publicidade
Política

Investigação mostra como Vorcaro desviava dinheiro do Master para familiares

Documentos do inquérito detalham de que forma a instituição serviu para beneficiar o ex-banqueiro.

Daniel Vorcaro, do Banco Master: sem dinheiro para ressarcimento | Foto: Divulgação/Master
A Polícia Federal (PF) prendeu Vorcaro na última quarta-feira, 4, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero | Foto: Divulgação/Master

O esquema que teria permitido a transferência de grandes somas do Banco Master para integrantes da família do ex-banqueiro Daniel Vorcaro veio à tona em meio a investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF). Documentos do inquérito detalham como a instituição, liquidada pelo Banco Central em novembro, serviu para beneficiar Vorcaro, parentes e sócios. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Receba nossas atualizações

Entre os alvos das investigações está uma conta bancária atribuída a Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, cujo saldo ultrapassa R$ 2 bilhões. A informação surgiu depois da decisão judicial que embasou as ações da PF na quarta-feira 4. Vorcaro, detido em novembro, voltou a ser preso neste mês. 

Segundo a Folha, a defesa de Henrique afirmou ser “incorretas as informações divulgadas no sentido de que a conta mencionada na decisão do STF seja de sua titularidade”. Além do pai, a irmã Natalia, o primo Felipe e três familiares de João Carlos Mansur, proprietário da administradora Reag, também aparecem entre os favorecidos pelos desvios. 

Operação dos desvios e métodos utilizados por Vorcaro

Segundo a PF, o desvio de recursos partia da venda de CDBs, empréstimos simulados a empresas de fachada e da movimentação em fundos de investimento. O dinheiro captado, com rentabilidade acima do mercado, era redirecionado para fundos em que o Master era o único investidor. Esses fundos, então, repassavam valores a companhias ligadas ao círculo de Vorcaro e seus sócios, o que caracteriza empréstimos sem lastro real.

O inquérito mostra que, de R$ 3,5 bilhões investidos pelo banco nesses fundos, quase R$ 2 bilhões foram destinados a empresas vinculadas aos próprios sócios. Um exemplo é a Clínica Mais Médico, que recebeu R$ 361 milhões. Segundo a Folha, a administração da clínica estava sob o controle de laranjas ligados à família Vorcaro.

Outro método envolvia a aplicação dos fundos em CDBs do próprio banco. Depois de transitarem por diversas empresas, os recursos retornavam ao Master e eram gradualmente resgatados, chegando até os beneficiários. Parte desse dinheiro era transferida para uma empresa controlada por Vorcaro, a Super Empreendimentos e Participações.

Conclusões da investigação e implicações legais

A investigação concluiu que “a extensão e a complexidade destas cadeias de transações apresentam indícios de que as operações foram estruturadas mediante a participação coordenada do Banco Master e da Reag DTVM”. O objetivo, segundo o relatório da PF, era “desviar recursos do conglomerado Master para outros veículos com destinação alheia aos interesses da instituição”.

Leia mais: “Sem saída”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 309 da Revista Oeste

O processo também envolveu a valorização artificial dos ativos do banco. Conforme o inquérito, foram usadas brechas do mercado e da regulação para inflar bens e aplicações.

Leia também:

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.