Novos relatos de moradores e trabalhadores humanitários detalham episódios violentos atribuídos às Forças de Apoio Rápido (RSF) depois da captura de Al-Fashir, em Darfur, no oeste do Sudão. Entre os depoimentos reunidos pela Reuters, Alkheir Ismail descreveu que foi poupado durante uma execução coletiva, depois de ser reconhecido por um dos sequestradores, enquanto outras vítimas foram mortas no local.
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Ismail relatou que estava desarmado e levava alimentos para parentes quando foi detido, e testemunhou insultos racistas proferidos por combatentes montados em camelos, que separaram centenas de homens e abriram fogo. O relato dele soma-se a depoimentos de outras testemunhas que falaram de separação de homens e mulheres, com desaparecimento de vários detidos no Sudão.
ONU e RSF divergem sobre acusações de crimes de guerra no Sudão
O escritório de direitos humanos da ONU divulgou nesta sexta-feira, 31, estimativas de centenas de civis e combatentes desarmados mortos, o que pode configurar crimes de guerra. As RSF negam as acusações e atribuem os relatos a invenções de adversários, enquanto sua vitória marca um ponto decisivo na guerra civil, que já dura dois anos e meio.
De acordo com depoimentos ao jornal The Guardian, civis foram assassinados em suas casas e em hospitais. A voluntária de enfermagem Nawal Khalil disse que as RSF “mataram seis soldados e civis feridos em suas camas”, incluindo mulheres. “Não sei o que aconteceu com meus outros pacientes. Tive que correr quando invadiram o hospital”.
Um comandante das RSF classificou as denúncias como “exagero da mídia” e declarou que alguns membros suspeitos de violações foram presos, além de pedir auxílio humanitário para quem permanece na cidade.
Segundo o comandante, soldados e combatentes disfarçados de civis foram interrogados, negando mortes como as relatadas. “Não houve mortes como dizem as acusações”, afirmou à Reuters. O líder das RSF, Mohamed Hamdan Dagalo, pediu a proteção de civis em discurso na quarta-feira 29, e anunciou investigações internas, ordenando ainda a libertação de alguns detidos.
Contexto histórico e reações internacionais
A ofensiva das RSF em Al-Fashir acirra tensões históricas com o grupo étnico Zaghawa, alvo das antigas milícias Janjaweed desde os anos 2000. Alex de Waal, especialista em genocídio, considerou as recentes ações das RSF semelhantes ao que ocorreu em Geneina e em outras cidades da região, referindo-se a episódios anteriores de violência étnica.
Os Estados Unidos já acusaram a RSF de genocídio em Geneina, e o Tribunal Penal Internacional investiga o ataque. O Exército sudanês e analistas responsabilizam os Emirados Árabes Unidos pelo apoio às RSF, mas o país nega envolvimento. Entre as vítimas, Tahani Hassan relatou que ela e a família foram agredidas e revistadas por combatentes das RSF durante a fuga, tendo pertences e alimentos destruídos no trajeto para Tawila.
Leia também: “A anistia inevitável”, artigo de Augusto Nunes e Branca Nunes publicado na Edição 255 da Revista Oeste






































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