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Política

Ex-dono de fundo ligado ao Master negocia delação

João Carlos Mansur, que comandou a Reag, vai discutir colaboração no âmbito de investigação que apura infiltração do PCC no sistema financeiro

João Carlos Mansur Reag Operação Carbono Oculto
João Carlos Mansur depôs na CPI do Crime Organizado | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, negocia um acordo de delação premiada, depois de se tornar alvo de apurações sobre possíveis irregularidades no sistema financeiro. A Reag foi liquidada no ano passado e mantinha operações financeiras investigadas com o Banco Master.

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As tratativas para a delação de Mansur, relata o jornal Folha de S.Paulo, começaram no fim do ano passado, quando ele procurou o Ministério Público de São Paulo (MPSP) para discutir uma colaboração no âmbito da Operação Carbono Oculto. A investigação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema financeiro.

Mansur já havia entrado no radar das autoridades em agosto do ano passado, quando a gestora foi alvo de buscas. Com o avanço das apurações sobre o Master, seu nome também passou a aparecer em investigações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.

A defesa do empresário é conduzida pelo advogado José Luís Oliveira Lima. Conhecido como Juca, ele também foi contratado recentemente por Vorcaro, ex-dono do Master, para negociar um possível acordo de colaboração. Nos bastidores, investigadores consideram possível uma estratégia coordenada de delação, a ser tratada com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal. Caso as versões apresentadas sejam compatíveis, cada investigado assinaria seu próprio acordo.

A Operação Carbono Oculto investiga suspeitas de fraude, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro que envolvem postos de combustíveis ligados a recursos do PCC. Segundo investigadores, fundos administrados pela Reag teriam sido usados para dar aparência legal a valores de origem criminosa e ocultar os verdadeiros beneficiários.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais mostravam que a gestora administrava cerca de R$ 352 bilhões em novembro do ano passado.

Negociações para delação ligada ao caso Master

As negociações de colaboração começaram antes da primeira prisão de Vorcaro, em novembro. A defesa de Mansur chegou a apresentar propostas ao Ministério Público Federal e ao MPSP; as conversas na esfera estadual ainda não foram concluídas. Esse formato sugere, em princípio, a ausência de autoridades com foro privilegiado federal entre os possíveis citados.

A Reag figurava entre as maiores gestoras independentes do país. Mansur deixou a presidência do conselho de administração em setembro de 2025. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado no Senado, ele negou irregularidades e afirmou que a empresa mantinha um sistema robusto de compliance.

“Não temos nenhuma ligação [com o PCC], como o nosso advogado acabou de colocar”, afirmou Mansur no depoimento, no dia 11. “No procedimento da Carbono Oculto [da Polícia Federal], em 15 mil páginas, não existe nenhuma menção à associação com o PCC ou com o crime organizado.”

Em janeiro deste ano, o empresário voltou a ser alvo de buscas na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga fundos supostamente usados para inflar artificialmente o patrimônio do Master. O caso tramita sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.

Pouco depois dessa etapa da investigação, o Banco Central (BC) decretou a liquidação da Reag por comprometimento de sua situação econômico-financeira e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

Relatório do BC encaminhado ao Tribunal de Contas da União também revelou indícios de irregularidades em operações realizadas pelo Master com fundos administrados pela Reag Trust, citando cerca de R$ 11,5 bilhões em transações consideradas suspeitas.

Leia também: “Anatomia de uma fraude”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 301 da Revista Oeste

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