O estrategista político norte-americano Jason Miller, principal conselheiro da campanha presidencial de Donald Trump em 2024, utilizou suas redes sociais para criticar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e convocar apoiadores para participar das manifestações de 7 de Setembro, neste domingo, em diversas cidades brasileiras.
+ Leia mais notícias do Mundo em Oeste
Receba nossas atualizações
Em publicação feita em seu perfil no X neste sábado, 6, Miller afirmou que, no 203º aniversário da independência do Brasil, o mundo perceberá que o país está “mais uma vez sob um regime ditatorial liderado por Alexandre de Moraes”. Ele completou: “O mundo está observando, Moraes”.
O conselheiro publicou ainda imagens em que aparece em meio a apoiadores de Jair Bolsonaro em atos anteriores. Em uma das fotos, ele aparece vestindo um boné da rede social Gettr, da qual é fundador. A mensagem também foi acompanhada da hashtag #FreeBolsonaro, ou Bolsonaro Livre, em tradução livre.
Conselheiro de Trump faz defesa de Bolsonaro
As críticas de Miller ganharam novo capítulo depois da abertura do julgamento de Bolsonaro no STF. Na última terça-feira, 2, Moraes declarou que “a soberania nacional é um dos fundamentos” do Brasil e que “não pode, não deve e jamais será vilipendiada, negociada ou extorquida”.
Na mesma ocasião, o ministro declarou que “a história deste Supremo Tribunal Federal demonstra que jamais faltou ou jamais faltará coragem aos seus membros para repudiar as agressões contra os inimigos da soberania nacional, da democracia, do Estado de Direito ou da independência do Poder Judiciário”. Ele não citou Trump diretamente, mas a fala foi interpretada como referência às sanções impostas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras.
Em resposta, Miller escreveu em seu perfil no X que “seria sábio para o STF e Alexandre de Moraes saberem que os Estados Unidos não negociam com terroristas”. A publicação de Miller foi compartilhada pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que comemorou a mensagem.
Leia também: “A América sempre reage”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 242 da Revista Oeste








































A Tragédia de uma Elite
Ao tentar aniquilar Jair Bolsonaro, o regime brasileiro acendeu um alarme no coração do trumpismo: o de que nenhuma liderança conservadora estaria segura caso o precedente brasileiro triunfasse. A resposta americana, portanto, não é diplomática — é doutrinária. Não protege apenas um aliado: protege um paradigma.
Agora, Brasília encontra-se diante de um dilema insolúvel. A perseguição a Bolsonaro, tratada internamente como jogo de poder, transformou-se em pauta de segurança internacional. Trump, diferentemente dos burocratas do Departamento de Estado, não age com distanciamento tecnocrático: ele age com a força de um imperador pós-moderno, decidido a vingar um aliado que vê como reflexo.
Recuar é admitir fraude narrativa. Avançar é desafiar sanções que podem implodir a economia nacional. A elite brasileira, em seu delírio tecnocrático, criou uma armadilha perfeita: qualquer saída agora significa perder tudo.
Este não é apenas um embate entre um regime e um ex-presidente. É um capítulo da nova guerra civilizacional que divide o Ocidente: de um lado, o globalismo institucional, burocrático, moralmente relativista; do outro, o populismo nacional-conservador, com raízes populares e apelo emocional.
Bolsonaro tornou-se, por força das circunstâncias, um símbolo continental — não apenas do Brasil, mas de toda uma corrente de pensamento em ascensão no mundo. A tentativa de destruí-lo criou, paradoxalmente, sua maior blindagem: a da transcendência política.
O mais devastador nesse episódio é a constatação de que tudo poderia ter sido evitado. Bastava sensibilidade estratégica, leitura geopolítica mínima, compreensão dos vetores do poder em 2025. Mas a elite brasileira, viciada em sua bolha midiática e seduzida por sua autopercepção iluminista, riu de Eduardo Bolsonaro e ignorou os sinais gritantes que vinham do norte. As visitas a Mar-a-Lago. Os acenos de Trump. As falas inflamadas de congressistas republicanos. A cobertura intensa da mídia conservadora americana. Tudo foi tratado como ruído. Agora, é tarde.
O terremoto político reverbera para além das fronteiras. Governos latino-americanos observam com atenção: se os EUA intervêm — política e economicamente — para proteger um ex-presidente em outro país, qual será o novo limite do jogo hemisférico? A lição é clara: o preço da repressão política interna pode ser cobrado em escala internacional.
E, num paradoxo cruel, o regime que buscava apagar Bolsonaro do mapa político acabou por elevá-lo à condição de ícone continental.
Quando a história se vira contra os arquitetos do poder
Não há mais zona cinzenta. Ou se rende completamente — com anulação de processos, restauração de direitos políticos e reconhecimento de abusos — ou se enfrenta o colapso: econômico, diplomático e moral.
O regime criou uma armadilha da qual não consegue sair, porque a própria sobrevivência passou a depender da destruição de um homem — e, agora, desse homem depende a estabilidade do país.
Os historiadores do futuro serão implacáveis. Identificarão 2025 como o ano em que o Brasil selou seu destino como peão no tabuleiro de uma nova guerra ideológica global. Não foi a desigualdade. Não foi a polarização. Não foi a corrupção. Foi a cegueira estratégica.
Tentaram destruir um homem. Destruíram a si mesmos.
E o homem de quem riam, por “fritar hambúrgueres” em Missouri, agora observa — sereno, estratégico, firme — enquanto seus adversários marcham em direção ao colapso que eles próprios arquitetaram.
A História, afinal, não perdoa arrogância acompanhada de ignorância. E jamais subestima os homens que, em silêncio, constroem o futuro.
(Texto de Francisco Carneiro Júnior, autor da tetralogia “O Silêncio das Noites Escuras — Guerra, terrorismo e operações especiais”).