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Política

Esfera Brasil: Kassab valoriza candidatura de Caiado, e Edinho Silva defende Moraes

Dirigentes do PSD e do PT divergiram sobre o cenário político e sobre as reformas institucionais

Kassab, à esquerda do leitor; a jornalista e mediadora do evento, Joana Treptow; e, à direita do leitor, Edinho Silva | Foto: Divulgação/Iara Morcelli/Esfera Brasil
Kassab, à esquerda do leitor; a jornalista e mediadora do evento, Joana Treptow; e, à direita do leitor, Edinho Silva | Foto: Divulgação/Iara Morcelli/Esfera Brasil

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, voltou a defender o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como alternativa fora da polarização política, enquanto o presidente do PT, Edinho Silva, elogiou a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A dupla comentou esses e outros assuntos durante um evento do Esfera Brasil realizado na noite desta quinta-feira, 9, em São Paulo.

Kassab disse que o país precisa de uma nova liderança política, fora dos grupos que já ocuparam o poder. “É fundamental ter uma alternativa”, observou. “A verdadeira alternativa é para quem ainda não foi governo.”

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Edinho, por sua vez, valorizou a atuação de Moraes, sobretudo nos julgamentos do 8 de janeiro. “Goste dele ou não, a história há de registrar que Moraes teve um papel importante para que o Brasil não vivenciasse um golpe de Estado”, argumentou.

Kassab quer voto distrital

Ao longo do debate, Kassab criticou o cenário político e disse que o país vive uma crise institucional. “O voto distrital é fundamental para resolver parte dos problemas”, afirmou, ao explicar que, nesse modelo, o território é dividido em regiões menores, e cada uma elege um único representante, geralmente o candidato mais votado naquela área. Diferentemente do sistema atual brasileiro, não há transferência de votos entre candidatos do mesmo partido. “Esse sistema aproxima o eleitor de candidatos e melhora a qualidade da fiscalização”, acrescentou.

O dirigente do PSD disse que governos anteriores deixaram de implantar reformas relevantes. “O Lula pode aprová-las?”, perguntou, diante de empresários e jornalistas. “Pode. Mas, até hoje, teve cinco oportunidades e não aprovou. O Bolsonaro pode aprovar? Pode. Mas teve a sua oportunidade e não aprovou.”

Ao tratar da fragmentação partidária, Kassab criticou o modelo atual e disse que tal sistema dificulta decisões no Congresso. “É impossível ter 39 partidos representados numa mesa de reunião para deliberar políticas públicas”, resumiu.

Kassab criticou o governo Lula | Foto: Divulgação/Iara Morcelli/Esfera Brasil
Kassab criticou o governo Lula | Foto: Divulgação/Iara Morcelli/Esfera Brasil

Em relação à segurança pública, Kassab defendeu uma abordagem prática. “A segurança hoje não é uma questão ideológica; é uma questão de resultado”, disse, ao defender a criação de políticas de combate ao crime organizado.

Ao comentar a possibilidade de reduzir a jornada de trabalho dos brasileiros, Kassab pediu sobriedade na análise da pauta. “É muito perigoso no momento eleitoral”, ressaltou, sem citar a proposta da deputada federal Erika Hilton (Psol), que atualmente tramita na Câmara. “A gente não pode cometer o erro de empurrar uma matéria que, no curto prazo, traga um prejuízo na nossa economia.”

A solução de Edinho Silva para a economia

Já Edinho criticou a polarização no país e disse que o ambiente político atual dificulta o diálogo. “Onde se grita não se conversa, não se dialoga, não se constrói”, observou. Ao comparar o cenário a um estádio de futebol dividido, acrescentou: “Uma metade do estádio com uma torcida gritando e a outra metade e a gente não conversa”.

Ao comentar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Edinho afirmou que houve avanços em políticas públicas. “O presidente Lula faz mudanças importantes nas políticas públicas brasileiras”, afirmou, ao citar os programas Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida.

Esses programas, contudo, também são alvo de críticas. Estudo do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), que acompanhou mais de 11 milhões de beneficiários ao longo de mais de uma década, mostra que parte relevante das famílias permanece dependente de programas sociais no longo prazo: cerca de 20% dos jovens que estavam no Bolsa Família em 2005 ainda seguiam vinculados ao programa anos depois, e menos da metade teve inserção consistente no mercado formal de trabalho. Pesquisadores acreditam que esses dados indicam mobilidade social limitada e forte desigualdade regional, com menor capacidade de ascensão sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.

Em relação ao Minha Casa Minha Vida, levantamentos apontam problemas recorrentes de urbanização. Estudos da Fundação Getulio Vargas e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, por exemplo, atestam que grande parte dos empreendimentos foi construída em áreas periféricas, onde o custo do terreno é mais baixo, mas com acesso limitado a transporte público, empregos e serviços essenciais. Relatórios do Tribunal de Contas da União também registram falhas de planejamento urbano, com conjuntos habitacionais distantes de escolas, unidades de saúde e infraestrutura básica. Esse padrão, conforme os estudos, dificulta a integração econômica das famílias beneficiadas e amplia custos indiretos, como tempo de deslocamento e dependência de serviços públicos.

No campo jurídico, Edinho defendeu o debate sobre a delação premiada | Foto: Divulgação/Iara Morcelli/Esfera Brasil
No campo jurídico, Edinho defendeu o debate sobre a delação premiada | Foto: Divulgação/Iara Morcelli/Esfera Brasil

No campo jurídico, Edinho defendeu o debate sobre a delação premiada. “É um instrumento jurídico que tem que ser utilizado, mas você não pode prender alguém para que essa pessoa delate”, argumentou.

Sobre economia, o petista disse que o mundo enfrenta dificuldade de longo prazo. “É uma crise de superprodução”, afirmou, ao sugerir o aumento do consumo como solução do problema. “Precisamos discutir esse assunto. Produzimos mais, com menos esforço, e será necessário criar formas de consumirmos esse excedente.”

Ao abordar a jornada de trabalho, Edinho disse que o tema necessita de debate amplo. “Esse assunto exigirá muito do governo e da sociedade”, salientou, ao comentar o projeto em andamento no Congresso. “Mesmo se a lei for aprovada, precisará ser regulamentada.”

Por fim, ao tratar da governabilidade, criticou o atual modelo político do país. “Não é mais presidencialismo”, constatou, ao mencionar o fortalecimento do Congresso por meio das emendas parlamentares. Segundo o petista, é preciso mudar a lógica de negociação política. “Você negociará propostas, e não liberação de emenda”, concluiu.

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1 comentário
  1. Plínio de Assis Tavares Junior
    Plínio de Assis Tavares Junior

    PT e PSD querem o melhor para seus dirigentes, não estão preocupados com Brasil e seu povo. Queremos gente de mãos limpas, cristãs,de família e crendo em Deus.

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