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Política

'Enchemos de cachorro': Mello Araújo detalha ação que pôs fim à Cracolândia

Vice-prefeito revela uso do canil da Polícia Militar durante operação

Coronel Mello Araújo é vice-prefeito de São Paulo | Foto: Revista Oeste
Coronel Mello Araújo é vice-prefeito de São Paulo | Foto: Revista Oeste

O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo, descreveu em entrevista ao Arena Oeste desta quinta-feira, 13, a estratégia que provocou o esvaziamento repentino da Cracolândia em uma madrugada entre sexta e sábado de maio deste ano.

Ele afirmou que a Prefeitura e o Governo do Estado utilizaram cães farejadores da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana para impedir que traficantes chegassem ao local com drogas. “Vamos encher de cachorro”, disse, ao relatar a sugestão feita durante uma reunião intersecretarial. Segundo ele, a operação bloqueou as rotas de acesso e fez com que a droga não chegasse.

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Araújo contou que os animais foram posicionados em círculos de proteção ao redor da área, o que impossibilitou que traficantes burlassem o cerco. “Ele não engana o cachorro”, afirmou, em referência ao olfato dos animais, que são treinados para farejarem drogas. O vice-prefeito relatou que, no sábado e no domingo, a cena permaneceu vazia e, na segunda-feira pela manhã, equipes de saúde observaram um movimento inesperado: “Tinha 60 pessoas na porta do equipamento do Caps pedindo para serem internadas”. O coronel estima que, ao longo daquela segunda-feira, mais de 90 pessoas foram acolhidas.

Araújo classificou o uso dos cães como um “tempero final” dentro de um conjunto maior de políticas sociais, de saúde e de segurança já em andamento. Ele afirmou que a estratégia não explica, isoladamente, o fim da cena, mas considerou que o resultado da noite em questão decorreu diretamente dessa tática.

Cracolândia contava com cerca de 700 pessoas diuturnamente

O vice-prefeito afirmou que, antes da operação, cerca de 700 pessoas permaneciam 24 horas na região, número que dobrava à noite com usuários que, segundo ele, tinham moradia e emprego, mas buscavam o local como “happy hour” para consumir drogas. Um monitoramento diário teria mostrado que o público fixo vinha caindo com internações sucessivas e chegou a cerca de 50 pessoas na semana em que ocorreu o esvaziamento.

Araújo sustenta que o êxito das ações decorre do alinhamento entre governo estadual e prefeitura. Ele afirmou que a Cracolândia, como “cena aberta onde as pessoas compram e consomem tudo no mesmo lugar”, não existe mais, mas que a “torneira” permanece aberta por fatores nacionais, entre eles políticas federais de desencarceramento e benefícios sociais.

A cracolândia ficou vazia no dia 11 de maio de 2025 | Foto: Reprodução/X
A cracolândia ficou vazia no dia 11 de maio de 2025 | Foto: Reprodução/X

Araújo ainda detalhou a atuação simultânea de diversas secretarias. Ele afirmou que a estratégia inclui assistência social, saúde, habitação, segurança pública, trabalho e zeladoria. A integração permitiria abordagens distintas para cada caso: “Se é um traficante, vai a força de segurança”, explicou. “Se é só um usuário, vai o [grupo] da saúde.”

O vice-prefeito relatou que médicos e assistentes sociais atuam em campo ao lado de policiais e que todos se comunicam entre si. Ele afirmou também que a Prefeitura passou a levar equipes da Secretaria de Trabalho até unidades de saúde, responsáveis por triagem e tratamento, para entregar cartas de encaminhamento para vagas formais, com salários que podem ultrapassar R$ 5 mil.

Ao comentar soluções para segurança pública, Araújo voltou a defender penas mais duras e privações efetivas de liberdade. Ele relatou episódios de traficantes presos “três vezes em uma semana” e libertados por audiências de custódia. O coronel disse ainda que policiais estão “cansados” e que a instabilidade legal contribui para casos de excesso e desgaste psicológico.

Leia também: “A anistia inevitável”, artigo de Augusto Nunes e Branca Nunes publicado na Edição 255 da Revista Oeste

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