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Política

Viana, sobre prisão de Stefanutto: ‘O 1º escalão da fraude agora também é alvo’

O presidente da CPMI do INSS afirma que a detenção ‘mostra claramente que nós estamos no caminho certo em dar uma resposta ao povo brasileiro’

O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (esq), e Alessandro Stefanutto (dir)
O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (esq), e Alessandro Stefanutto (dir) | Foto: Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a prisão do ex-presidente do órgão Alessandro Stefanutto demonstra uma nova fase de alvos na Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF).

“Hoje, a operação colocou na cadeia o núcleo principal de todos os desvios do INSS, da quadrilha que tomou de assalto as aposentadorias brasileiras”, afirmou Viana. “Aqueles que estiveram na CPMI debaixo de habeas corpus, que garantiram a eles silêncio em vários momentos, agora terão de revelar a verdade, ainda mais presos. Isso mostra claramente que nós estamos no caminho certo em dar uma resposta ao povo brasileiro.”

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+ Defesa de ex-presidente do INSS preso rompe o silêncio

Ex-presidente do INSS Alessandro Antonio Stefanutto | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Ex-presidente do Instituto Alessandro Antonio Stefanutto | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A prisão de Stefanutto ocorre menos de um mês depois do seu depoimento à comissão, o qual ocorreu com o benefício de habeas corpus, que garantiu seu silêncio em perguntas incriminatórias. O ex-presidente do instituto chegou a ter um embate com o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

À época, Stefanutto negou qualquer irregularidade e atribuiu sua gestão a medidas de “transparência e modernização”.

Atuação da CPMI do INSS

Ainda na coletiva, Viana rebateu críticas de que a CPMI seria “teatral” ou ineficaz: “Minha indignação em dizer que desde o início falavam que CPMI não daria em nada”. “Senhores, não há na história uma comissão que tenha apreendido mais pessoas e que esteja dando mais respostas”, afirmou. 

Ao detalhar o balanço parcial das apurações, o presidente confirmou o que já havia sido mostrado por Oeste: que o colegiado trabalha com três níveis de responsabilidade no esquema.

Leia também: “O caminho do dinheiro”, reportagem de Sarah Peres na Edição 293 da Revista Oeste

  • O primeiro escalão — O mais sensível; seria composto de políticos que indicaram, protegeram ou se beneficiaram dos servidores envolvidos. “Esse primeiro escalão, a partir de agora, também começa a ser alvo das operações e, possivelmente, dos depoimentos que serão dados junto ao Supremo Tribunal Federal”, destacou.
  • O segundo escalão envolve servidores concursados, que, segundo o senador, mantiveram o esquema funcionando de governo a governo. “Pessoas que se corromperam e permaneceram na máquina pública garantindo que os desvios continuassem”, resumiu.
  • Já o terceiro escalão, segundo ele, é formado por operadores e laranjas que receberam e movimentaram o dinheiro. “Hoje, boa parte desses já está presa — mas há outros que ainda serão presos ou que terão de explicar o desaparecimento dos bilhões dos aposentados”, disse.
Carlos Viana
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG) | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Dinheiro, delações e convocação de deputados

Viana também confirmou que parte dos investigados vinha sendo monitorada e que novas diligências devem ocorrer nas próximas semanas: “O dinheiro sacado em espécie está guardado em algum lugar”. 

“Uma parte foi para o exterior, para paraísos fiscais. Outra parte desapareceu no Brasil. Esse dinheiro está escondido — em bens, propriedades ou locais específicos”, disse.

Leia também: “O lobista do INSS”, reportagem de Cristyan Costa e Sarah Peres na Edição 294 da Revista Oeste

Sobre delações premiadas, o senador afirmou que há ofertas em andamento — incluindo de investigados que já passaram pela CPMI —, mas que nenhuma será aceita antes da consolidação das provas. 

“Uma delação só pode ser feita quando a culpa da pessoa está bem definida. Primeiro, vamos montar todo o arcabouço probatório”, explicou. “Agora queremos saber quem ajudou, quem indicou, quem nomeou e o que receberam para que esse esquema pudesse continuar funcionando. Nós vamos sair daqui com uma Previdência muito mais fortalecida e com os culpados presos.”

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