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Política

STF atua nos bastidores para impedir avanço da PEC do foro privilegiado

Ministros da Suprema Corte intensificam diálogo com parlamentares para frear proposta que pode alterar andamento de processos

Supremo Tribunal Federal (STF) forma maioria para manter o valor do fundão eleitoral
Fachada do Supremo Tribunal Federal | Foto: Reprodução/STF

Movimentações recentes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm ocorrido nos bastidores do Congresso para tentar barrar o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o foro privilegiado. A informação é do jornal O Globo.

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A falta de consenso entre os partidos impediu a votação da medida na última quarta-feira, 27. Contudo, interlocutores do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), relataram que integrantes da Suprema Corte também atuaram intensamente contra a PEC.

Os ministros buscaram dialogar com deputados e líderes partidários. Eles disseram que a mudança representa um equívoco e mero casuísmo. Segundo eles, caso aprovada, a proposta transferiria processos que envolvem parlamentares para juízes de primeira instância, cenário que, na visão dos togados, poderia facilitar abusos judiciais em diferentes regiões do país.

Argumentos do STF e temores no Congresso

Fachada do Congresso Nacional, a sede das duas Casas do Poder Legislativo brasileiro, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal
Fachada do Congresso Nacional, a sede das duas Casas do Poder Legislativo brasileiro | Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

No Congresso, a possibilidade recebeu o nome de “risco Sergio Moro”, em referência ao ex-juiz federal que determinou prisões de dezenas de investigados na Operação Lava Jato. “Ninguém quer ficar na mão de um juiz que é inimigo seu”, afirmou uma fonte que acompanha as tratativas, ao jornal. “Nem os deputados querem isso, apesar de todos os defeitos e excessos do STF.”

Em resposta à resistência, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes do centrão discutem alternativas. Entre elas, a transferência do foro para tribunais regionais federais (TRFs) ou até para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), embora ainda haja divergências sobre o melhor destino para os processos.

Leia também: “A ditadura veste toga”, artigo de Silvio Navarro publicado na Edição 284 da Revista Oeste

O decano do STF, Gilmar Mendes, que mantém boa relação com o meio político, se destaca como um dos principais críticos das mudanças no foro. “Eu fico a imaginar uma busca e apreensão determinada na Câmara por um juiz de Cabrobó (CE) ou uma ordem de prisão contra o presidente do Senado ordenada por um juiz de Diamantino (MT), minha cidade”, disse o ministro. “Isso seria a subversão completa da nossa tradição e cultura jurídica.”

Para que uma PEC seja aprovada, é preciso reunir apoio de 308 deputados e 49 senadores, com votação em dois turnos em ambas as Casas. A proposta do foro já foi aprovada pelo Senado em 2017, durante o auge da Lava Jato, mas segue paralisada na Câmara.

6 comentários
  1. Maurilio
    Maurilio

    Só o STF está certo e todo o resto do mundo errado. O modelo brasileiro, que estende essa prerrogativa a uma grande quantidade de políticos e autoridades, é considerado inédito e o mais amplo do mundo.

  2. Sylvania Lúcia Alves e Silva
    Sylvania Lúcia Alves e Silva

    É um juíz de Cabrobó, do que um togado corrupto

  3. Ivan Sérgio de Paula lima
    Ivan Sérgio de Paula lima

    Ninguém quer ficar na mão de um juiz que é inimigo seu, afirmou uma fonte que acompanha as tratativas…
    Se é uma piada, conta outra!
    Hipócritas. Crápulas!!

  4. jose luiz Corte
    jose luiz Corte

    Isso não configuraria coação no curso do processo legislativo? Ou só vale contra os inimigos do STF?

  5. Ronaldo mesquita vieira
    Ronaldo mesquita vieira

    E melhor ter uma sentenca desfavoravel de um juiz de Diamantino,e ter onde recorrer do que ser sentenciado ou chantageado e nao ter a quem recorrer.

  6. Edson Pichelli
    Edson Pichelli

    Vai dar em pizza novamente. Como sempre o STF faz o que quer. E os congressistas patetas de quatro.

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