Na manhã da quinta-feira 25, o vereador Senival Moura, do PT de São Paulo, foi preso durante a Operação Última Parada, deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público paulistano. Além do político, foram alvos dos cinco mandados de prisão integrantes da facção e o presidente da empresa Transunião, que só em 2025 recebeu mais de R$ 300 milhões dos cofres da prefeitura. A Justiça determinou o sequestro de R$ 194 milhões em contas bancárias, 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. Segundo as investigações, o vereador era uma das figuras centrais do esquema.
A notícia merecia destaque e foco exclusivo. Mas não obteve — soterrada, durante boa parte do dia, pela repercussão do vídeo de Michelle Bolsonaro expondo sua briga com Flávio, numa crise doméstica do bolsonarismo que acabou funcionando como cortina de fumaça involuntária sobre algo de natureza bem mais grave: um mandatário eleito pelo partido do presidente da República preso como elo central da lavagem de dinheiro da maior organização criminosa do país, aquela mesma que o mandatário brasileiro fez um pesado lobby internacional para proteger da classificação de “terrorista”.
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A coincidência é irritante. A direita se devora em público enquanto o PT colhe mais um fruto do diálogo que, há sete anos, um tesoureiro do PCC descreveu celebremente como cabuloso: “Com o PT nós tinha diálogo. O PT com nós tinha um diálogo cabuloso, mano”, disse Alexsandro Pereira, o “Elias”, interceptado pela Polícia Federal em 2019, na Operação Cravada. O PT, como sempre, chamou de armação. Mas o tempo consagrou como registro documental do casamento entre o socialismo e o crime organizado.
Em 2024, a Operação Fim da Linha já havia desarticulado duas outras empresas de ônibus que lavavam dinheiro do PCC em São Paulo — a UPBUS e a Transwolff, responsáveis pelo transporte de quase 700 mil passageiros diários, que receberam mais de R$ 800 milhões da prefeitura em 2023. Desta vez é a Transunião. O esquema não é novo, nem esporádico, muito menos acidental. Ele é infraestrutural. O crime organizado usa o dinheiro público do transporte coletivo como lavanderia, e precisa de políticos dentro do sistema para manter a máquina girando.
Que um desses políticos seja do PT não surpreende quem lembra dos grampos de 2019. Surpreende apenas quem ainda acha que “diálogo cabuloso” foi uma metáfora.
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