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Política

Esquerda teme o voto de Zanin no marco temporal das terras indígenas

Ex-advogado de Lula votou contra pautas 'progressistas'

Zanin Marco temporal
O ministro Cristiano Zanin tomou posse há menos de 1 mês e já incomoda a esquerda | Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

Depois que o recém-empossado ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), contrariou algumas pautas progressistas, como o voto desfavorável à liberação das drogas, a esquerda teme que o ex-advogado de Lula também decepcione no caso do marco temporal das terras indígenas.

O julgamento será retomado na quarta-feira 30 e até agora tem apenas um voto favorável: o de Nunes Marques, que considera a data da promulgação da Constituição de 1988 o marco até o qual áreas podem ser reivindicadas como propriedade dos indígenas. A partir de 5 de outubro de 1988, os indígenas devem comprovar que a terra estava ocupada naquela data.

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+ Zanin vota contra descriminalização do porte de maconha

O relator, Edson Fachin, e Alexandre de Moraes votaram contra o marco temporal, tese que até prevaleceu, até mesmo no Supremo, quando julgou, em 2013, o caso da Terra Indígena Raposa do Sol, em Roraima.

De acordo com a coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, aliados de Lula já teriam procurado a primeira-dama Janja da Silva para pedir que o presidente “enquadre” seu último indicado à Suprema Corte.

+ Mulher de Zanin atua em 14 processos no STF

A coluna cita trocas de mensagens entre servidores do Planalto sobre as decisões de Zanin. Nesses grupos, os votos do ministro foram considerados “desastrosos” e “terríveis”. Um dos membros desse grupo, que faz parte do segundo escalão do governo, diz que “está forte a pressão sobre a Janja para convencer Lula a não repetir o erro”.

A mensagem se refere à segunda vaga no STF que se abrirá em outubro, a aposentadoria de Rosa Weber.

As recentes decisões de Zanin e os indígenas

Placar da descriminalização da maconha para uso pessoal está em 5 a 1 no STF; único voto contrário até agora foi de Zanin | Foto Carlos Moura/SCO/STF

Além do voto contrário à liberação das drogas, estão, entre as decisões de Zanin criticadas pela esquerda, o voto contra a equiparação de ofensas contra a população LGBT à injúria racial. A Constituição permite a criação de crimes apenas por lei e jamais por decisão judicial. Zanin foi o único a votar contrariamente.

Na 1ª Turma, ele também votou contra a aplicação do princípio da insignificância para absolver um homem do crime de furto. O réu havia subtraído objetos no valor de R$ 100.

+ Contra liberação do porte de maconha, Zanin recebe críticas da esquerda e vira ‘grata surpresa’

Já no sábado 26, Zanin votou contra a tese de violência policial contra os povos guarani e kaiowá no Mato Grosso do Sul. Ele acompanhou o voto do relator, Gilmar Mendes. Também votaram dessa forma Nunes Marques e André Mendonça.

A tese, no entanto, foi derrotada pelo grupo formado por Rosa Weber, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Dias Toffoli. Esse voto contrário de Zanin a um processo envolvendo indígenas fez o receio da esquerda aumentar sobre a posição dele no marco temporal.

Nesse processo cujo julgamento se encerrou no sábado, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) pediu o Estado do Mato Grosso do Sul fosse obrigado a elaborar e encaminhar ao STF um plano visando ao controle de supostas violações de direitos humanos dos povos indígenas pelas forças de segurança.

Petistas evitaram criticar publicamente o escolhido de Lula. Já apoiadores e aliados de outro partido, especialmente do Psol, foram às redes sociais reclamar do “ultraconservador” Zanin.

+ CNA vê cenário de insegurança jurídica se STF acabar com marco temporal

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