O primeiro é um líder desacreditado, historicamente impopular, incapaz de governar e atacado pela direita populista e por uma esquerda ensandecida. O segundo é um líder desacreditado, historicamente impopular, incapaz de governar e atacado pela direita populista e por uma esquerda ensandecida. Que dupla formam Keir Starmer e Emmanuel Macron.
O discurso de Macron nas casas do Parlamento britânico no início de julho provocou um êxtase coletivo entre os centristas rasos, que continuam a ver os líderes europeus como muito mais astutos e admiráveis do que os britânicos (uma visão que só se sustenta pela total ignorância da política continental contemporânea e/ou pela suscetibilidade ingênua a um sotaque). Após uma série de derrotas para Starmer, o presidente francês pareceu à elite britânica ser tudo o que o primeiro-ministro acuado não é — suave, articulado, um líder; alguém que fala mais fluentemente em seu inglês carregado de sotaque do que um Starmer áspero, incoerente e passivo jamais conseguiu em sua língua nativa.
Mas, na verdade, ambos são descendentes de uma ordem que está morrendo rapidamente. Tecnocratas em uma era populista, apegando-se às suas ortodoxias falidas, até mesmo enquanto seus efeitos nefastos são escancarados para todo mundo ver. Ambos foram, por um breve período, aclamados como o retorno de uma governança “liberal”, pró-UE e competente, mas acabaram sendo expostos como trapalhões incapazes de fazer qualquer coisa, a não ser enfurecer um eleitorado já furioso. Starmer simplesmente chegou lá mais rápido e com menos referências a Rousseau. A mesma porcaria, mas sem a polidez.

Macron, em seu oitavo ano dos dez na Presidência, tentou e fracassou em reformar o Estado francês, tentou e fracassou em transformar a UE em uma superpotência genuína, tentou e fracassou em derrotar o populismo. Ele foi retratado andando sobre as águas pela revista The Economist em 2017, depois que derrotou Marine Le Pen na eleição presidencial, livrando supostamente a França do desvario populista que havia consumido a Grã-Bretanha no verão anterior. Todos esses anos depois, e o Rassemblement National (Reagrupamento Nacional) venceu uma eleição europeia e está a um passo do Palácio do Eliseu, disputando não com o partido de Macron, mas com a aliança de esquerda de Jean-Luc Mélenchon.
Macron não resistiu a se vangloriar um pouco sobre o Brexit. Afinal, a ascensão de Keir “Segundo Referendo” Starmer ao gabinete do primeiro-ministro é, sem dúvida, um benefício para a UE, que começou a tirar vantagem disso com uma facilidade alarmante. “A intenção não é divergir”, disse Macron em seu discurso. Ele não precisava ter se dado ao trabalho. Starmer, se seu recente acordo de traição com a UE serve de indício, está desesperado para arrastar o Reino Unido de volta à órbita regulatória de Bruxelas, mesmo que isso custe a democracia e a prosperidade. Mas, dado que o sucessor de Macron pode muito bem estar negociando com o primeiro-ministro Nigel Farage, declarar vitória sobre o Brexit parece um pouco prematuro. Os eleitores já se cansaram do globalismo estilo UE e continuarão a encontrar maneiras de deixar isso claro nas urnas.
Na verdade, esse discurso foi menos uma volta olímpica do que uma agonia derradeira. Dava para ouvir isso nos apelos mal velados de Macron ao autoritarismo, exigindo que os governos reprimam a liberdade de expressão e coloquem seus povos na linha. Os “modelos democráticos” da Europa, disse ele, estavam sendo ameaçados por “interferência estrangeira, manipulação de informações, dominação de mentes por emoções negativas e vícios em mídias sociais”. Tradução: “Devemos defender a democracia da ameaça dos eleitores, aqueles completos imbecis”. Naturalmente, todos os esforços censórios de Bruxelas até agora foram um fracasso total, com revoltas eleitorais irrompendo ao norte, sul, leste e oeste — apesar das novas regulamentações sobre mídias sociais e da intimidação estatal aos insurgentes. Quanto mais fracas as elites, mais autoritárias.

Diga-se o que quiser de Emmanuel Macron — ele, pelo menos, conhece sua plateia. Sua retórica elevada sobre a Europa, a democracia e a sagrada “transição verde” pode ter sido rasa, iludida e hipócrita. Mas os rasos, iludidos e hipócritas do reduto político de Londres certamente engoliram tudo. Houve até uma referência a Adolescência, o novo “documentário” favorito de todo político britânico, provavelmente para verificar se Starmer ainda estava acordado. Mas para as pessoas comuns fora dos salões dourados de Westminster — de Manchester a Marselha — isso tudo deve ter soado como a choradeira de uma elite cujo tempo finalmente se esgotou.
Tom Slater é editor da Spiked. Ele está no X: @Tom_Slater_
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Que texto ruim, não dá para entender onde quer chegar e sobre o que está escrevendo exatamente. Não fica claro qual é a critica.
Macron é um grande reacionário e ‘líder’ da imaginária França Antártica.