O Movimento Brasil Livre (MBL) anunciou a expulsão do vereador Sandro Filho (PP), de Salvador, depois de um procedimento interno de apuração que identificou indícios considerados incompatíveis com os princípios éticos da organização. A decisão foi confirmada pelo coordenador nacional do grupo, Renan Santos, em uma transmissão ao vivo, e oficializada em nota nesta terça-feira, 11.
De acordo com o dirigente, a apuração foi conduzida pelo setor de compliance do movimento e começou com o surgimento de informações sobre suposta mudança no padrão de vida do vereador. “Estávamos sabendo há pelo menos uma semana, talvez um pouco mais, que alguns fatos estranhos sobre o vereador Sandro Filho viriam à tona”, afirmou.
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O coordenador explicou que as primeiras denúncias diziam respeito a um suposto cargo de R$ 20 mil ocupado pela mulher de Sandro em uma empresa terceirizada da Prefeitura de Salvador. O parlamentar, contudo, negou as informações e exibiu um comprovante da carteira de trabalho digital da mulher, sem vínculos empregatícios. Em vídeo publicado em suas redes sociais, o vereador declarou: “A gente tem aqui a carteira de trabalho da minha esposa […] não há contrato de trabalho digital nas bases de dados integradas”.
A mulher de Sandro também se pronunciou. “Acho que já provei aqui para vocês que não sou empregada nem no público, nem no privado, sou estudante”, disse. Ela acrescentou que estava adotando medidas judiciais: “Já estou tomando as medidas cabíveis na Justiça contra aqueles que me difamaram”.
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Sandro Filho passou por apuração interna
A partir disso, o MBL decidiu verificar se a jovem mantinha algum tipo de atividade empresarial. “A esposa do Sandro, que é muito nova, deve ter seus 19, 20, 21 anos de idade […] não é mais apenas uma estudante, agora ela é uma empresária”, afirmou. “Ela abriu um CNPJ de um bar, a Casa Beer Music Bar.”
Além dela, a empresa tem como sócio João Paulo Andrade Lisboa de Brito, ex-chefe de gabinete de dois ex-vereadores de Salvador: Sandro Bahiense e Vado Malassombrado. Segundo Renan, ambos foram investigados por compra de votos e prática de “rachadinha”. “Curiosamente, a esposa do Sandro virou sócia de um cara que trabalhou para dois vereadores da antiga base governista”, disse.
O dirigente destacou que Brito é conhecido na Câmara de Vereadores de Salvador pelo apelido de “Agiota” e já teria aberto outros bares com políticos locais. “Lavar dinheiro com restaurante ou bar é uma coisa muito comum na política da Bahia”, afirmou durante a transmissão. Apesar das observações, Renan insistiu em que o movimento não tinha provas de crime. “Não tenho como provar que o Sandro recebeu dinheiro roubado, não vou ser leviano nem com ele, nem com a esposa dele, não sou o Ministério Público.”
O coordenador informou que a apuração interna contou com a colaboração do próprio vereador. “O Sandro colaborou, inclusive abrindo as contas dele”, disse. A equipe de compliance teria analisado documentos e depoimentos e concluído que não havia provas conclusivas de ilicitude, mas “indícios suficientes” para a expulsão. A nota oficial do movimento, lida por Renan, afirma que a análise das movimentações financeiras “indicou gastos incompatíveis com a remuneração do cargo público”.
Renan também afirmou que Sandro e sua mulher negaram irregularidades e alegaram que o negócio foi criado de forma legítima. “Ele disse para nós que ele vai poder provar na Justiça que ele não recebeu dinheiro nenhum”, declarou o dirigente. Em outro trecho, acrescentou: “Uma pessoa que faz parte do Movimento Brasil Livre não pode ser sócia de um sujeito desses […] não é conveniente, não serve para a gente”.
Reações e desdobramentos
Depois da decisão, o MBL divulgou nota em que informa que o desligamento do vereador foi definitivo. “Foi deliberada a expulsão definitiva do vereador Sandro Filho”, diz o texto. O documento afirma ainda que o movimento tomou a medida “em observância aos valores éticos e morais que norteiam o MBL”.
Em resposta, Sandro publicou nota pública na qual afirmou ser vítima de “articulação de pessoas ruins” e negou as acusações. Ele declarou que respeita a decisão do MBL, mas garantiu estar com a “consciência limpa” e afirmou que as denúncias têm como objetivo “manchar sua imagem”. O vereador acrescentou: “O sistema é sujo e coloca até os seus contra você”.
O caso também levou à saída de Andrei Castro, então chefe de gabinete de Sandro, que divulgou vídeo para anunciar seu pedido de exoneração. Ele afirmou que deixou o cargo por “discordâncias ideológicas” com Sandro e “discordâncias da condução da gestão financeira do gabinete”.
Durante sua fala, Renan disse que lamentava o episódio e que o movimento precisaria “refazer o núcleo do MBL na Bahia”. Ele concluiu: “Não podemos nos tornar aquilo que criticamos e não podemos deixar com que a vida mansa, a vida calma do cargo transforme as pessoas que chegaram lá através da esperança depositada por outras pessoas”.
Até o momento, o vereador mantém o mandato e segue filiado ao Partido Progressistas (PP). Não há registro de investigação judicial relacionada ao caso.
Leia também: “Partido representa?”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 223 da Revista Oeste









































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