O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez um apelo direto ao presidente russo, Vladimir Putin, para encerrar a guerra e iniciar negociações presenciais entre os dois líderes. O ucraniano declarou, em carta aberta divulgada na noite de quinta-feira, 4, que Kiev está disposta a suspender integralmente as hostilidades durante o período de diálogo.
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“A Ucrânia propõe o fim desta guerra por meio de um diálogo direto entre nós e você. Proponho um encontro”, escreveu Zelensky. Na mensagem, o presidente ucraniano também destacou que Moscou subestimou a capacidade de resistência da Ucrânia ao iniciar a invasão em larga escala. Segundo ele, a guerra, iniciada em fevereiro de 2022, entrou em seu quinto ano sem que os objetivos iniciais da Rússia fossem alcançados.
“Você não esperava uma resistência total da Ucrânia e não previu que as coisas chegariam tão longe”, escreveu. “Mas aqui estamos, no quinto ano desta guerra em larga escala. Não tenha medo de seguir o caminho para sair desta guerra. É isso que se exige de você agora.”
Zelensky acrescentou que seu governo aceita um cessar-fogo completo enquanto durarem as negociações. A reação do Kremlin veio poucas horas depois. O porta-voz Dmitry Peskov declarou que Zelensky poderia viajar a Moscou “a qualquer momento”, embora tenha informado que Putin ainda não havia tomado conhecimento do conteúdo da carta.
Também nesta quinta-feira, durante encontro com jornalistas estrangeiros, Putin reiterou que continua disposto a discutir uma solução para o conflito. Segundo o presidente russo, as conversas poderiam tomar como base os entendimentos alcançados durante sua reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada em Anchorage, em agosto de 2025.
Apesar da disposição declarada para negociar, Moscou mantém exigências consideradas inaceitáveis por Kiev. Entre elas está a retirada completa das forças ucranianas da região de Donetsk, parte do Donbass. O governo ucraniano rejeita essas condições por entender que equivalem a uma rendição política e territorial. Putin afirmou ainda que um eventual acordo não impediria a Rússia de consolidar o controle sobre todo o Donbass, região estratégica e rica em recursos minerais no leste da Ucrânia. “Uma coisa não exclui a outra.”
Putin e Zelensky sem negociações
Enquanto os esforços diplomáticos seguem sem avanços, os combates continuam. Putin declarou que as tropas russas avançam ao longo de toda a linha de frente. Dados analisados pela agência AFP com base em informações do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), contudo, revelam que a Ucrânia recuperou aproximadamente 282 quilômetros quadrados de território em maio, o que reduz pelo segundo mês consecutivo a área sob ocupação russa.
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Apesar dessas recuperações, militares russos permanecem infiltrados em boa parte das regiões retomadas pelas forças ucranianas. O presidente russo também anunciou que pretende ampliar as capacidades do sistema de defesa antiaérea do país após ataques de drones contra instalações energéticas e militares em São Petersburgo.
“A Rússia tem um sistema de defesa antiaérea”, afirmou Putin. “Sim, precisamos melhorá-lo. Sim, precisamos reforçá-lo. E faremos isso.” Putin ainda deixou aberta a possibilidade de ampliar o emprego do míssil balístico hipersônico Oreshnik contra cidades ucranianas. Segundo ele, o armamento, utilizado anteriormente no conflito, possui capacidade para transportar ogivas nucleares.
Nos EUA, a guerra na Ucrânia perdeu espaço na agenda política diante da escalada das tensões envolvendo Irã, Israel e Washington. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que nenhuma das partes demonstrou disposição suficiente para realizar as concessões necessárias à paz, especialmente a Rússia. O próprio Putin avaliou que a atenção da Casa Branca está concentrada prioritariamente no Oriente Médio.
“Está claro que a administração norte-americana se vê obrigada a concentrar sua atenção nesse assunto e a tratá-lo antes de qualquer outro”, declarou. Zelensky também lamentou a mudança de foco dos EUA. Durante visita do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, a Kiev, afirmou que a guerra em seu país deixou de ocupar posição central nas preocupações de Washington.
“Hoje não estamos no foco. O Irã é o assunto número um para os Estados Unidos, e depois vem a questão da Ucrânia. Infelizmente, estamos no fim da fila dessas guerras”, disse. Em entrevista à emissora CBS na semana passada, o líder ucraniano voltou a pedir sistemas americanos de defesa aérea e defendeu uma postura mais dura contra Moscou.”Precisamos de mais sanções. Acho que precisamos de mais pressão.”






































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