Um leilão milionário promovido pelos Correios para venda de um imóvel em Brasília foi cancelado depois da constatação de que o pagamento inicial, feito por meio de cheque, não possuía fundos. O terreno, avaliado em R$ 280 milhões, estava desocupado por causa da crise financeira da estatal, sendo incluído entre os bens destinados à alienação.
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Apenas a ONG CPM Intercab, sediada em Taguatinga, Distrito Federal, participou da licitação e venceu a disputa. O responsável pela entidade é Jorge Luiz Almeida da Silveira, conhecido como Pai Jorge de Oxossi, líder religioso do Candomblé, que coordena um terreiro na Ceilândia.
Suspeitas e investigação interna
Mesmo com o imóvel avaliado em R$ 322 milhões, a ausência de outros concorrentes permitiu que a proposta da associação fosse inferior ao valor inicial. Depois da homologação da venda, o negócio começou a ser questionado internamente, levando à investigação da área de compliance dos Correios.
O levantamento revelou que a ONG não possuía capital social e que o dirigente havia recebido auxílio emergencial durante a pandemia de covid-19. Embora alertas tenham sido emitidos, a Diretoria de Administração entendeu que o processo estava regular, mas o então presidente dos Correios, Fabiano Silva, optou por suspender a operação até análise do Conselho de Administração.
Antes que o conselho deliberasse, em setembro, a CPM Intercab desistiu do negócio e pediu a devolução do valor pago. O edital exigia um depósito inicial de R$ 500 mil, mas a quantia foi transferida não pela ONG, mas por um cheque da M Gorete F Alves Ltda, cujo CNPJ é considerado inexistente pela Receita Federal.
Detalhes do pagamento e consequências para os Correios
No fim de outubro, a gerência financeira dos Correios comunicou que o depósito não foi realizado por causa da falta de fundos. “No período compreendido entre 26/06/25 e 24/10/25, não foi identificado qualquer outro crédito oriundo da empresa M GORETE F ALVES LTDA (CNPJ 04.601.058/0001-04), emissora do cheque devolvido”, afirmou o ofício direcionado à Diretoria Executiva dos Correios.
A numeração do CNPJ da empresa emissora do cheque é quase igual à da MG Incorporadora de Imóveis Ltda, pertencente a Maria Gorete Ferreira Alves. Questionado pelo jornal O Estado de S. Paulo, Pai Jorge relatou que ela visitou o centro espírita da ONG e prometeu apoio financeiro para um projeto social no imóvel, atualmente ocupado pela Universidade Corporativa dos Correios (Unicorreios).
O dirigente da ONG acrescentou que os R$ 279,5 milhões restantes seriam quitados com recursos provenientes da venda de letras do Tesouro. “A gente tem alguns ativos que estamos negociando para poder serem pagos. Estamos aguardando o pagamento deles. Se o terreno for para leilão de novo, nós vamos entrar com os recursos”, disse Pai Jorge de Oxossi ao Estado de S. Paulo.
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