O pesquisador brasileiro Carlos Nobre recebeu a indicação do papa Leão XIV para compor o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral nesta segunda-feira, 30. O comunicado oficial da Santa Sé detalhou a escolha de um grupo de especialistas para assessorar o órgão, sendo o climatologista o único representante brasileiro selecionado para o encargo. Nobre tomou conhecimento da nomeação por intermédio da imprensa, enquanto realizava uma viagem para ministrar uma conferência sobre ecossistemas.
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Para o novo conselheiro, a decisão do Vaticano em priorizar o debate ecológico eleva o patamar da discussão sobre a crise ambiental. “Estamos vivendo uma emergência climática que coloca todos nós em risco”, sustentou o especialista ao avaliar o atual cenário global. O pesquisador acredita que a influência da Igreja Católica pode sensibilizar a sociedade civil para a proteção das populações vulneráveis diante do aquecimento do planeta. “O que está em jogo é o futuro da humanidade.”
Trajetória acadêmica e savanização
A autoridade de Nobre sobre o bioma amazônico fundamenta a escolha papal. Engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica com doutorado no Massachusetts Institute of Technology, o cientista iniciou suas atividades no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ainda em 1983. Sua tese sobre a transformação da floresta tropical em savana, motivada pelo desequilíbrio térmico e pela derrubada de matas, garantiu prestígio nas principais esferas científicas do exterior.
Esse novo compromisso institucional na Cúria Romana soma-se a outras distinções internacionais do brasileiro. Em 2022, a Royal Society o elegeu como integrante, marca que não era atingida por um pesquisador do país desde os anos 1800. O climatologista já mantinha diálogos com a cúpula da Igreja logo que participou do Sínodo da Amazônia, em 2019, período em que debateu com o então pontífice a inclusão da pauta ambiental nas diretrizes religiosas.
O conselho em Roma tem como missão central o estudo de temas que afetam a dignidade e a evolução da espécie. Nobre afirma que o interesse do pontificado atual pelos fenômenos naturais reflete uma preocupação direta com a preservação de vidas. Com a conclusão desse processo de indicação, o brasileiro pretende unir os conhecimentos técnicos obtidos em décadas de monitoramento satelital às iniciativas sociais conduzidas pelo Vaticano. O pesquisador diz que o momento exige a convergência de esforços entre ciência e fé para enfrentar os desafios de sobrevivência que se impõem às próximas décadas: “É preciso unir esforços”.
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