“Eu julgo um homem por uma coisa”, disse o deputado liberal inglês Isaac Foot, no início do século 20: “De que lado ele gostaria que seus ancestrais tivessem lutado em Marston Moor?”. Ele se referia à Batalha de Marston Moor de 1644, durante a Guerra Civil Inglesa, na qual o lado Parlamentar, sob o comando do radical Lord Fairfax, derrotou completamente o lado Realista. Foi a vitória militar que impulsionou essas ilhas em direção à democracia. Começo a sentir o mesmo em relação à Batalha da Cidade de Gaza — que você pode julgar uma pessoa pelo lado que ela escolhe neste embate entre o exército de Israel e os neofascistas do Hamas.
Enquanto as 98ª e 162ª divisões das Forças de Defesa de Israel (FDI) avançam sobre a Cidade de Gaza para confrontar os três mil antissemitas armados do Hamas, uma questão premente se impõe a todos nós: de que lado estamos? Você pode dizer e repetir até cansar: “Eu só quero que a guerra pare”. Você pode carregar uma bolsa dizendo “Cessar-fogo!”, como fizeram aquelas celebridades absurdamente arrogantes no Emmy. Você pode chamar as FDI de “irresponsáveis e atrozes”, como fez a nova secretária de relações exteriores britânica, Yvette Cooper, num ato de perfídia moral mesquinha que envergonha a nossa nação. Nada disso fará a menor diferença. Essa batalha é tão inevitável quanto o nascer do sol amanhã. Nem as FDI, nem o Hamas vão recuar. Então, resta apenas uma pergunta: pela vitória de quem você torce?

A Batalha da Cidade de Gaza já é um dos confrontos mais deturpados dos tempos modernos. Grande parte da cobertura midiática deixa a impressão totalmente pós-verdade de que as FDI estão atacando a Cidade de Gaza por esporte. Ou por terra. Ou em uma busca ainda mais inflamada pelo, curiosamente fracassado, “genocídio” do povo palestino. O outro lado da batalha — o exército de fanáticos apocalípticos do Hamas que odeiam judeus — foi praticamente ignorado. Raramente ouvimos falar deles. É tão bizarro quanto se os jornais tivessem noticiado a Batalha de Raqqa sem mencionar o Isis, ou a Batalha de Berlim sem sequer pronunciar a palavra “nazista”.
Qualquer um que escreva, publique no X ou fale sobre a Batalha da Cidade de Gaza sem fazer referência às inúmeras células de guerrilheiros armados à espera dos soldados do Estado Judeu está, pura e simplesmente, praticando desinformação. É uma espécie de censura em tempo de guerra apagar um dos lados de uma batalha — pior, o lado que provocou a guerra com seu pogrom contra os judeus do sul de Israel em 7 de outubro de 2023. A verdade sobre a Batalha da Cidade de Gaza é que, de um lado, há dezenas de milhares de soldados de duas divisões das FDI, e do outro, cerca de três mil homens armados do Hamas e seus aliados islamistas sob o comando de Izz al-Din al-Haddad.

