Na manhã desta quarta-feira, 18, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, assinou um memorando de entendimento com os Estados Unidos para explorar terras raras e minerais críticos no Estado. O acordo foi firmado no Consulado Norte-Americano, em São Paulo, e inclui mapeamento mineral, desenvolvimento tecnológico e estímulo à industrialização local desses recursos.
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Durante a cerimônia, realizada na zona sul da capital paulista, o encarregado de Negócios dos EUA, Gabriel Escobar, disse que já fez a proposta para o governo federal. Contudo, acrescentou que aguarda resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Já temos uma proposta em nível federal”, afirmou o diplomata. “Estamos em discussões preliminares, mas estamos esperando uma resposta ainda.”
De acordo com Caiado, o acordo prevê que Goiás tenha prerrogativa para priorizar a exploração das terras raras e mapear “o potencial mineral” do território, além de captar recursos de um fundo para investir nos estudos dessa tecnologia.

O documento não tem caráter vinculante, mas estabelece diretrizes de parceria entre governo estadual, instituições acadêmicas e empresas.
“Um ponto muito importante também é, junto com as universidades, desenvolver tenlogias em parceria com o governo americano, que hoje é algo complexo ainda, essa separação dos minerais críticos”, afirmou o governador, um dos presidenciáveis do PSD para as eleições de 2026. “Isto é uma técnica que os americanos têm e que nós temos uma fase ainda muito rudimentar.”
Goiás abriga a única mineradora em operação de terras raras no Brasil, em Minaçu, no norte do Estado. O local é visto como essencial na política minerária do país.
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Em nota, a gestão de Caiado afirma que, “mesmo que a Constituição reserve à União a titularidade sobre recursos minerais e a competência para legislar sobre jazidas e minas, o papel dos Estados no desenvolvimento econômico regional é constitucionalmente reconhecido e amplamente exercido”.
Os principais pontos da parceria sobre terras raras
São cinco os principais pontos do memorando assinado por Goiás e EUA:
Leia mais:
- O levantamento do potencial mineral do Estado;
- Abertura e transparência de mercado de minerais críticos para facilitar investimentos e acesso a fornecedores, equipamentos e tecnologias;
Apoio à competitividade das políticas minerais brasileiras para atrair capital americano; - Capacitação institucional e científica, com vínculos entre setores governamentais, acadêmicos e empresariais dos dois países;
- Promoção do estabelecimento, em Goiás, de capacidades completas de processamento e fabricação de valor agregado, incluindo separação de terras raras, metalização, produção de ligas e fabricação de ímãs permanentes de neodímio.
O acordo também prevê a criação de políticas para exploração e a internalização de etapas industriais, como o processamento e a separação de terras raras. A tecnologia desses materiais ainda é concentrada em poucos países, especialmente na China.
Darren Beattie, o conselheiro do presidente dos EUA, Donald Trump, participaria do evento de hoje. No entanto, teve sua entrada barrada no Brasil pelo presidente Lula, em resposta ao cancelamento do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O Estado de Goiás busca se posicionar como polo estratégico na disputa global por esses minerais, essenciais para tecnologias como baterias, chips de celular e equipamentos militares. Esse tipo de material é muito usado pelos EUA em equipamento militar eletrônico sofisticado, com ímãs de disprósio e térbio. A indústria de semicondutores também é grande consumidora de minerais com elementos como gálio e germânio.
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