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Política

Delegado da PF confirma investigação contra sindicato ligado a irmão de Lula

Depoimento contraria versão de diretor da Polícia Federal sobre operação de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS

O delegado da Polícia Federal Carlos Henrique Oliveira de Sousa, em depoimento na Câmara: irmão de Lula sob investigação | Foto: Reprodução/TV Câmara
O delegado da Polícia Federal Carlos Henrique Oliveira de Sousa, em depoimento na Câmara: irmão de Lula sob investigação | Foto: Reprodução/TV Câmara

O delegado da Polícia Federal (PF) Carlos Henrique de Sousa confirmou nesta quarta-feira, 28, que o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi) é alvo de investigação. A autoridade fez a declaração durante depoimento na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados.

A fala do agente contradiz principalmente a do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O diretor negou a existência de apurações contra o sindicato que tem ligação com Frei Chico, irmão do presidente Lula da Silva. “O Sindnapi é investigado”, afirmou o delegado. “A própria representação inicial tem 247 folhas, e eu passei o final de semana lendo para entender melhor alguns detalhes da operação.”

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PF: relatório da CGU acendeu alerta

O depoimento ocorreu depois de questionamento do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS). O parlamentar cobra explicações sobre a ausência do nome do sindicato nas primeiras divulgações da operação. A investigação apura fraudes em descontos feitos em aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS.

O caso ganhou força sobretudo depois de um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU). O documento diz que 76,9% dos beneficiários com vínculo ao Sindnapi negaram ter autorizado descontos. Do mesmo modo, o levantamento mostra um crescimento expressivo na receita do sindicato. Ela passou de R$ 23 milhões em 2020 para R$ 154 milhões em 2024, com maior volume durante o atual governo.

O depoimento do delegado reforça assim a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que acatou representação do partido Novo. O tribunal determinou inspeções no INSS. Além disso, inclui no processo de averiguação o Ministério da Previdência e a Dataprev. O objetivo é rastrear os repasses a entidades sindicais e identificar quem autorizou os descontos.

O ministro Aroldo Cedraz, relator do processo no TCU, determinou a suspensão dos Acordos de Cooperação Técnica (ACTs). Esse dispositivo autorizaria descontos nos benefícios previdenciários até a conclusão das investigações.

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