O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), admitiu que o Brasil precisa “cooperar com os Estados Unidos” para rastrear as finanças e o arsenal das facções criminosas brasileiras. A retórica de alinhamento com Washington colide com a postura inicial do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que abriu uma crise diplomática com a Casa Branca para rejeitar o enquadramento de quadrilhas nacionais na lei de terrorismo norte-americana.
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As declarações de Haddad ocorrem cerca de uma semana depois de o governo federal emitir notas oficiais para criticar a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump. A gestão norte-americana classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.
Lula disse que facções “não são os terroristas que o Trump quer”
Em discurso proferido em Sergipe, Lula minimizou o alcance internacional das máfias brasileiras e declarou que os criminosos locais devem ser combatidos exclusivamente dentro do território nacional. “Eles não são o terrorista que o Trump quer”, disse o presidente. “O Trump quer um Osama Bin Laden.”
O chefe do Executivo criticou as exigências da Casa Branca e cobrou que o governo estrangeiro deporte o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem e o empresário Ricardo Magro. O presidente alegou que os Estados Unidos toleram a lavagem de dinheiro em paraísos fiscais domésticos, como o Estado de Delaware.
A reação do Planalto ignorou a capilaridade internacional do PCC e do CV, que comandam o envio de toneladas de cocaína para a Europa e controlam rotas de armas nas Américas. A decisão de Donald Trump de asfixiar as finanças das facções atendeu a uma articulação direta da oposição brasileira no exterior, liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
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