publicidade
Política

Abin também fez espionagem contra adversários do governo

Investigada pela PF, agência já se envolveu em outros episódios, que provocaram escândalos

Abin
A Abin tem um histórico de espionagem clandestina no governo Lula. No segundo mandato do presidente, foi descoberto que a agência investigava políticos e ministros do STF | Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes fez diversas menções à possível existência de uma estrutura paralela dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro.

Essas citações fizeram parte do despacho do magistrado, que autorizou a busca no gabinete e na casa do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), na quinta-feira 25.

Receba nossas atualizações

O parlamentar era diretor da Abin e é investigado por supostamente utilizar equipamento para rastrear a localização de autoridades por meio de celulares.

Porém, o órgão de inteligência tem um histórico de espionagem clandestina no governo Lula.

Bisbilhotagens da Abin no governo Lula

No segundo mandato do presidente, quase houve uma crise institucional quando foi descoberto que a agência investigava secretamente políticos e ministros do STF.

Na época, um dos alvos investigados pela Abin foi o então presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, que teve as conversas com um senador da oposição gravadas.

A agência era chefiada pelo delegado Paulo Lacerda, que tinha sido diretor-geral da Polícia Federal no mesmo governo Lula. Com a descoberta, os ministros do Supremo cobraram uma resposta do presidente.

Abin
No governo Dilma, a Abin enviou quatro agentes ao Porto de Suape (PE) para espionar o então governador do Estado, Eduardo Campos (PSB), um dos pré-candidatos à Presidência da República | Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

+ Leia as últimas notícias sobre Política no site de Oeste

“Gravar clandestinamente os telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal é coisa de regime totalitário. É deplorável. É ofensivo. É indigno”, disse Mendes na ocasião.

O escândalo tomou maior proporção quando foi descoberto que o órgão havia colocado mais de 50 agentes para investigar juízes, políticos, jornalistas e um banqueiro considerado como desafeto do governo.

Lacerda foi demitido e substituído pelo delegado Luiz Fernando Corrêa, que voltou à direção da agência no ano passado.

Espionagens em outros governos

A Abin também protagonizou um caso de espionagem clandestina no governo Dilma Rousseff.

Em 2013, a agência enviou quatro agentes ao Porto de Suape (PE) para investigação política, que teve como alvo o então governador do Estado, Eduardo Campos (PSB), um dos pré-candidatos à Presidência da República.

+ Veja: Moraes mantém sigilo sobre relatório da Abin que tentou ligar o ministro ao PCC

Os quatro espiões foram identificados ao ingressarem no Porto de Suape e suas identidades foram reveladas. Campos era um dos mais fortes concorrentes à Presidência e morreu em 2014, na queda de um avião em Santos (SP).

Na gestão Fernando Henrique, um procurador da República que incomodava o governo foi vigiado de perto por uma agente do órgão, que se passava por estudante de Direito.

Ela primeiro tentou seduzir o procurador. Depois o acusou de agressão para desmoralizá-lo. A armação foi descoberta.

+ Leia também: No governo Lula, direção da Abin interferiu em investigação, diz Polícia Federal

Leia mais sobre:

1 comentário
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.