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Política

Câmara cobra Itamaraty por excluir CV e PCC de lista de terroristas

Ministério das Relações Exteriores agiu para desassociar facções criminosas ao terrorismo em documento de cooperação de segurança

Plenário da Câmara
Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão | Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A atuação do Ministério das Relações Exteriores (MRE) na negociação de um acordo de segurança com Argentina e Paraguai gerou indagações na Câmara dos Deputados. Na sexta-feira 13, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional aprovou um pedido de informações ao Itamaraty.

O requerimento, apresentado pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO), interpela o motivo da exclusão de menções às facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações de perfil terrorista no texto final do pacto para a Tríplice Fronteira.

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De acordo com o documento, a proposta inicial de classificar as facções como terroristas teria partido do governo argentino e contado com o respaldo da Polícia Federal. Essa versão mencionava explicitamente a ligação entre crime organizado e terrorismo, citando diretamente os grupos brasileiros.

Controvérsia sobre classificação de facções

PCC é umas das principais facções crimonosas do país | Foto: Reprodução/Twitter/X
PCC é umas das principais facções crimonosas do país | Foto: Reprodução/Twitter/X

Gayer afirmou que a proposta partiu da Argentina, com apoio declarado da Polícia Federal, o que indicaria alinhamento das forças de segurança.

No pedido, o deputado relata que o Itamaraty se opôs à inclusão das menções e comunicou isso ao Ministério da Justiça, o que levou à exclusão dos trechos antes da assinatura do acordo. Segundo ele, o Brasil vai na contramão da tendência de reforçar a cooperação internacional contra o crime organizado.

O requerimento também pede que o Itamaraty explique os critérios técnicos, jurídicos e políticos da decisão. A Câmara quer saber se houve influência direta da Presidência, do Gabinete de Segurança Institucional ou de pressões externas.

Itamaraty age para excluir menções a terrorismo em acordo sobre segurança na tríplice fronteira

O Itamaraty atuou para retirar do acordo de cooperação em segurança na tríplice fronteira qualquer menção que ligasse o terrorismo ao crime organizado, como o Comando Vermelho e o PCC. A negociação envolveu Brasil, Argentina e Paraguai.

Um documento obtido pelo jornal Folha de S.Paulo mostra que o Ministério das Relações Exteriores expressou preocupação ao Ministério da Justiça sobre trechos da minuta preliminar. O ofício apontarevela que “há aspectos substantivos do texto que merecem reconsideração junto aos demais partícipes, em particular as referências à ‘convergência’ entre crime organizado transnacional e terrorismo”.

Sem detalhar quais problemas identificou, o Itamaraty destacou dois pontos específicos. Na versão final do acordo, ambos os trechos desapareceram. Trocas de e-mails revelam que a Argentina sugeriu pelo menos uma das inclusões. A Divisão de Enfrentamento ao Terrorismo da Polícia Federal apoiava a manutenção dessas referências.

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1 comentário
  1. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    O atual direção do Itamaraty parte de um posição analógica, retrógrada e autoritária. Assim a criminalidade passa a ser o xerife da comunidade, e nós ia infratores e ladrões.

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