O governador Tarcísio de Freitas escolheu o professor Aluísio Segurado, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) para assumir o cargo de reitor da universidade. O anúncio oficial está previsto para esta quarta-feira, 3. Ele foi o candidato mais votado nas eleições internas e liderou a lista tríplice encaminhada ao governo estadual.
Com 68 anos, Segurado obteve a maioria dos votos em consultas feitas a alunos, docentes e funcionários, além de vencer a votação da assembleia universitária. Apesar do resultado expressivo, a nomeação dependia da decisão final do governador, conforme determina o estatuto da instituição.
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A tradição da USP prevê que o nome mais votado seja nomeado reitor, embora, em ocasiões anteriores, governadores tenham optado por outros candidatos, como em 2009, quando José Serra indicou o segundo colocado. Situações semelhantes também ocorreram durante o regime militar.

A chapa liderada por Segurado recebeu 1.270 votos e tem como vice Liedi Légi Bariani Bernucci, primeira mulher a dirigir a Escola Politécnica da USP. Em segundo lugar ficou a chapa Nossa USP, com Ana Lúcia Duarte Lanna e Pedro Vitoriano de Oliveira, que somaram 713 votos. O terceiro lugar foi ocupado pela chapa USP Novo Tempo, de Marcílio Alves e Silvia Periera de Castro Casa Nova, com 340 votos.
Formado em medicina pela USP em 1980, com mestrado e doutorado na mesma instituição, Aluísio Segurado é professor titular desde 2012 e possui trajetória reconhecida em infectologia e gestão acadêmica. Atualmente, atua como pró-reitor de graduação.
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo antes da eleição, Segurado afirmou que o maior desafio da USP será a busca de um novo modelo de financiamento, em razão da reforma tributária, que pode extinguir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Ele ressaltou que o futuro reitor deverá dialogar com grupos conservadores.

“Essa discussão vai exigir que tenhamos à frente da reitoria lideranças capazes de fazer essa articulação, com muita escuta e capacidade de fazer a sociedade ficar do nosso lado”, disse à Folha. “Precisamos de um reitor que saiba dialogar com todo o espectro político que vai estar envolvido nesse debate.”
O professor ressaltou também a importância de se preparar para a renovação política em São Paulo, já que haverá eleições estaduais no próximo ano, o que pode impactar o debate sobre o financiamento das universidades estaduais.
Segurado, que já foi pró-reitor de graduação na gestão de Carlos Gilberto Carlotti Junior, atuou como diretor do Instituto Central do Hospital das Clínicas (HC) durante a pandemia de covid-19. Ele enfatizou o papel da USP no enfrentamento da crise sanitária, destacando a mobilização da universidade para servir à população do Estado.

“Nós fizemos uma mobilização de guerra e em poucas semanas transformamos o HC para atender exclusivamente os pacientes com covid”, comentou. “Em um momento tão crítico para o Estado de São Paulo, a USP se colocou inteira à disposição da população, e não poderia ser diferente, nós servimos à sociedade.”
O novo reitor avalia que há reflexos de uma polarização social na USP e defende o diálogo com setores conservadores para enfrentar esse cenário. Na pró-reitoria de graduação, ele realizou diagnóstico sobre vagas e evasão, identificando pontos que precisam ser resolvidos para ampliar o acesso e a permanência dos estudantes, além de evitar desperdício de recursos.
Nos últimos quatro anos, de acordo com Segurado, a USP incentivou a revisão de mais de 140 projetos pedagógicos dos cursos, aproveitando a renovação de 20% do corpo docente, com cerca de 900 novos professores contratados. “São professores jovens, dispostos e abertos a fazer as mudanças que os alunos de hoje requerem”, afirmou à Folha.

Novo reitor da USP comenta planejamento para cursos da universidade
Segurado considera fundamental tornar os cursos mais atraentes e reduzir as taxas de evasão, reconhecendo que muitos estudantes não têm maturidade para decidir precocemente sobre a carreira. Ele defende mudanças no vestibular e propõe a criação de um Núcleo de Acessibilidade Pedagógica para adaptar o ensino a alunos neurodivergentes, com deficiência ou lacunas de aprendizagem.
“Engana-se quem acredita que só alunos da escola pública entram na USP com dificuldade”, declarou. “Nós estamos recebendo estudantes que passaram dois anos da vida escolar com aulas remotas, isso afetou a todos e perdura até hoje.”
Para Segurado, é preciso mudar a percepção de que o ensino na USP é difícil. Ele exemplificou ao questionar se é justo exigir que vestibulandos escolham cursos como geofísica, geologia ou meteorologia sem entender as diferenças entre eles.
“Precisa ser exigente, mas não difícil. A experiência do aluno no primeiro ano de uma graduação na USP precisa ser acolhedora, não aterradora.” O aluno, afirma o novo reitor, “precisa vestir a camisa da universidade, se sentir pertencente. A revisão desse primeiro ano será uma prioridade da nossa gestão.”
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