Haddad é chamado de “o último comandante do Hamas”. Acredita-se que ele seja o comandante das Brigadas Al-Qassam, o braço armado do Hamas, desde maio de 2025, após o assassinato de Yahya Sinwar e, em seguida, de seu irmão, Mohammed Sinwar, pelas FDI. No início deste mês, os sauditas informaram que Haddad havia enviado um comunicado interno às células do Hamas na Cidade de Gaza, instruindo-as a se preparar para uma “batalha feroz que poderia durar meses”. Todas as forças disponíveis serão mobilizadas para infligir “golpes severos” às FDI, disse ele. Ele também está coordenando ações com a Jihad Islâmica Palestina. Como resultado de sua conspiração militar, a Cidade de Gaza está infestada de “pequenas células de guerrilheiros bem preparados”, reequipadas com “mais explosivos, mais mísseis antitanque e mais atiradores de elite”.
Se você estiver lendo uma reportagem da mídia sobre a Cidade de Gaza e ela não mencionar nada disso, pare de ler. Você está sendo alimentado com meias-verdades. E quando você ouvir sobre dezenas de pessoas morrendo na Cidade de Gaza — uma realidade inevitável e aterrorizante de qualquer guerra — lembre-se de que alguns deles serão esses fanáticos que Haddad reuniu para desferir “golpes severos” contra a nação judaica. Tantas calúnias e alegações unilaterais circulam pela cobertura midiática da guerra em Gaza que cabe aos cidadãos que pensam com seriedade preencher as lacunas. Para lembrar que o Hamas existe, que continua a lutar contra as FDI, e que seus líderes sonham com a nova matança fascista de judeus — “Faremos isso de novo e de novo”, como disseram sobre o 7 de outubro.
O que os israelófobos do Ocidente chamam falsamente de “genocídio” é guerra. A fragilidade da acusação de “genocídio” — o puro cinismo difamatório dela — foi resumida no relatório publicado esta semana por uma comissão de inquérito da ONU. Israel está cometendo genocídio, dizia. A prova? Que “as forças de segurança israelenses estavam cientes de que suas operações militares desde 7 de outubro de 2023 causariam a morte de palestinos em Gaza”. Eles “sabiam do alto número de baixas”, mas não “intervieram para mudar os meios e métodos de guerra empregados”. Estou ficando louco ou isso é apenas guerra? De acordo com essa definição pueril — basicamente, “sua ação militar causou baixas” — toda guerra na história foi um genocídio. Lembre-se desse analfabetismo histórico e da desonestidade moral com as quais a mentira do genocídio é usada como arma contra o Estado Judeu quando você ouvir que a Batalha da Cidade de Gaza também é “genocida” — o que você vai ouvir.
Para ser claro, a Batalha da Cidade de Gaza representa, sim, uma nova e perigosa mudança de rota na Guerra Israel-Hamas. Como reporta o Haaretz, até agora em 2025 as FDI “operaram em áreas com poucos civis”, focando em “destruir os túneis do Hamas e outras infraestruturas terroristas”. Seus alvos foram, em sua maioria, “mapeados antes da entrada das tropas”. A Batalha da Cidade de Gaza é uma perspectiva mais assustadora. Militantes do Hamas se instalaram lá aos milhares. Reconstruíram seus túneis. Nem todos os civis evacuaram. E, claro, há os reféns israelenses. É apavorante o relato de que o Hamas está começando a deslocar alguns reféns para a superfície, num esforço para “dificultar a ofensiva das FDI”. Usar judeus como escudos humanos contra o próprio exército judeu é um novo nível de selvageria para o exército de antissemitas.

No entanto, a batalha já está em andamento. E é preciso tomar partido. A questão é a seguinte: algumas pessoas escolheram um lado sem perceber. Pois, se você pede o cessar-fogo apenas a um dos lados de uma guerra em curso, então você está objetivamente se alinhando ao outro. Imagine dois homens duelando e você diz a apenas um deles para guardar a arma. Isso não é comportamento de pacifista — é uma declaração implícita de que a vida de um homem vale menos que a do outro. É isso que ouço quando as classes formadoras de opinião cacarejam “Parem Israel” — elas decidiram, por mais tolas que sejam, que a segurança da nação judaica tem menos valor moral do que as ambições desequilibradas das células do Hamas na Cidade de Gaza. Isso é o que foi tão vergonhoso na crítica de Yvette Cooper à incursão “irresponsável e revoltante” de Israel na Cidade de Gaza — de modo leviano, ela apoia o Hamas e legitima sua crença doentia de que as FDI são uma gangue saqueadora que merece punição.
A Batalha da Cidade de Gaza será sangrenta e aterradora. Palestinos sofrerão e jovens soldados israelenses morrerão. No entanto, isso não deve negar a verdade moral de que essa é uma batalha entre o exército de uma nação democrática e uma milícia terrorista que abomina o Ocidente infiel tanto quanto abomina os judeus. Ficar de fora desse confronto pode ser um luxo que as almas perdidas de nossas elites blindadas e falsamente virtuosas têm cacife para bancar. Mas é muito arriscado para o resto de nós. Então, o que você quer: a vitória da nação judaica ou a vitória de islamistas radicais que degolam judeus? Uma vitória para o nosso aliado do Iluminismo ou uma vitória para as forças retrógradas da intolerância medieval violenta?
Pare com sua angústia performática e escolha um lado.
Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast da Spiked, The Brendan O’Neill Show. Seu novo livro, After the Pogrom: 7 October, Israel and the Crisis of Civilisation, foi lançado em 2024. Brendan está no Instagram: @burntoakboy
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