Pagamentos milionários do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a ex-dirigentes do Banco Central (BC) emergem como um dos pontos mais sensíveis das investigações do escândalo e vieram à luz durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. O colegiado chegou ao fim na terça-feira 14, sem a aprovação do relatório.
Dados do Imposto de Renda de 2022 a 2025 do Master enviados à CPI e obtidos por Oeste revelam que, no centro dessas movimentações, estão repasses que somam ao menos R$ 38,7 milhões destinados a nomes com passagem pela cúpula da autoridade monetária.
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Entre os valores mapeados, Belline Santana, ex-chefe do departamento de supervisão Bancária do Banco Central com atuação em funções técnicas ligadas ao sistema financeiro, aparece nos registros como destinatário de R$ 4 milhões pagos por Vorcaro.

Já Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC, responsável por áreas ligadas à regulação e ao mercado financeiro, figura com recebimento de R$ 8 milhões, o maior montante da lista.
Outro ex-chefe do departamento de regulação do BC, João André Calvino Marcos Pereira, que integrou quadros técnicos com interface com o sistema bancário e operações supervisionadas, surge vinculado ao pagamento de R$ 3 milhões.
No mesmo caminho, Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e nome conhecido na condução da política monetária nos anos de 1990, aparece na folha de pagamento do Master com um montante de R$ 5,1 milhões.

Presidente do Banco Central de 1993 e 1995, Pedro Malan também aparece no material analisado pela CPI do Crime Organizado. Atualmente com atuação como consultor na Mirza e Malan Sociedade de Advogados, ele estaria ligado a uma estrutura que foi contratada pelo Master.
Outro nome identificado nos dados é o de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda no governo de Michel Temer. Segundo os registros obtidos pela CPI, ele aparece associado a R$ 18,5 milhões, um dos maiores valores mapeados no conjunto de movimentações financeiras analisadas pela comissão.
Pagamentos no relatório derrubado pelo governo Lula na CPI
De acordo o relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), esses pagamentos integravam um dos eixos mais delicados da investigação: a identificação de fluxos financeiros que conectam operadores do sistema bancário a figuras com histórico em posições estratégicas de regulação.
O material foi reunido a partir de dados encaminhados por órgãos de controle e incluía planilhas, registros de transferências e análises de movimentações consideradas atípicas.
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A avaliação de integrantes da CPI era de que esses repasses poderiam indicar uma rede com alto grau de sofisticação, capaz de alcançar não apenas operadores de mercado, mas também quadros com trânsito institucional relevante.
Apesar do avanço das apurações, o relatório final acabou rejeitado por 6 votos a 4, depois da articulação da base governista. Pouco antes da votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), determinou mudanças na composição da comissão, ampliando a presença de parlamentares alinhados ao governo.
O presidente da CPI do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), se posicionou contra o texto, embora não tenha votado. Assim, o documento não foi aprovado, e as conclusões da comissão deixaram de ter validade formal.

Assim como ocorreu na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social, o encerramento sem relatório aprovado interrompeu o encaminhamento institucional de uma série de achados — incluindo o capítulo que tratava justamente dos pagamentos a ex-dirigentes do BC.
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Nos bastidores, parlamentares ouvidos por Oeste afirmam que esse eixo da investigação buscava demonstrar que a rede formada pelo Master ultrapassava operadores periféricos, alcançando níveis mais altos do sistema financeiro.
A presença de ex-integrantes do Banco Central nas planilhas reforçou, segundo os congressistas ouvidos por Oeste, a necessidade de aprofundar a análise sobre a natureza dos vínculos que justificariam os repasses. No entanto, sem a aprovação do relatório final, as conclusões permanecem sem respostas.
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