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Política

Relatório da CPI aponta elo do Master com o crime organizado

Texto revela que o banco teria atuado como 'conexão' para movimentações suspeitas que envolveram estruturas criminosas

O banqueiro Daniel Vorcaro teve o cabelo raspado durante estadia na penitenciária de Potim (SP) | Foto: Divulgação/SAP
Vorcaro também é acusado de promover festa com exploração sexual | Foto: Divulgação/Master

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado mostra indícios de que o Banco Master atuaria como uma “conexão” entre o sistema financeiro e as estruturas de lavagem de dinheiro ligadas ao crime organizado.

Segundo o documento, que será votado pelo colegiado nesta terça-feira,14, o Banco Master atuaria como um dos pontos centrais no financiamento do crime no país. O texto chama o caso de “um dos maiores escândalos financeiros recentes do Brasil”.

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O texto afirma que o banco utilizou mecanismos sofisticados para ocultar recursos ilícitos em suas movimentações financeiras.

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“No tocante ao caso Master, considerando-se a alta complexidade e escassez de meios, a opção foi por relatar os fatos identificados, que deverão ser objeto de CPI própria e já são objeto de investigações da Polícia Federal, no que se refere a crimes comuns”, diz o relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). “E fazer o indiciamento de autoridades pela prática de crimes de responsabilidade.”

O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, em meio a investigações sobre um suposto esquema de venda de títulos sem lastro.

Desde então, as revelações do caso passaram a mostrar indícios de conexões entre o proprietário da instituição, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, atualmente preso, e autoridades dos Três Poderes da República.

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, em foto feita em sua prisão | Foto: Divulgação/Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, em foto feita em sua prisão | Foto: Divulgação/Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo

Relatório da CPI aponta exploração sexual em festas de Vorcaro

O texto final da CPI também mostra indícios de exploração sexual em festas promovidas por Vorcaro. De acordo com o material, o banqueiro admitiu ter feito cerca de 300 eventos dessa natureza com autoridades.

“O próprio Vorcaro admitiu, em mensagens trocadas com sua então noiva, Martha Graeff, que as festas faziam parte de seu ‘business’”, diz trecho do relatório. “E que teria organizado cerca de 300 eventos desse tipo.”

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Esses indícios apareceram, pela primeira vez, por meio da CPMI do INSS, que teve acesso a dados do celular do banqueiro. No conteúdo estavam vídeos, mensagens e documentos que comprovam o recrutamento de mulheres estrangeiras para os eventos.

“A CPMI do INSS, que também apurou aspectos do caso, obteve acesso a aproximadamente 400 gigabytes de arquivos extraídos do celular e do armazenamento em nuvem de Vorcaro”, diz o texto. “Incluindo vídeos de teor íntimo, imagens de passaportes de mulheres estrangeiras — inclusive europeias — e registros de festas privadas em Brasília e em Trancoso.”

De acordo com o texto, “há, portanto, indícios de crimes relacionados a tráfico internacional de pessoas e exploração sexual, especialmente considerando as condições de recrutamento, transporte e hospedagem das mulheres envolvidas”.

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