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Política

Mais de 350 políticos do RJ contrataram gráficas investigadas por ligação com bicheiro

Levantamento mostra que empresas receberam R$ 18 milhões em campanhas eleitorais; PF apura suspeita de lavagem de dinheiro

Mais de 350 candidatos do RJ contrataram gráficas investigadas por ligação com bicheiro
Adilsinho foi detido em fevereiro em Cabo Frio, na Região dos Lagos | Foto: Divulgação/Polícia Federal

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Levantamento revela que um grupo de gráficas, supostamente ligado ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, recebeu R$ 18 milhões de campanhas eleitorais de mais de 350 candidatos no Rio de Janeiro de 2018 a 2024. A Polícia Federal investiga se as gráficas funcionavam como empresas de fachada em um esquema de lavagem de dinheiro. Políticos afirmam que as contratações foram regulares e desconheciam qualquer ligação com o contraventor, que negou envolvimento.

Um grupo de gráficas investigado por suposta ligação com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, recebeu R$ 18 milhões de campanhas eleitorais de mais de 350 candidatos no Rio de Janeiro de 2018 a 2024.

As informações constam em um levantamento publicado pelo portal UOL nesta terça-feira, 14. As gráficas investigadas são: a Nova Visual, a Apel Gráfica e a Gráfica Editora Completa.

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Entre os mais de 350 candidatos que contrataram os serviços das gráficas estão:

  • Eduardo Paes (PSD), então prefeito do Rio de Janeiro;
  • Cláudio Castro (PL), então governador do Rio de Janeiro;
  • Wilson Witzel (DC), ex-governador do Rio de Janeiro;
  • Alexandre Ramagem (PL), ex-deputado federal do Rio de Janeiro;
  • Carlos Bolsonaro (PL), ex-vereador do Rio de Janeiro;
  • Dr. Luizinho (PP), deputado federal do Rio de Janeiro;
  • Rodrigo Amorim (PL), deputado estadual do Rio de Janeiro, e
  • André Ceciliano (PT), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

A reportagem analisou as prestações de contas entregues pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral. Os documentos mostram que as campanhas contrataram as empresas para produzir santinhos, adesivos, panfletos e outros materiais gráficos.

PF investiga gráficas

A Polícia Federal (PF) afirma que há indícios de que as gráficas funcionavam como empresas de fachada e integravam um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao contraventor Adilsinho.

A decisão do relator do caso, ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que autorizou a continuidade das investigações, no entanto, ressalta que a contratação das empresas, por si só, não configura irregularidade. A PF agora apura se as gráficas prestaram os serviços contratados e se tinham estrutura para executar os trabalhos declarados nas prestações de contas.

A PF afirma que Adilsinho é um dos principais nomes da contravenção ligada ao jogo do bicho no Estado fluminense. Segundo os investigadores, ele também comandava um esquema milionário de falsificação e distribuição clandestina de cigarros no Rio de Janeiro.

O contraventor voltou a ser alvo de um mandado de prisão em uma das fases mais recentes da Operação Unha e Carne. O inquérito investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e atuação de organizações criminosas.

Candidatos afirmam que contratações seguiram a lei

Políticos e campanhas afirmam que contrataram as gráficas de forma regular, com emissão de notas fiscais e registro das despesas na prestação de contas enviada à Justiça Eleitoral. Eles também ressaltam que desconheciam qualquer eventual ligação das empresas com o contraventor investigado.

Em nota, Adilsinho negou qualquer relação com as gráficas investigadas. O contraventor afirmou que jamais efetuou pagamentos a agentes públicos ou políticos e disse confiar que os fatos serão esclarecidos durante o processo judicial.

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