Parlamentares acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) com o intuito de fazer prevalecer a tese de suspeição do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no processo relacionado ao Banco Master. Desde o fim do ano passado, o Ministério Público recebeu duas representações nesse sentido.
A primeira representação chegou à PGR em 12 de dezembro de 2025. Assinado pelos deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Carol De Toni (PL-SC), o documento chama a atenção para o fato de o magistrado ter viajado, no jatinho particular do empresário Luiz Oswaldo Pastore, com Augusto de Arruda Botelho, um dos advogados do Master. A viagem em questão ocorreu em 29 de novembro e teve Lima, capital do Peru, como destino. Na data, a cidade recebeu a final da Taça Libertadores da América, que terminou com a vitória do Flamengo por 1 a 0 sobre o Palmeiras, time para o qual Toffoli torce.
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“Evidencia-se relação de proximidade pessoal entre o ministro e o advogado da parte diretamente beneficiada por suas decisões — incluindo a decretação de sigilo e o deslocamento de competência para o STF”, afirma o trio de deputados na representação enviada à PGR. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ainda não avaliou a solicitação.
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Agora, Gonet tem mais uma representação referente à suspeição de Toffoli no caso Master para avaliar. A mais nova chegou a ele na última quarta-feira, 14, por meio do senador Eduardo Girão (Novo-CE). O congressista afirma que há “possíveis conflitos de interesse e impedimentos”.
“O contexto se torna ainda mais delicado quando consideramos que familiares próximos do ministro Toffoli e pessoas de seu círculo íntimo mantêm relações comerciais com possíveis envolvidos no escândalo do Banco Master”, afirma Girão. “Tais circunstâncias levantam questões inevitáveis sobre imparcialidade judicial e conflito de interesses, princípios fundamentais do Estado de Direito.”
Alvo de representações na PGR, Toffoli tem parentes vinculados ao Banco Master
No dia 11 de janeiro, o jornal Folha de S.Paulo noticiou que empresas de parentes do ministro do STF tiveram como sócio o fundo de investimentos Arleen, que segundo investigações era usado pelo Master na realização de fraudes financeiras. A sociedade envolveu, por exemplo, a gestão do resort ligado à família de Toffoli em Rio Claro, no interior do Paraná.
Cinco dias depois, o Estadão afirmou que o empresário Fabiano Zettel aportou R$ 20 milhões em negócios de familiares do magistrado. Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Assim como parlamentares, a divisão brasileira da Transparência Internacional passou a defender a suspeição de Toffoli no caso do Master e reforçou o pedido por adoção de medidas por parte da PGR e de outros integrantes do STF. “O que deveria ocorrer é o PGR peticionar pelo impedimento e, depois de Toffoli negar, os ministros colegiados votarem pelo impedimento”, registra a organização, conforme postagem no ar desde a última sexta-feira, 16. “É o que está previsto em lei.”
O histórico de Toffoli é suficiente para tonar vã qualquer expectativa de que se afaste do caso Master. É um juiz que não se declarou impedido para (1) votar pela anulação da delação de Cabral que o citava; (2) anular monocraticamente as provas da Odebrecht, incluindo depoimento… https://t.co/s6EfVlSg7g
— Transparência Internacional – Brasil (@TI_InterBr) January 16, 2026
Até o momento, Gonet não se pronunciou a respeito das representações dos parlamentares contra Toffoli.
Leia também: “Os tentáculos do Master”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 305 da Revista Oeste


Consenso no STF: Toffoli deveria deixar a relatoria do caso Master 




































Sabem qual é a chance dessa representação ser acolhida pelo procurador “Marigonete”?
ZERO!