publicidade
Política

OAB-RJ repudia 'intolerância religiosa' de escola de samba que homenageou Lula

Ordem afirma que apresentação pode ter ferido garantias constitucionais e tratados internacionais

Ala da Acadêmicos de Niterói acusada por entidades e opositores a Lula de praticar intolerância religiosa | Foto: Reprodução/Redes sociais
Ala da Acadêmicos de Niterói acusada por entidades e opositores a Lula de praticar intolerância religiosa | Foto: Reprodução/Redes sociais

A Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro (OAB-RJ), emitiu nota nesta terça-feira, 17, em que classificou como um episódio de intolerância religiosa a apresentação da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula da Silva no último domingo, 15.

Em seu site, a entidade afirmou que a liberdade religiosa é um direito fundamental e um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Segundo o posicionamento, essa garantia está prevista tanto na Constituição Federal quanto em tratados internacionais assinados pelo Brasil.

Receba nossas atualizações

OAB: discriminação e afronta à ordem constitucional

A OAB-RJ declarou que qualquer conduta que represente intolerância ou discriminação religiosa configura afronta direta à ordem constitucional e aos compromissos assumidos pelo país no campo dos direitos humanos. Para a instituição, manifestações desse tipo merecem atenção e debate público.

O posicionamento ocorreu depois de escola levar para a Marquês de Sapucaí uma ala que retratava “neoconservadores em conserva”. A encenação apresentava um grupo descrito como opositor do presidente, associado à defesa de valores ligados à família tradicional.

Leia também: “Acadêmicos do Caô”, artigo de Guilherme Fiuza publicado na Edição 309 da Revista Oeste

De acordo com a justificativa oficial da escola, a fantasia incluía uma grande lata de conserva e fazia referência a um modelo de família formado por homem, mulher e filhos. A proposta, segundo os organizadores, representava simbolicamente um grupo que se opõe a pautas defendidas pelo governo federal.

A apresentação gerou reação de parlamentares contrários ao presidente, que acionaram a Procuradoria-Geral da República. Na avaliação deles, houve ridicularização pública de um grupo religioso em uma exibição transmitida em rede nacional e internacional. Em um evento com milhares de pessoas em Brasília, a senadora Damares Alves (Republicanos/DF) abordou a postura da escola.

Para os oposicionistas, a encenação teria ultrapassado o limite da manifestação artística e poderia configurar crime. O caso passou a ser discutido no campo jurídico e político, ampliando a controvérsia em torno do desfile. Até o momento, a escola de samba sustenta que a apresentação teve caráter simbólico e crítico, dentro da proposta temática desenvolvida para o Carnaval deste ano.

Leia a nota na íntegra

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Estado do Rio de Janeiro (OABRJ), por intermédio da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIRE) e da Comissão Especial de Advogados Cristãos – (CEADC) no exercício de suas atribuições institucionais e em estrita observância ao disposto no art. 5º, inciso VI, da Constituição da República Federativa do Brasil, que assegura a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, vem a público manifestar sua mais veemente reprovação ao episódio ocorrido na Marquês de Sapucaí, durante a apresentação da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, cuja exibição, transmitida ao vivo, configurou prática de preconceito religioso dirigido aos Cristãos.

A liberdade religiosa, consagrada como direito fundamental, constitui pilar essencial do Estado Democrático de Direito e encontra proteção não apenas na Constituição Federal, mas também em tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário, como o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (art. 18). Qualquer conduta que implique intolerância ou discriminação religiosa representa afronta direta à ordem constitucional e aos compromissos internacionais assumidos pelo país.

A OAB/RJ a CCIRE e a CEADC reafirmam, por fim, seu compromisso intransigente com a defesa da liberdade religiosa, com a promoção da convivência pacífica e respeitosa entre os diversos credos e com o combate firme e permanente a toda forma de intolerância e discriminação.

+ Leia mais notícias de Política na Oeste

3 comentários
  1. Elias
    Elias

    Pessoal da direita está sempre entrando na do LULA…Ao invés de questionarem a propaganda antecipada, perdem tempo com ervilha, lata de conserva e demais bobagens…Essa tática de colocar um bode na sala já é velha!!! Desviaram o foco da indignação para uma lata de ervilha!!!
    São muito burro!!!
    O STF faz isso, o executivo faz isso enquanto os paspalhos ficam falando sobre liberdade de expressão…E QUEM VAI TRATAR DO ASSUNTO COMO ELE MERECE SER TRATADO???
    Tem que ter coragem para encarar o problema da possível ineligibilidade do lula com seriedade devido ã antecipação vergonhosa de campanha politica!!!!!

  2. RODRIGO DE SOUZA COSTA
    RODRIGO DE SOUZA COSTA

    OAB emitindo sinais de vida inteligente, Ainda pode recuperar….

  3. CARLOS GUEDES
    CARLOS GUEDES

    INACREDITAVEL!!! Esses calhordas das OABs de todo o Brasil (inclusive a carioca) mantém um silêncio absoluto e absurdo sobre as mazelas e o estupro diário da Constituição por parte do Judiciário. Mas a OAB carioca tem tempo para se preocupar com a intolerância religiosa.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.