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Política

Congelamento de verbas do governo impacta Saúde, Cidades e Defesa

Decreto detalha trava de R$ 31 bi em despesas do Orçamento de 2025

Fernando Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad | Foto: Divulgação/MF

O governo federal publicou, em edição extra do Diário Oficial da União desta sexta-feira, 30, um decreto que impõe medidas de contenção de despesas no Orçamento de 2025, como o bloqueio de aproximadamente R$ 31 bilhões em dotações orçamentárias, com impacto especial nas pastas de Saúde, Cidades e Defesa.

De acordo com o decreto, os órgãos do Poder Executivo federal deverão detalhar, em até cinco dias úteis, os bloqueios orçamentários “referente aos montantes estabelecidos” por meio do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop).

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Caso não haja envio dessas informações no prazo, o Ministério do Planejamento e Orçamento, chefiado por Simone Tebet, “adotará as providências para o bloqueio do valor necessário, nos dois dias úteis subsequentes”.

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O decreto também autoriza que as dotações bloqueadas, se não utilizadas, sejam posteriormente anuladas para abertura de créditos adicionais. Essas anulações poderão ocorrer “quando se fizer necessário à adequação orçamentária”.

Entre os ministérios mais afetados pela contenção está o da Saúde, com bloqueio total de R$ 5,9 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões em emendas parlamentares e R$ 2,3 bilhões em despesas discricionárias regulares. A pasta da Defesa também sofreu contenção, com R$ 2,6 bilhões de corte, como R$ 1,5 bilhão em emendas de bancada e R$ 1 bilhão em outras dotações.

O decreto também impôs cortes significativos ao Ministério das Cidades, responsável por programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida, teve aproximadamente R$ 4,8 bilhões bloqueados, o que representa 27,2% do total disponível para despesas discricionárias.

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Já o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, que administra o Bolsa Família e outros benefícios assistenciais do governo federal, sofreu um congelamento de cerca de R$ 2,1 bilhões.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, com projetos ligados a obras estruturantes, também registrou significativo bloqueio: cerca de R$ 2,2 bilhões. No total, o congelamento soma R$ 31,331 bilhões.

Além do impacto nas pastas de maior porte, a medida também afetou ministérios menores e órgãos vinculados, como o Ministério do Esporte (R$ 429 milhões bloqueados), o Ministério da Cultura (R$ 255 milhões), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (R$ 59 milhões) e a Agência Nacional de Mineração (R$ 28 milhões).

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante cerimônia do novo programa para acelerar o atendimento e aproximar a população dos médicos especialistas no SUS | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A medida abrange diversos tipos de emendas — individuais, de bancada e de comissão — e despesas discricionárias diretas, que compõem o conjunto de gastos sobre os quais o governo tem maior liberdade de alocação.

No campo orçamentário, o decreto inclui novas regras de gestão e permite a redistribuição e remanejamento de limites de movimentação e empenho, além da atualização dos valores. O texto ainda autoriza a administração a “alterar, por meio de remanejamento, os valores constantes” para adequar os gastos às exigências legais.

O texto ainda prevê que os bloqueios possam ser alterados a qualquer tempo mediante solicitação, desde que não estejam sendo usados para abertura de créditos adicionais e sejam respeitadas as diretrizes estabelecidas pela Junta de Execução Orçamentária.

Leia também: “Os selvagens da seringa”, artigo de Guilherme Fiuza publicado na Edição 71 da Revista Oeste

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