A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) informou a Oeste que há mais de um mês protocolou quatro ofícios direcionados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ao Ministério da Saúde e às principais entidades médicas do país sobre o uso indiscriminado dos chamados “bastões duplos de inalação nasal refrescante” por adolescentes. A parlamentar afirma que não teve nenhum tipo de resposta.
Segundo a senadora, os ofícios continham “pedidos urgentes de providências e informações” e foram protocolados em 4 de março. “O silêncio do governo e das instituições ocorre em meio a uma popularização alarmante do produto, com relatos crescentes de uso reiterado e compartilhamento entre alunos dentro do ambiente escolar”, destaca Damares.
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A parlamentar disse que a venda dos aparelhos “sem aparente registro sanitário ou identificação de fabricante” ocorre sem nenhuma restrição na internet. Os objetos contêm substâncias como mentol e cânfora e prometem “aumento de energia e foco sendo utilizados como substitutos de energéticos em uma febre impulsionada por tendências virais nas redes sociais”.
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“A difusão de um aparelho dessa natureza entre adolescentes, fora de qualquer orientação médica ou controle regulatório”, alertou a senadora. “Pode contribuir para a banalização do uso de substâncias inaláveis de composição incerta.”
Damares aponta omissão do governo Lula
A parlamentar afirma que não teve nenhum retorno governamental. “Continuam ignorados os questionamentos feitos à Anvisa e à pasta comandada pelo ministro Alexandre Padilha sobre o enquadramento regulatório do produto e a falta de fiscalização nas plataformas digitais de venda”, reforça a congressista.
Segundo Damares, ela também cobrou, sem sucesso, a emissão de alertas sanitários urgentes para orientar pais e escolas.
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“Esse tipo de abordagem comercial tende a estimular o uso reiterado do produto, especialmente entre adolescentes”, destaca os ofícios da senadora. “Inclusive em ambiente escolar e em momentos associados a atividades acadêmicas ou esportivas, como antes de provas ou treinos.”
A senadora revela que o Conselho Federal de Medicina e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia também foram instados a se manifestar tecnicamente sobre os potenciais danos do produto ao sistema respiratório, mas mantêm silêncio.
Por fim, a parlamentar cobrou que as sociedades médicas emitam restrições claras e recomendações públicas para combater o uso indiscriminado dos inaladores.

O que são os “inaladores energéticos”
- O que são
Pequenos aparelhos plásticos com dois orifícios, que são usados para inalação simultânea pelas narinas, que abrigam um filtro impregnado com óleos essenciais concentrados, geralmente à base de mentol, cânfora, eucalipto ou hortelã.
- Qual a função
Comercializados livremente em marketplaces, são divulgados como “inaladores energéticos”. Anunciam sensação imediata de frescor, alívio da congestão nasal e ganho rápido de energia, foco e concentração, sendo frequentemente apresentados como substitutos de bebidas energéticas.
- Uso de jovens
O uso ganhou força nas redes sociais e se espalhou entre adolescentes. Há relatos de consumo frequente no ambiente escolar, inclusive antes de provas ou atividades esportivas, além do compartilhamento dos dispositivos entre alunos.
- Regulação
A maior parte desses produtos é importada de forma genérica e vendida sem registro nem notificação da Anvisa. Chegam ao consumidor sem controle de qualidade, identificação clara de fabricante nem comprovação de segurança.
- Riscos para a saúde
Apesar da aparência inofensiva, o uso repetido e intenso pode provocar irritação, ardor e ressecamento da mucosa nasal. Sem evidências clínicas sobre os efeitos do uso contínuo, especialistas ressaltam que odores fortes podem desencadear crises em jovens com asma ou alergias, incluindo broncoespasmos.
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