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Risco de prisão faz Putin descartar visita ao Brasil para a reunião da cúpula do Brics

Ditador russo anuncia que não vai prestigiar Lula durante o evento no Rio, assim como o chinês Xi Jinping, que tem outros compromissos

Em maio deste ano, Lula da Silva visitou Vladimir Putin, em Moscou | Foto: Ricardo Stuckert | PR
Em maio deste ano, Lula da Silva visitou Vladimir Putin, em Moscou | Foto: Ricardo Stuckert | PR

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, não vai comparecer presencialmente à cúpula do Brics. O evento vai ocorrer nos dias 6 e 7 de julho, no Brasil. A informação é do Kremlin, conforme anúncio nesta quarta-feira, 25. O motivo da ausência tem relação principalmente com o receio de o ditador russo acabar sendo preso em razão de um mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra na Ucrânia.

“A ausência do presidente relaciona-se a certas dificuldades no âmbito das exigências do TPI”, disse Yuri Ushakov, assessor de política externa do Kremlin, em entrevista coletiva. A ordem de prisão vigora desde março de 2023. Ela vincula Putin à deportação forçada de crianças ucranianas para o território russo.

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Segundo Ushakov, o governo brasileiro “não conseguiu manter uma posição firme que permitisse ao nosso presidente participar dessa reunião”. Diante disso, Putin participará do encontro, no Rio de Janeiro, por videoconferência. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, representará o país. O presidente da China, Xi Jinping, também não estará presente. O motivo seria a falta de agenda.

O presidente Lula da Silva convidou Putin, em dezembro de 2023, para participar da cúpula do G20. O evento ocorreu em novembro de 2024, no Rio de Janeiro. Na ocasião, Lula declarou que, apesar do convite, o líder russo teria de “enfrentar as consequências” do mandado de prisão, uma vez que o Brasil é signatário e membro fundador do TPI.

Em setembro de 2024, Putin fez sua primeira viagem a um país-membro do TPI desde a emissão do mandado, visitando a Mongólia. Apesar da solicitação do tribunal para que o governo mongol efetuasse a prisão, o líder russo não foi detido. A Mongólia assinou o Estatuto de Roma em 2000 e o ratificou em 2002. Mais recentemente, Rússia e Ucrânia retomaram negociações sobre a possível devolução de crianças ucranianas levadas para o território russo, durante rodada de diálogo realizada em junho, em Istambul, na Turquia.

Putin fará nesta quinta-feira, 26, sua primeira viagem internacional em 2025. Nos últimos dois anos, ele visitou países aliados como China, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Coreia do Norte, Vietnã, Mongólia e ex-repúblicas soviéticas. Já o presidente Lula, embora não tenha participado da cúpula do Brics em Kazan, na Rússia, em outubro de 2024, por motivos de saúde, esteve em Moscou em maio de 2025, para as celebrações dos 80 anos da vitória soviética na Segunda Guerra Mundial.

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