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Política

Áudio mostra ‘Careca do INSS’ e empresária em articulação sem licitação

Roberta Luchsinger recebeu R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de R$ 300 mil

Antônio Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’ | Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Antônio Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’ | Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Novos desdobramentos da operação que apura fraudes em benefícios previdenciários atingiram a ex-candidata a deputada estadual por São Paulo Roberta Luchsinger (PT). Ela foi alvo de busca e apreensão na quinta-feira 18. Investigações mostram que a petista prestou consultoria ao empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A ex-candidata recebeu R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de R$ 300 mil.

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Segundo a Polícia Federal (PF), o grupo tentou negociar um contrato com o Ministério da Saúde, mas a proposta não avançou porque o “Careca do INSS” passou a ser investigado e teve bens bloqueados.

Conversas de Roberta com o “Careca do INSS”

Em áudio de WhatsApp enviado no começo de 2025, Roberta sugeriu a dispensa de licitação para viabilizar o acordo com o ministério. “É contratação, sim”, afirmou Roberta para Antunes, segundo o jornal O Globo. “Ele sabe que é dispensa. É a nova lei das licitações, não sei se você já deu uma lida. Em razão do cenário de emergência, podemos criar um documento bem robusto pedindo a dispensa de licitação.”

Com suspeitas de que o esquema teria influência em outras áreas, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, solicitou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informe sobre processos em andamento que possam interessar à empresa do “Careca do INSS”.

Segundo O Globo, Antunes visitou o Ministério da Saúde cinco vezes, de 2024 a 2025, uma delas acompanhado de Roberta. Em nota, a defesa da empresária declarou que “os negócios se mantiveram apenas em tratativas iniciais e não chegaram a prosperar”. Também afirmou não haver relação com fraudes no INSS.

Relações políticas e suspeitas de influência

No relatório da PF consta que Roberta era vista como alguém com acesso a autoridades. Mendonça destacou que as provas indicam uma sociedade de fato entre a ex-candidata e Antunes em diferentes áreas, com ênfase na saúde pública e relações com a Anvisa e o Ministério da Saúde.

O magistrado ressaltou ainda que a ligação entre os dois buscava criar parcerias estratégicas que misturavam influência política e interesses financeiros.

Leia mais: “A desordem estratégica do governo na CPMI do INSS”, reportagem de Sarah Peres publicada na Edição 300 da Revista Oeste

Roberta, neta e herdeira de um banqueiro suíço, ganhou notoriedade em 2017 ao anunciar apoio financeiro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão ocorreu depois de as contas de Lula serem bloqueadas por decisão do então juiz Sergio Moro durante a Operação Lava Jato.

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