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Política

Estatais gastaram mais de R$ 1 bi com patrocínios em 2025

Caixa lidera crescimento dos contratos; governo afirma que decisões cabem às empresas

Empresas estatais registram pior resultado desde 2015 no primeiro ano do governo Lula
Empresas públicas ampliaram em R$ 539,6 milhões o volume de novos contratos de patrocínio firmados em 2025 | Foto: Reprodução/Redes sociais

As principais empresas estatais federais ampliaram em R$ 530 milhões o volume de novos contratos de patrocínio firmados em 2025, elevando o total para R$ 1,6 bilhão, segundo levantamento com base nos portais de transparência das companhias. Em valores corrigidos pela inflação, a cifra representa crescimento de 50% em relação a 2024.

A maior parcela da expansão veio da Caixa Econômica Federal, que acrescentou R$ 277 milhões em novos contratos de um ano para o outro. Já o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou o maior avanço proporcional, multiplicando por 15 o volume de patrocínios firmado no ano anterior.

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Os dados, coletados pelo jornal Folha de S.Paulo, consideram apenas novos contratos assinados em cada exercício, e não os valores efetivamente desembolsados. Parte dos acordos prevê pagamentos distribuídos ao longo de vários anos.

Sidônio Palmeira e Lula Secom
Acordos de patrocínio acima de R$ 200 mil precisam receber aval da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República; Sidônio Palmeira assumiu a pasta em janeiro de 2025 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

A correção monetária foi feita com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo, considerando os índices de janeiro de 2024 e 2025 em relação a maio de 2026.

Entre as maiores estatais do país em faturamento, a Caixa liderou o volume de contratações em 2025, com R$ 650 milhões. Na sequência aparecem Petrobras, com R$ 525 milhões; Banco do Brasil, com R$ 289 milhões; e BNDES, com R$ 99 milhões.

Os maiores contratos celebrados no período foram direcionados ao esporte. A Caixa assinou acordos de R$ 160 milhões com o Comitê Paralímpico Brasileiro, R$ 90 milhões com a Confederação Brasileira de Atletismo e R$ 80 milhões com a Confederação Brasileira de Ginástica.

O BNDES fechou um patrocínio de R$ 60 milhões com a Confederação Brasileira de Judô.

BNDES: apoio a governos sob ditadura | Foto: Divulgação/EBC
BNDES multiplicou por 15 o volume de patrocínios firmado em 2024 | Foto: Divulgação/EBC

O contrato de R$ 160 milhões para o esporte paralímpico foi anunciado em cerimônia realizada em São Paulo com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os recursos contemplam o ciclo de preparação para os Jogos Paralímpicos de 2025 a 2028.

Além dos grandes contratos esportivos, as estatais mantiveram aportes em eventos culturais. A Caixa ampliou nos últimos anos o apoio a festas de São João, movimento observado durante a gestão de Carlos Vieira, indicado ao comando do banco por parlamentares do centrão do Nordeste.

Caixa Econômica
O residente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Governo Lula atribui responsabilidade de gasto às empresas

Os contratos de patrocínio costumam ser negociados diretamente entre as empresas e os beneficiários. Nos casos de acordos acima de R$ 200 mil, os projetos passam por um comitê consultivo e precisam receber aval da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Indagado sobre o aumento dos valores, o Palácio do Planalto afirmou que as decisões são de responsabilidade das próprias empresas. A Presidência declarou ainda que a atuação da Secom “tem caráter institucional e normativo e não deve ser confundida com ingerência na política das empresas estatais”.

A Caixa atribuiu a alta principalmente à assinatura de contratos plurianuais. Segundo o banco, os valores são registrados integralmente no momento da contratação, embora os pagamentos ocorram de forma parcelada ao longo dos anos. A instituição acrescentou que os patrocínios seguem planejamento estratégico e limites orçamentários previamente definidos.

Caixa Econômica Federal: sob análise do TCU | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Caixa Econômica Federal acrescentou R$ 277,4 milhões em novos contratos de patrocínio de um ano para o outro | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O BNDES informou que retomou projetos patrocinados em 2023, depois de uma interrupção de 2020 a 2022. De acordo com o banco de fomento, a medida buscou recuperar seu protagonismo no desenvolvimento econômico e social. A instituição afirmou ainda que os números de 2025 refletem patamares semelhantes aos observados antes da paralisação e não representam desembolso imediato.

A Petrobras declarou que os patrocínios fazem parte de uma estratégia voltada ao desenvolvimento econômico e social e ao fortalecimento da marca. Em nota, a estatal afirmou que, desde 2023, promoveu um redimensionamento de sua carteira de projetos para adequar os investimentos ao porte da companhia.

O Banco do Brasil sustentou que a expansão dos contratos “reflete a continuidade da estratégia do banco de fortalecer seu posicionamento de marca, por meio de iniciativas que gerem conexão com diferentes públicos”. A instituição acrescentou que as decisões seguem critérios técnicos e mercadológicos voltados à geração de valor para a marca.

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1 comentário
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    A Petrobrás alega “fortalecimento da marca”. Afinal, por que uma estatal que detém o monopólio da área precisa de “fortalecimento da marca”? Tem que ser mesmo muito cara de pau para vir com um argumento desses.

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