publicidade
Política

Caso Moraes transita fora dos limites da Constituição, afirma jurista

Em artigo, Wálter Maierovitch denuncia o tratamento privilegiado concedido ao ministro do Supremo

Moraes
Moraes tornou-se alvo de críticas nos últimos anos | Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou-se alvo de críticas nos últimos tempos. A mais recente delas ocorreu em virtude do incidente que envolveu a discussão do magistrado com três brasileiros, no Aeroporto Internacional de Roma, na Itália.

Para o professor e jurista Wálter Maierovitch, Moraes tem recebido tratamento privilegiado nesse caso. “A igualdade é princípio fundamental do sistema republicano”, adverte o especialista, em artigo publicado no portal UOL. “E as nossas Constituições republicanas sempre afirmaram a isonomia de tratamento. Todos são iguais perante a lei, reza a Constituição de 1988.”

Receba nossas atualizações

Leia também: “O golpe do algodão-doce”, artigo publicado na Edição 174 da Revista Oeste

Maierovitch argumenta que o foro por prerrogativa de função, também conhecido como foro privilegiado, “cabe tão somente e só quando altas autoridades são suspeitas, indiciadas ou acusadas de autoria ou de participação em crimes”.

No incidente que envolve Moraes, entretanto, há uma espécie de “foro às avessas”. Para o jurista, trata-se de “um verdadeiro foro privilegiado constituído em benefício da vítima Moraes e do seu rebento”. “É odioso juridicamente por causar repulsa ao comum mortal, pois viola a igualdade e beneficia pessoas”, salienta.

Maierovitch diz ainda que, se Moraes criar uma espécie de foro privilegiado no STF, também criará um privilégio não previsto na Constituição. O jurista se refere ao fato de o “princípio de extraterritorialidade” ter sido aplicado aos supostos agressores. Nesse caso, os suspeitos de hostilizarem Moraes responderão por eventuais crimes no Brasil.

Leia mais: “O ministro sem dúvidas e o país das incertezas”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 169 da Revista Oeste

Ocorre que, segundo a lei em vigência no país, a Justiça Federal de primeiro grau é responsável por julgar hipóteses de extraterritorialidade (quando não há suspeita nem acusação contra autoridade com foro privilegiado).

Mas o Supremo chamou para si a competência no caso que envolve Moraes, observa o jurista. A presidente da Corte, ministra Rosa Weber, chegou a despachar representação policial por buscas e apreensões nas residências dos três suspeitos.

Moraes foi alvo de injúria

Moraes
Wálter Maierovitch é professor e jurista | Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

“Pelo apurado até o momento, os ataques a Moraes e aos seus familiares não foram orquestrados”, observa Maierovitch. “Os irrogados agressores desconheciam a presença de Moraes na Itália nem sabiam de embarque no dia fatídico.”

Ainda de acordo com o jurista, essa constatação põe fim à suspeita inicial de tipificação de crimes contra o Estado Democrático de Direito.

“Tudo se resume ao crime de injúria, em continuação delitiva, contra o ministro”, afirma Maierovitch, ao lembrar que não há provas de lesões corporais contra o ministro nem contra seu filho. “Tapa sem lesão cutânea, perante a lei, não constitui crime de lesão corporal.”

O especialista argumenta que, no próprio inquérito, Moraes foi privilegiado por ser ouvido depois dos suspeitos. Isso porque a lei processual penal é clara: a vítima deve ser ouvida antes do suspeito, e o réu por último.

Diz Maierovitch, na conclusão do artigo: “Só falta ele próprio mandar juntar o inquérito do lamentável episódio romano ao inquérito judicial de autotutela. E o próprio Moraes ser o condutor. Aí, o Estado de Direito, como na comédia de revista, vira a Greta Garbo que acabou no Irajá”.

3 comentários
  1. Dalmacio Irapuan dos Santos
    Dalmacio Irapuan dos Santos

    Até quando esse traste vai mandar e desmandar no Brasil, ô Lira e Pacheco? Até quando, ineptos?

  2. Reginaldo Corteletti
    Reginaldo Corteletti

    Está tudo de cabeça para baixo devido a inação foPaquito Pacheco.

  3. MNJM
    MNJM

    As críticas às ações de Moraes aumentam a cada dia, o STF é uma Instituição desmoralizada pelo colegiado atual.
    Rodrigo Pacheco quando deixará de ser omisso e covarde, colocando em pauta o impeachment desse tirano, q envergonha e prejudica a Nação, q diz defender .
    O q pratica é a ditadura da toga motivo da indignação do povo.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade