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Paraguai convoca embaixador do Brasil para esclarecer suposta espionagem da Abin

O governo brasileiro teria realizado uma invasão hacker para conseguir informações privilegiadas dos paraguaios

Chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez, em coletiva de imprensa
Chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez, concedeu uma coletiva de imprensa nesta terça-feira — 1/4/2025 | Foto: Reprodução/YouTube

O governo do Paraguai convocou, nesta terça-feira, 1º, o embaixador do Brasil, José Antônio Marcondes, para esclarecer alegações de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estaria envolvida em operações de invasão hacker a sistemas governamentais paraguaios.

A convocação ocorreu depois de um funcionário da Abin afirmar, em depoimento à Polícia Federal, que a atual gestão manteve essas operações com autorização expressa dos diretores Luiz Fernando Corrêa e Saulo de Cunha Moura. O objetivo era obter dados sigilosos sobre as negociações do Anexo C do Tratado de Itaipu.

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O Anexo C, atualmente em fase de renegociação, define as condições de comercialização da energia gerada pela Usina de Itaipu. Essa questão é vista como sensível pelo governo paraguaio, que suspendeu as negociações até que o caso seja esclarecido.

Em coletiva de imprensa, o chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez, afirmou que há a necessidade de explicações detalhadas por parte do Brasil, classificando o caso como “delicado”.

“Convocamos o embaixador do Brasil no Paraguai, José Antônio Marcondes, para que ele ofereça explicações detalhadas sobre a ação de inteligência conduzida pelo Brasil”, afirmou Ramírez.

Ministro do Paraguai suspende negociações com o Brasil

O ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, Javier Giménez García de Zúñiga, afirmou que a suspensão das negociações do Anexo C é por tempo indefinido até que a confiança entre os países seja restaurada.

“O governo do Paraguai está pedindo explicações”, afirmou Zúñiga. “Ao mesmo tempo, suspendemos de forma indefinida as negociações do Anexo C porque temos que restituir aquilo que é fundamental para a relação, que é a confiança.”

A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar possíveis vazamentos de informações e a existência de uma estrutura paralela dentro da Abin. Essa estrutura teria utilizado ferramentas da agência para obter dados sobre os valores em negociação no Anexo C do Tratado de Itaipu.

O governo brasileiro alegou ter interrompido as atividades em maio de 2023, assim que tomou conhecimento delas. Segundo o depoimento, as invasões incluíram sistemas do governo paraguaio, como o Congresso e a Presidência da República.

A expectativa do Paraguai com a renegociação do Anexo C é poder vender o excedente de energia no mercado livre, ao encerrar a obrigação de compra pelas distribuidoras das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

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