publicidade
No Ponto

As prioridades de Flávio e Tarcísio: libertar Bolsonaro e aprovar a anistia

O senador fluminense e o governador paulista querem unificar os discursos da direita até o fim do ano

Tarcísio e Flávio Bolsonaro conversaram durante um evento no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) - 7/11/2025 | Foto: Reprodução/Redes sociais
Tarcísio e Flávio conversaram durante um evento no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) - 7/11/2025 | Foto: Reprodução/Redes sociais

A possibilidade de Jair Bolsonaro (PL) ser enviado para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, acendeu o sinal de alerta para os apoiadores do ex-presidente. Em um encontro reservado na última sexta-feira, 7, depois de uma cerimônia no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conversaram sobre como evitar a iminente prisão do ex-chefe do Executivo. Além disso, discutiram formas de reorganizar o discurso da direita pela anistia aos presos e condenados pelos atos do 8 de janeiro de 2023.

Em Brasília, a probabilidade de Bolsonaro ser preso antes do fim do ano é tratada como real. Assim, a reação à tentativa de tirar o ex-presidente do jogo político passa diretamente pelas eleições de 2026.

Receba nossas atualizações

+ Saiba mais sobre os bastidores da política em No Ponto

Tarcísio é, hoje, o nome mais competitivo da oposição. Além de liderar as pesquisas no campo da direita, mantém trânsito com o centrão e interlocução em diferentes esferas institucionais, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF). Esse ambiente o coloca como favorito a herdar o espólio político de Bolsonaro. O governador insiste em que concorrerá à reeleição em São Paulo, mas talvez precise mudar de ideia por falta de candidato viável contra Lula.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, transita como potencial fiador político do pai. A relação pragmática com os Três Poderes o coloca em posição de articular pautas importantes em eventual vitória em 2026. Embora prefira disputar a reeleição ao Senado pelo Rio de Janeiro, interlocutores afirmam que Flávio não recusaria integrar uma chapa presidencial, caso seja chamado pelo próprio pai. Ele apoiaria a indicação de Tarcísio ao Planalto, se o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) não conseguisse viabilizar a candidatura à Presidência.

Nesse sentido, a ideia da direita é defender Bolsonaro dos abusos judiciais e, ao mesmo tempo, reconstruir um caminho competitivo capaz de reequilibrar as forças contra o STF.

Quem disputa o apoio de Bolsonaro

Outras peças do tabuleiro de 2026 também se movem: o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), é apontado como favorito do centrão e de Tarcísio para compor a chapa presidencial.

Ex-ministro-chefe da Casal Civil, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) alimenta a expectativa de ser vice-presidente, mas, se não for o escolhido, trabalharia pela indicação da ex-ministra Tereza Cristina.

Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou de ser a aposta principal para vice e hoje é vista como nome mais provável ao Senado pelo Distrito Federal, numa estratégia de ampliar a bancada de oposição ao STF.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, durante almoço com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto — 12/3/2025 | Foto: Ton Molina/Foroarena/Estadão Conteúdo
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, durante almoço com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto — 12/3/2025 | Foto: Ton Molina/Foroarena/Estadão Conteúdo

A união da direita

Em conversas reservadas, a mensagem entre lideranças do campo bolsonarista tem sido a de contenção interna e disciplina política. Um interlocutor influente do entorno de Tarcísio resumiu o atual momento do campo conservador: unir a direita em torno de pautas comuns para vencer as eleições de 2026.

Tanto Flávio quanto Tarcísio acreditam que a liberdade de Bolsonaro depende da vitória dos conservadores no próximo ano. Em caso de derrota, o nome apontado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) indicará mais três ministros para o STF. Esse cenário consolidaria um tribunal ainda mais desfavorável a Bolsonaro.

O discurso de Tarcísio segue cauteloso, institucional e sem nenhuma referência direta a uma corrida presidencial. Nos bastidores, contudo, 2026 é visto como ponto de inflexão para a direita.

A oposição opera desta forma: preso, Bolsonaro inviabiliza qualquer projeto eleitoral consistente da direita. A única estratégia capaz de mitigar esse risco seria fortalecer o poder político dos conservadores antes que o Judiciário torne o caminho irreversível.

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.