O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou, nesta quinta-feira, 12, a relatoria da investigação sobre a compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Mas não afastou a possibilidade de sofrer impeachment. A mais recente lista com o nome de senadores e deputados, com o pedido de instauração de processo, tem recebido cada vez mais assinaturas, pressionando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a encaminhar o pedido à Advocacia do Senado e levar, se aceito, à deliberação dos senadores.
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“Assinamos o pedido de impeachment e acredito que diante de tanta prova robusta que está sendo levantada pela Polícia Federal (PF) o ministro Toffoli não tem a condição de se manter mais neste cargo”, afirma a Oeste o senador Styvenson Valentim (PSDB-RN). “Então ele poderia evitar o impeachment e renunciar, porque a situação está impossível, e ele vai sofrer pressão popular para sair e responder esse processo na Justiça. Há informação suficiente para iniciar o processo, e vamos focar uma quebra de sigilo.”
“Vejo uma relação promíscua entre o ministro Dias Toffoli com a empresa, o resort, envolvido com o Banco Master, uma relação que expõe até onde vão esses tentáculos, esse envolvimento dos Poderes”, ressalta Styvenson. “No caso, veio à tona o nome do ministro do STF, como tem também rastros no Parlamento, que ainda vão ser descobertos; tenho certeza disso, tudo isso mostra a relação apodrecida dos poderes.”
Uma das que assinaram a solicitação é a deputada Rosana Valle (PL-SP), que vem defendendo o impeachment de Toffoli desde o fim de 2025. Ela assinou a lista no mês passado, ainda durante o recesso parlamentar.
Investigadores da PF encontraram mensagens em aparelho apreendido durante operação policial com o nome de Toffoli ao ter sido citado em um dos celulares de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, que teve liquidação decretada pelo Banco Central, por, entre outras, negociação de títulos fraudulentos.
As informações constaram no relatório, encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, na segunda-feira 9. Foram citadas conversas entre Vorcaro e Toffoli e mensagens entre o banqueiro e o cunhado dele, Fabiano Zettel, sobre o pagamento da compra de parte do resort da família de Toffoli, no Paraná, o Tayayá. A PF admite que pode ter havido descumprimento da Lei da Magistratura, sem, no entanto, ter pedido o afastamento de Toffoli da relatoria.
Em nota publicada nesta quinta-feira, 12, o gabinete de Toffoli negou que o ministro tenha recebido “qualquer valor” de Vorcaro ou do cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel. O ministro admitiu que a empresa Maridt, em que ele tinha participação, vendeu a parte dela no Tayayá Resort ao fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e outra parte para a empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. O texto ressalta, porém, que todas as negociações foram declaradas à Receita Federal.
“Não vejo nenhum atenuante no fato de ele ter informado a Receita Federal; ele tinha conhecimento das fraudes do Banco Master por ter envolvimento com o Daniel Vorcaro, por ter mensagens cobrando dinheiro desse empresário, então não tem atenuante nenhum”, afirma o senador Styvenson.
A gravidade do caso, segundo o senador, também não diminui pelo fato de ele ter deixado a relatoria do processo. “E o que agrava é ele tomar para si mesmo, diante do silêncio dos outros ministros do STF, o processo e todas as provas e ficar conduzindo aquele processo. Entendeu? Isso é inadmissível para a República brasileira ter esse envolvimento de um ministro, um banco nesse escândalo, e ele ser o julgador. Já passou do limite.”
A Oeste, o senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) ressaltou que vai assinar a solicitação ao retornar a Brasília. Ele acredita que a saída de Toffoli da relatoria do caso no STF não vai interferir no desejo de senadores de retirá-lo do cargo de ministro do Supremo. Mas, segundo o parlamentar, isso dificilmente vai ocorrer.
Leia também: “Sem saída”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 309 da Revista Oeste
“Davi Alcolumbre jamais colocará um pedido de impeachment para ser votado”, disse Oriovisto. “Mesmo que o cheiro de podre se espalhe por toda a República.”
Senadores que pediram impeachment de Toffoli
No Senado, são necessários 54 votos (dois terços) favoráveis para condenar e afastar o ministro definitivamente. Veja a lista dos senadores que assinaram. A dos deputadas serve para reforçar o pedido.
Senadores
- 1. Magno Malta — PL-ES;
- 2. Jaime Bagattoli — PL-RO;
- 3. Marcos Pontes — PL-SP;
- 4. Hamilton Mourão — REPUBLICANOS-RS;
- 5. Plínio Valério — PSDB-AM;
- 6. Carlos Portinho — PL-RJ;
- 7. Eduardo Girão — NOVO-CE;
- 8. Styvenson Valentim — PSDB-RN;
- 9. Cleitinho — REPUBLICANOS-MG;
- 10. Luis Carlos Heinze — PP-RS;
- 11. Vanderlan Cardoso — PSD-GO;
- 12. Izalci Lucas — PL-DF;
- 13. Marcos do Val — PODEMOS-ES;
- 14. Alessandro Vieira — MDB-SE;
- 15. Flávio Bolsonaro – PL-RJ;
- 16. Damares Alves — REPUBLICANOS-DF;
- 17. Marcio Bittar — PL-AC;
- 18. Marcos Rogério — PL-RO;
- 19. Esperidião Amin — PP-SC; e
- 20. Sergio Moro — UNIÃO-PR.
Deputados
- 1. Rodolfo Nogueira — PL-MS;
- 2. Marcel van Hattem — NOVO-RS;
- 3. Marcio Alvino — PL-SP;
- 4.Rosana Valle — PL-SP;
- 5. Rodrigo da Zaeli — PL-MT;
- 6. Delegado Caveira — PL-PA;
- 7. Zé Trovão — PL-SC;
- 8. Carla Dickson — UNIÃO-RN;
- 9. Cabo Gilberto Silva — PL-PB;
- 10. Luiz Philippe de Orleans e Bragança — PL-SP;
- 11. Luiz Lima — NOVO-RJ;
- 12. Girão — PL-RN;
- 13. Delegado Fabio Costa — PP-AL;
- 14. Junio Amaral — PL-MG;
- 15. Sargento Fahur — PSD-PR;
- 16. Dr. Frederico — PRD-MG;
- 17. Evair Vieira de Melo — PP-ES;
- 18. Adriana Ventura — NOVO-SP;
- 19. Pedro Westphalen — PP-RS;
- 20. Helio Lopes — PL-RJ;
- 21. Sargento Gonçalves — PL-RN;
- 22. Gilvan da Federal — PL-ES;
- 23. Rosangela Moro — UNIÃO-SP.
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O alcolumbre ta envolvido ate o pescoço nisso ai
Não conseguirão o impeachment de Toffoli nem de qualquer ministro da corte.
Por uma razão muito simples: a p*taria está institucionalizada em Brasília.
Sim, Elias. Disse tudo em poucas palavras. O senado, sob comando de Alcolumbre, nada fará. Ele tem o rabo preso com o stf.