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Investigações revelam como Vorcaro teria desviado recursos do Master para familiares

PF destaca uso de fundos, CDBs e empresas controladas por aliados para retirar dinheiro da instituição financeira antes de sua liquidação

Fachada do Banco Master na Rua Elvira Ferraz, no bairro paulistano do Itaim Bibi — São Paulo (SP), 19/11/2025 | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
As investigações também indicaram outro mecanismo utilizado para sustentar o funcionamento do sistema: a valorização artificial de ativos ligados ao banco | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Relatórios da Polícia Federal (PF) descrevem um circuito financeiro que teria direcionado bilhões captados pelo Banco Master para empresas e pessoas ligadas a Daniel Vorcaro. Segundo os investigadores, a estrutura utilizava fundos de investimento e operações de crédito para deslocar recursos da instituição para o círculo do empresário. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

O esquema começava com a captação de dinheiro junto a investidores. O banco oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) em plataformas voltadas ao público de varejo, com promessas de rendimento superiores às praticadas por outras instituições financeiras.

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Esse modelo se tornou a principal fonte de recursos do conglomerado Master. De acordo com a investigação, a emissão desses títulos atraiu mais de R$ 50 bilhões.

Depois da captação, o dinheiro seguia para fundos de crédito que tinham como único cotista o próprio banco. Dentro dessas estruturas, os valores eram utilizados para conceder empréstimos a empresas.

Para os investigadores, muitas dessas operações não tinham finalidade econômica real. Em vez de financiar atividades produtivas, os recursos terminavam em companhias relacionadas a Vorcaro, familiares e parceiros comerciais.

A análise da PF indica que parte relevante desse dinheiro circulava por diversas estruturas intermediárias antes de alcançar seus destinatários finais.

Os relatórios revelam que, dos mais de R$ 3,5 bilhões aplicados pelo banco em fundos nos quais ele próprio era o único investidor, cerca de R$ 1,8 bilhão acabou direcionado a empresas associadas aos próprios sócios da instituição.

Circuito financeiro fazia dinheiro sair e voltar ao Master

As apurações também identificaram operações que ampliavam a circulação interna de recursos dentro da própria estrutura financeira.

Em alguns casos, os fundos que recebiam dinheiro do banco aplicavam parte desses valores em CDBs emitidos pela própria instituição. O movimento criava um circuito em que o capital saía do banco e retornava a ele por meio dos títulos.

Com o tempo, esses papéis eram resgatados gradualmente pelos fundos. Esse processo permitia que os recursos voltassem a circular até chegar a empresas e pessoas ligadas ao empresário. Parte das transferências terminava em contas mantidas no próprio Master.

Inflação artificial de ativos do banco

As investigações também indicaram outro mecanismo utilizado para sustentar o funcionamento do sistema: a valorização artificial de ativos ligados ao banco.

De acordo com os relatórios policiais, o grupo teria explorado fragilidades do mercado de capitais e do sistema de supervisão financeira. A estratégia envolvia a circulação de ativos de baixa liquidez entre fundos relacionados, com valores inflados.

Parte dessas operações envolvia certificados de ações do antigo Banco do Estado de Santa Catarina, instituição já extinta.

Fundos ligados ao Master compravam esses papéis, considerados praticamente sem valor, e elevavam seu preço por meio de negociações internas. Como esses fundos pertenciam à própria estrutura do banco, a valorização artificial aumentava o volume de ativos registrados pela instituição.

PF identifica familiares entre destinatários de recursos

De acordo com a PF, entre os possíveis beneficiários das operações aparecem familiares de Vorcaro e pessoas ligadas a parceiros de negócios.

Um dos elementos mencionados nos autos envolve uma conta atribuída a Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro. Segundo a investigação, o saldo ultrapassaria R$ 2,2 bilhões.

+ Leia também: “Alexandre de Moraes trocou número de celular pouco antes de escândalo com Vorcaro”

A defesa de Henrique contestou essa informação. Os advogados afirmaram que são “incorretas” as notícias de que a conta citada na decisão judicial pertença a ele.

Os investigadores ainda destacam como possíveis destinatários de recursos Natalia Vorcaro, irmã do empresário, o primo Felipe Vorcaro e três parentes de João Carlos Mansur, controlador da gestora Reag.

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