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Política

Câmara votou, sem conhecimento, proposta redigida por ONG

A deputada Érika Hilton protocolou emenda com texto idêntico a documento produzido por organização

Palácio do Congresso Nacional, onde fica a Câmara dos Deputados brasileira
Palácio do Congresso Nacional, onde fica a Câmara dos Deputados brasileira | Foto: Rodolfo Stuckert/Acervo Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados votou uma proposta apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP) que foi elaborada inteiramente pelo Instituto Sou da Paz. O conteúdo da proposta foi debatido e votado pelo plenário sem que os parlamentares soubessem a origem real da emenda.

Essa situação gera questionamentos sobre a influência de organizações financiadas por grandes fundações estrangeiras. O Projeto de Lei Complementar 68, que visa à criação do Imposto Seletivo, foi um dos focos dessa atuação.

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O imposto teria uma alíquota mais alta sobre produtos que causam danos à saúde e ao meio ambiente. Esse imposto foi chamado popularmente de “imposto do pecado”. Inicialmente, as armas não faziam parte da lista de itens a serem taxados. No entanto, o Instituto Sou da Paz fez lobby para incluir esses produtos.

Érika Hilton protocolou emenda com texto idêntico a documento produzido por ONG

No dia 9 de julho, o gabinete de Hilton protocolou a Emenda de Plenário 104, que incluía armas e munições na lista de itens sujeitos ao novo imposto. A emenda foi votada na Câmara no dia seguinte. Ela foi rejeitada, com 316 votos contrários, 155 a favor e 2 abstenções. A justificativa para a proposta afirmava que armas e munições eram prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. No entanto, o texto não mencionava que o conteúdo havia sido elaborado pelo Sou da Paz.

“Armas e munições são bens comprovadamente prejudiciais à saúde e ao meio ambiente”, diz trecho da proposta. “Seu uso está associado a homicídios, suicídios, atos de violência, acidentes e crimes ambientais.”

A emenda de Hilton era idêntica a um documento produzido pela ONG em 27 de junho, 13 dias antes. Até o nome do arquivo digital utilizado pela Câmara era o mesmo do arquivo produzido pelo Sou da Paz. Durante a discussão no plenário, o deputado Henrique Vieira (Psol-RJ), ao defender a proposta, não mencionou a autoria da emenda. Ele citou a ONG, mas apenas para referir uma estatística sobre atentados a escolas, sem revelar que a proposta era integralmente do Sou da Paz.

No Senado, uma emenda semelhante foi apresentada na última quinta-feira, 12. A Emenda 2.203, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), também visava a incluir armas e munições no rol de itens com alíquota mais alta. No entanto, essa proposta não era uma cópia exata da do Sou da Paz. A ONG foi citada três vezes no texto.

O Instituto Sou da Paz, fundado em 1997 no Rio de Janeiro, tem uma longa trajetória na defesa do desarmamento. Em 2023, a ONG arrecadou R$ 7,6 milhões. Grande parte dessa quantia veio de financiamentos estrangeiros.

Entre seus principais doadores estão a Open Society Foundations, de George Soros, que contribuiu com US$ 200 mil em 2023. Outras fundações internacionais, como Ford, Haddad, Oak e o National Endowment for Democracy, apoiado pelo governo dos Estados Unidos, também financiaram a organização.

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2 comentários
  1. julio bento da silva bento
    julio bento da silva bento

    Uma trans que vai atrás de boy toda hora, que pensa por trás, vive em boate e nada faz e quer ditar alguma coisa no Brasil? Realmente há algo de podre nesse Brasil!

  2. Christian
    Christian

    Os Americanos não conseguem eliminar as armas no seu país, mas apoiam ONGs no Brasil para fazê-lo por aqui.
    Desgraçados.

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