A Polícia Federal (PF) apura se recursos desviados de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) financiaram despesas vinculadas a uma agência de viagens associada a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O jornal O Estado de S. Paulo divulgou as informações nesta quarta-feira, 18.
Os investigadores analisam movimentações que conectam o empresário Antonio Camilo Antunes, o Careca do INSS, a repasses feitos a pessoas próximas ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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O caminho do dinheiro surgiu a partir da quebra de sigilo bancário dos envolvidos. A análise identificou transferências do Careca do INSS para a empresária Roberta Luchsinger, seguida de pagamentos destinados a uma agência de viagens utilizada por Lulinha.
Segundo relatório da PF obtido pelo Estadão, os dados ainda têm caráter preliminar. Os investigadores buscam detalhar a extensão dos repasses, incluindo a quantidade de viagens e as datas dos deslocamentos eventualmente financiados.
A apuração revela que, no mesmo período em que Luchsinger recebeu pelo menos R$ 1,1 milhão do Careca do INSS, ela destinou cerca de R$ 640 mil a uma agência de viagens. De acordo com a PF, essa empresa aparece vinculada ao cadastro de Lulinha no sistema de tráfego aéreo, o que indica a emissão de passagens associadas ao seu nome.
PF indica suspeita de repasses indiretos a Lulinha
Os investigadores consideram que a movimentação financeira reforça o depoimento de Edson Claro, ex-funcionário de Careca. Ele afirmou ter ouvido que o empresário custeava despesas de Lulinha, incluindo viagens.
Apesar disso, a quebra de sigilo bancário de Lulinha não revelou pagamentos diretos do investigado. A suspeita da PF é que eventuais repasses tenham ocorrido de forma indireta, por meio de terceiros.
O relatório também menciona o empresário Daniel Peluso, responsável pela agência Vulcano Viagens. Segundo os dados financeiros, ele recebeu valores provenientes da empresa de Luchsinger, a RL Consultoria.
“Nos dados contidos no RIF, DANIEL foi beneficiário da quantia de R$ 641.640,00 provenientes da empresa de ROBERTA, a RL CONSULTORIA, sendo mister que durante depoimento, EDSON CLARO afirmou que as despesas de viagem de ROBERTA e LULINHA seriam pagos por ANTONIO CAMILO ANTUNES, portanto, contraparte de alto interesse investigativo”, diz trecho do relatório.
A defesa de Lulinha afirma que não há relação direta nem indireta com os fatos investigados. Os advogados sustentam que a agência de viagens atende a empresária e sua família e classificam as conclusões da PF como tentativa indevida de incriminação.
+ Leia também: “Defesa alega que empresa de Lulinha na Espanha é regular, mas não opera”
Já a defesa de Luchsinger afirma que a Vulcano Viagens é sua agência habitual e considera natural que passagens possam ter sido emitidas para terceiros. A defesa de Antônio Camilo Antunes não se manifestou.
Em petição ao Supremo Tribunal Federal (STF), Roberta já reconheceu que manteve tratativas comerciais com Careca para um projeto de canabidiol medicinal no Brasil, que não avançou. A defesa afirma que essas conversas ocorreram antes da revelação do esquema de desvios no INSS.
Mensagens citam transferência destinada ao “filho do rapaz”
A investigação também considera a possibilidade de que outras viagens tenham sido custeadas com recursos do esquema. A PF analisa se pagamentos ocorreram de forma indireta por meio de Luchsinger.
Em um dos pontos da apuração, os investigadores citam diálogos nos quais Careca orienta um funcionário a realizar transferências para a empresa de Luchsinger. Em uma dessas mensagens, o destino do valor seria “o filho do rapaz”.
Lulinha mudou-se para Madri em 2025 com a família. Relatórios da PF mencionam a hipótese de que a mudança possa ter relação com as investigações, embora essa análise ainda esteja em curso.





































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