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Política

Governo Lula continua com perfis no X, diante do flop do Bluesky

Integrantes da gestão petista chamavam a plataforma de 'rede de resistência' quando Moraes mandou derrubar o site de Elon Musk no Brasil

Logos do Bluesky e X exibidos em smartphones
Dos 38 ministros de Lula, apenas nove não têm conta ativa no X | Foto: Shutterstock/Mojahid Mottakin

O X permanece como a rede social mais usada entre os integrantes do primeiro escalão do governo federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e 29 ministros mantêm perfis ativos na plataforma comandado por Elon Musk, enquanto o Threads, da Meta, aparece em segundo lugar, com 24 ministros presentes. As informações são do portal Poder360.

O Bluesky, concebido por Jack Dorsey, cofundador do antigo Twitter, não conseguiu se firmar entre governistas, apesar de ter sido chamada de “rede de resistência à tirania de Musk” durante o bloqueio do X no Brasil, em agosto de 2024, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

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Apesar de uma migração temporária para o Bluesky durante o bloqueio do X, Lula e a maioria dos ministros retomaram as atividades na rede social de Musk diante do restabelecimento da plataforma no país, em outubro de 2024. A primeira-dama Janja é exceção. Ela não voltou a publicar no X desde que declarou “fuck you, Elon Musk”, enquanto o site ainda estava fora do ar.

Janja, em evento paralelo ao G20, xinga Elon Musk
Janja, em evento paralelo ao G20, xinga Elon Musk, no Rio de Janeiro. Imagem divulgada no canal oficial do governo (16/11/2024) | Foto: Reprodução/YouTube

O levantamento do Poder360 considerou apenas as redes de microblogging, portanto excluiu Facebook e Instagram. Perfis foram considerados ativos se atualizados nos 30 dias anteriores à checagem, realizada na última terça-feira, 9.

Entre os 38 ministros do governo Lula, apenas nove não mantêm contas ativas no X. São eles:

  • André de Paula (Pesca);
  • Frederico Siqueira (Comunicações);
  • General Amaro (GSI);
  • José Múcio (Defesa);
  • Marina Silva (Meio Ambiente);
  • Mauro Vieira (Relações Exteriores);
  • Ricardo Lewandowski (Justiça);
  • Sidônio Palmeira (Secom);
  • Wolney Queiroz (Previdência).

“O X ainda é uma rede em que faz sentido ter discussão — no Bluesky isso também funcionaria, mas não teve adesão —, o que acaba favorecendo esse tipo de atuação para políticos”, avalia o diretor técnico da agência Bites, André Eler. “Se você quer falar com o público, mesmo o muito interessado em política, faz mais sentido falar no X.”

Governo Lula continua com perfis no X, diante do 'flop' do Bluesky
Foto: Reprodução/Poder360

Embora políticos também utilizem Instagram e Facebook, essas plataformas não valorizam o debate como o X, destacou Eler. A pesquisa do Poder360 analisou ainda a presença digital de líderes dos Poderes. Com exceção de Edson Fachin, presidente do STF, todos possuem perfis ativos no X.

Entre os perfis analisados estão Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Hugo Motta (Republicanos-PB), Randolfe Rodrigues (PT-AP), José Guimarães (PT-CE), Jaques Wagner (PT-BA), Lindbergh Farias (PT-RJ), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

X também é o favorito de líderes globais

No cenário internacional, o X também predomina. Chefes de Estado, como Emmanuel Macron, da França, e Javier Milei, da Argentina, usam a plataforma para anúncios oficiais. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, é uma exceção, pois prioriza sua própria rede, Truth Social, desde que havia sido banido do antigo Twitter. Ele teve sua conta restabelecida por Elon Musk.

Governo Lula continua com perfis no X, diante do 'flop' do Bluesky
Foto: Reprodução/Poder360

O X também continua sendo palco para comunicações de grande impacto. Em julho de 2024, Joe Biden, então presidente dos Estados Unidos, anunciou primeiro no X sua decisão de não concorrer à reeleição. Ele levou três dias para detalhar a decisão em outro formato público.

Outros eventos globais também tiveram como palco inicial o X: a morte de Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, foi revelada por um oficial israelense na rede em setembro de 2024, durante o bloqueio da plataforma no Brasil, o que retardou o acesso à informação no país. O Exército de Israel também utilizou o X para anunciar a ofensiva terrestre no sul do Líbano em 30 de setembro, além de divulgar dados pelo Telegram, em que o canal soma 142 mil inscritos, sem estimativa de seguidores brasileiros.

O exílio do líder opositor venezuelano Edmundo González foi comunicado pelo ministro espanhol José Manuel Alvarez e pela opositora María Corina, ambos no X, depois da chegada de González à Espanha em 8 de setembro.

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