o povo mesmo, no final das contas — como tudo que freia o crédito e o empreendimento. A “Faria Lima” que fez o L é uma casta tão rica, mas tão rica, que nunca perde — especialmente se tiver marionetes no poder. Viva a justiça social de Haddad e Lula!
E também tem o seguinte: se o Congresso insistir em se meter a engraçadinho, eles resolvem a parada no tapetão — como naquela última peleja do IOF. Tá tudo dominado. Democracia boa é assim: o governo bate recorde de arrecadação e de déficit, perde o controle da inflação e empurra os juros pra lua, e a imprensa amiga continua levando o ministro da Fazenda a sério.
Diante disso, somos obrigados a reconsiderar o que foi dito acima: não pode ser real. Só pode ser um sonho ruim. Hora de acordar.
Leia também “Confissões de um negacionista”




Vergonha total, cinismo,e falta de caráter…. só uma boa reviravolta…. Quem sabe…
Parabéns pelo texto, Ricardo Fiuza. Não sei convém a mim utilizar a expressão fina ironia, mas seu estilo é marcante. E pra lá de verdadeiro. Que o governo use esse discurso fajuto de justiça social, ricos versus pobres, não surpreende. Agora, a chamada imprensa amiga é de um cinismo ímpar. Boa, governador!